/ Eu Você e Eles

16jun

Metade cheio ou metade vazio: Como você lida com seus relacionamentos?

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Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em “O Lado Bom da Vida”, de 2012

[Você pode ler esse texto ao som de From The Stalls, do Angus & Julia Stone. ♫]

Esses dias conversando com amigos no bar, pensei em como vivemos na era do pessimismo. Como sempre conseguimos enxergar o lado ruim das coisas antes mesmo de acontecer. A conversa era sobre relacionamentos.

Nessa conversa no bar eu falei sobre como era muito difícil conhecer alguém e ter algo legal. E aí começamos a debater essa questão. Na mesa havia pessoas de 20, 30 e 40 anos e todas elas compartilhavam do mesmo ponto de vista: as pessoas têm medo.

Nesse momento eu levantei meu copo, que estava pela metade, e disse “eu vejo esse copo meio vazio, pra mim ele não está meio cheio” e comparei aquele copo de cerveja com meus relacionamentos, como a forma que lido com eles e completei dizendo que não sabia lidar com copos meio vazios.

Quando estou naquela fase que começo a me envolver com alguém sempre penso em “até quando isso vai durar?” ou “será que vale a pena ir além disso?” e as vezes desisto, pois não quero me envolver em algo que possa não dar certo ou só não quero me envolver demais.

Algumas vezes até brinco com os amigos e falo “só trabalho com certezas”.

O fato é que somos completamente diferentes de nossos pais e temos uma visão diferente sobre todas as coisas. Se eles antes viam cores, nós agora enxergamos em preto e branco. É assim a vida pra nossa geração (de 20, 30 anos), onde estamos não existe mais o amor romântico. Hoje o nosso amor está condicionado, acima de tudo, ao amor próprio. A poesia que escrevemos é para nós mesmos e o sentimento que sentimos pelo outro nada mais é que a forma de nos amar.

Encontrei uma pessoa esses dias que tinha um copo de cerveja, pela metade, tatuado no braço. Quando perguntei se estava “meio cheio ou meio vazio” obtive a melhor resposta possível e parei pra pensar. Ela me disse “hoje está meio cheio, mas ontem estava meio vazio”. Ao escutar isso senti uma pontada de esperança e pensei que poderia tentar encarrar as coisas assim.

Eu, quando estou bebendo cerveja, não gosto de ver meu copo meio vazio. E quando estou num relacionamento também. Quando vejo meu copo vazio, acabo completando ele. Mas completo com a minha porção e esqueço-me de deixar você colocar a sua.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

08jun

E o segundo encontro não acontece

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento

 

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Anton Yelchin e Felicity Jones em Loucamente Apaixonados, de 2012

[Você pode ler esse texto ao som de Second Chances do Imagine Dragons ♫]

Nos encontramos no bar, flertarmos e nos beijamos, foi legal conhecer além dos aplicativos. É diferente falar com a pessoa e descobrir como ela age, como ela fica sem jeito quando recebe um elogio ou quando é encarada por mais de 5 segundos. Um primeiro encontro é isso, é simples assim.

No primeiro encontro existe aquela excitação em tudo. Até o olhar excita! Aquele toque sem querer dar mãos, o primeiro beijo, o olhar depois do primeiro beijo… É como se estivéssemos nus e fôssemos observados pelos olhos atentos do interessado. Você está tenso, mas você gosta disso.

Lembro de alguns primeiros encontros que me deixaram bem mais interessado pela outra pessoa, alguns que me deixaram completamente desinteressado e outros que me fizeram pensar que havia encontrado uma nova amizade, tipo aquela pessoa que você quer por perto mas não deseja.

Antes de um primeiro encontro ficamos com aquele frio na barriga, pensando se vamos agradar ou não, se seremos agradados e como vamos agir caso o outro tenha mau hálito. Vários pensamentos (bobos e sérios) invadem nossa mente criativa, tentando – em vão – tecer saídas para todas as possibilidades, para o certo ou errado…

E quanto acaba são outros sentimentos que tomam conta. Pensamos que não podemos ser os primeiros a enviar mensagens, por que “se o outro está interessado, ele que escreva” ou “não posso mostrar que estou mais interessado” e os jogos começam. E quando estamos falando de um jogo, estamos falando que deve existir um ganhador e um perdedor e isso faz com que não exista um segundo encontro.

