/ Feminismo

18jan

Ninguém pode te ensinar como (não) sofrer por amor

Postado por às em Amor, Feminismo, Relacionamento
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Joaquin Phoenix em cena do filme Her, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Supersymmetry, do Arcade Fire ♫]

É muito complicado quando um amigo, ou amiga, chega a você e diz: “o que eu faço para parar de pensar no fulano?”, eu sempre respondo “tenta fazer algo diferente, ocupar sua mente, vamos sair?” e assim tento ajudar aquele ser durante esse momento difícil, mas tudo que eu disse não passa de frases prontas que todo mundo está cansado de escutar. É claro que eu tento de todas as formas fazer com esse amigo não sofra e leve a vida adiante, mas até que ponto essas palavras funcionam?

Você está bem no trabalho, está muito feliz com o andamento da sua vida e começa até a fazer planos para o futuro: viagens, comprar um carro, trocar de apartamento, fazer um curso novo… Até que um dia chega uma pessoa na sua vida, uma pessoa que movimento tudo, bagunça tudo e te fazer sentir aquele sentimento que há tempos você não sentia. Aquela pessoa que emenda a sua alma novamente, sim aquela pessoa. E em meio a toda essa felicidade bagunçada a pessoa acaba indo embora, sem explicações, sem direito de receber uma resposta, apenas vai, pois o amor acabou. O que a gente faz?

Seus amigos (meus amigos, eu, seus irmãos…) falarão “calma, vai ficar tudo bem. Tenta esquecer o que aconteceu e bola pra frente”, mas você esquece? Não, você chora, tenta ocupar a mente fingindo que está pensando em outras coisas e não consegue. Você vai passar dias, semanas ou meses assim, pois não consegue controlar. Não é uma questão de escolha, de desligar uma válvula e seguir em frente, você imagina de todas as formas como seria se tudo fosse diferente, se tivesse mais uma chance. E às vezes você tem essa oportunidade, às vezes.

Quando a oportunidade não vem o que resta é lidar consigo mesmo, é encarar o problema e ir aos poucos diminuindo esse sentimento sem se forçar a nada. Não tente entrar em outro relacionamento apenas para “esquecer”, pois uma pessoa não consegue ocupar o buraco de outra, apenas você consegue ocupar esse buraco.

Esses dias vi um post de imagem e coloquei no Twitter, esse post falava sobre uma pessoa que teve o coração partido três vezes e o que ela fez em cada uma dessas situações. Na terceira, ela foi ver um filme. Apesar de não ser tão simples assim eu gostei muito da imagem, coisas assim dão uma forcinha pra gente mesmo sabendo como é esse sofrimento e conhecendo essa dor. Sabemos que chega a doer de verdade, entende que todo o choro é real, mas coisas fofas nos ajudam a trabalhar esse sofrimento.

O que eu gostaria de dividir com vocês é que ninguém pode parar essa dor, ninguém pode fazer você desligar e esquecer de um dia para outro, só você. A gente luta tanto diariamente e no final acabamos esquecendo que somos tão fortes e capazes de superar essas perdas.

Vai doer? Vai sim, vai muito.
Vou chorar? Vai sim, vai muito.
Vai passar? Vai sim.

A dor é passageira e ela nos dá algo que ninguém pode dar: a experiência. Ensine você mesmo a lidar com seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Só você pode se ajudar.

15dez

O poder de histórias como Jessica Jones

Postado por às em Feminismo, Relacionamento, Séries
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Jessica Jones, Netflix 2015

Terminei a primeira temporada de Jessica Jones, nova série da Marvel com Netflix e conversando com duas amigas sobre o que a série representou pra mim, conclui que tinha uma ideia completamente diferente sobre a personagem. Eu sou fã da Marvel, adoro filmes de heróis, porém não conhecia a história dessa série, conhecia vagamente a personagem e fui correr pro Google quando o nome Killgrave apareceu, eu precisava conhecer o potencial do vilão para entender as chances da nossa heroína. Nesse momento eu ainda acreditava que Jessica Jones se tratava de uma série sobre o universo dos heróis, com poderes ou algo mais real (ainda dentro desse universo) como Demolidor, mas não.

A história de Jessica Jones é sobre o universo Marvel, porém também é sobre relacionamentos abusivos e violência contra a mulher. A todo o momento a série faz referências aos episódios do último filme dos Vingadores, inclui uma personagem principal de Demolidor e nos insere no mundo da Marvel, mesmo sem fazer isso abertamente