Você já conhece o outro, gostou de estar com ele, pensa que poderia passar dos beijos, que poderia convidá-lo para uma bebida e passar a noite juntos, mas você não faz. E o outro não faz. E ninguém mais faz.

E o segundo encontro não acontece.

Também né? Vou perder meu tempo com algo que pode durar pouco? Vou me doar por alguém que mal conheço? Vou tentar entrar num relacionamento sendo que sou um fracasso? Por que eu faria isso?

E o segundo encontro não acontece.

Você nunca sabe onde errou. Pergunta para si mesmo qual o motivo e aí a tensão volta. Mesmo assim você não faz nada. Você espera ou parte pra outra. Olha o contato no Whatssap e pensa “poderia mandar um oi”, mas volta atrás.

E o segundo encontro não acontece.

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

03jun

Precisamos falar sobre os sinais

Postado por às em Eu Você e Eles, Relacionamento
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Justin Long e Ginnifer Goodwin em cena de Ele Não Está Tão a Fim de Você, de 2009

[Você pode ler esse texto ao som de Um Só da Clarice Falcão ♫]

Quero muito dividir algo com você, uma coisa que seus amigos já falaram, mas você não escutou. Sei que agora você está sofrendo e pensando que poderia ter sido diferente, que poderia ter dado certo, que poderia ter uma segunda chance, que as coisas seriam boas de novo. Mas não.

Você fez tudo que poderia ter sido feito, foi tudo que deveria ser e sabe disso. Você errou? Sim, quando não se protegeu.

Uma coisa temos que combinar: você sabia que estava acabando.

Você sempre soube que ia acabar, sabe por quê? Nada acontece de um dia para outro. Você só não queria aceitar, não queria ver os detalhes ou não entendeu os sinais. Na verdade, a parte de não entender os sinais poderia ser substituída por “não queria entender os sinais”, pois quando acaba não é só de um lado, os dois lados rompem.

Não estou dizendo que a partir do momento que o outro foi embora você deixou de amar, você não deixou! Você lutou até o último segundo, você brigou até o último adeus, até aquele último toque das mãos e chorou. Você chorou por dias, por meses, eu sei que você sofreu, mas também sei que você sempre soube e hoje você também sabe. Tudo sempre foi muito claro.

Quando algo está acabando não é do dia para outro, uma pessoa não acorda e pensa “o que estou fazendo da vida?” e resolve mudar. Mudanças levam tempo. Claro que esse tempo pode ser uma semana, um mês ou até um ano. Mas esse período é um aviso para que você possa se proteger.

Ser o lado que quebra é sempre mais difícil. Você desaba, fica o pó e vê como o outro consegue refazer sua nova vida rápido (sem você). Você se culpa, o culpa e passa seus dias esperando algo, mas você sempre soube que isso aconteceria. Ou melhor, você sempre soube que isso poderia acontecer e não fez nada.

Escrevo isso pra você como se tivesse puxando sua orelha e falando “fique de olho nos sinais”, mas esse texto na verdade é pra mim. Escrevo enquanto percebo todos os sinais que decidi ignorar, todos os detalhes importantes deixados de lado, todos os momentos que deveria ter acabado com tudo.

Hoje é tarde para perceber isso? Talvez sim, talvez não. O sofrimento já passou e você pode se perdoar pelo erro e seguir em frente. Ou você pode escrever…

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

02jun

À sua imperfeição que me cativa

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Lucia Moniz e Colin Firth em cena de Simplesmente Amor, de 2003

[Você ler esse texto ao som de Tenerife Sea do Ed Sheeran ♫]

Eu adoro a forma como você se veste e o fato de seu sorriso ser estranho.
Adoro o jeito que você mexe em seu cabelo e bagunça tudo sem perceber.
Gosto muito de explicar aquele filme que você não entendeu ou aquele livro que estou lendo e você chega todo curioso pra saber da história.
Adoro quando você erra a conversa no chat e me envia algo sem querer.

Você me olha tão sério quando vou te explicar algo, que às vezes penso que você está brincando comigo, mas na verdade está só prestando atenção. E eu adoro isso.

Quando você faz brincadeiras bobas eu fico bravo por não conseguir segurar o sorriso e te dou aquele soco fraco. Não por que quero te bater, eu só quero te tocar. E quando eu olho pra você vejo todos seus defeitos e suas imperfeições e isso me faz perceber o quanto estou apaixonado.

Eu sei que somos jovens, que veremos muitos outros rostos bonitos na vida e poderemos viver momentos com eles, mas quando estamos juntos a gente se diverte.

O brilho que ganho em seu olhar multiplica toda essa minha timidez. Como sou bobo, fico tentando devolver tudo em forma de sorrisos. Acho que consigo.

Você é como aquela música que não é a principal do álbum, mas que completa ele. Sem essa música a história daquele disco não faria sentido e o cantor não faria tanto sucesso. Eu sei disso.

Você pode não perceber, mas brilha no meu olhar e todos os dias, quando penso em você, dou sorrisos e proponho um brinde à sua imperfeição. Ela me cativa.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

29mai

Vivendo sob o olhar imaginário do ausente

Postado por às em Eu Você e Eles, Relacionamento

 

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Hilary Swank e Gerard Butler em cena de P.S. Eu Te Amo, de 2008

[Você pode ler esse texto ao som de Give Me Love do Ed Sheeran ♫]

Acho todo mundo já passou por isso após terminar um relacionamento. Você ainda está conectado a pessoa, ainda espera que ela apareça de surpresa ou te encontre no metrô. Vai na livraria e passa por aquela sessão que ele mais gosta só pra tentar encontra-lo, ou apenas por que sente que ali poderia ser seu lugar também.

Estar (ou se sentir) conectado a alguém que não pensa mais em você é triste, é como viver sob os olhos imaginários de alguém que não existe.

Uma vez fiz um trabalho na faculdade onde tínhamos que transformar um dos contos de Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, em uma peça de rádio. Eu havia acabado de terminar um relacionamento e hoje penso o quanto participar disso fez bem para a evolução daquele sentimento.

Eu sequer imaginava que o final de um relacionamento tinha fases e que precisa colocar minha cabeça dentro d’água, ficar sem respirar para desejar o ar da mesma forma que desejaria a liberdade, para quando sentisse o ar entrando nos pulmões pudesse respirar a aliviado e não viver sob o olhar daquele que não me olha. O conto de Barthes fala exatamente sobre isso.

Não sei quantas vezes, chegando em casa após o trabalho, pensei em encontra-lo no portão me esperando e rever aquele sorriso. Eu olhava para os dois lados da rua como se estivesse sendo observado, andava como se ele estivesse logo ali e pensava que os olhos dele estavam mim, que me seguia na rua, que me via.

Hoje encaro isso como uma verdadeira bobagem. Eu estava tão conectado a ele que nem sequer prestava atenção na realidade, vivia sob a fantasia que era criada na minha imaginação. E olha que tenho uma imaginação bem fértil!

Claro que é fácil descartar esse sentimento agora que já passou, mas nunca diria que isso não voltará a acontecer. Posso me jogar num relacionamento e passar por isso de novo. O que sempre tentarei fazer é aprender com isso. Como disse em outro texto aqui no blog: “o errado dá certo no final, pois aprendemos com os relacionamentos passados e seguimos em frente.”

Viver sob os olhos imaginários de alguém que está ausente é muito romântico, é como voltar no tempo e ser um personagem das histórias clássicas, é como pensar: eu vivo de amor! É absolutamente lindo ao mesmo tempo que é incrivelmente triste. Mas o que seria da beleza se não existisse a tristeza?

A tristeza é linda.

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles

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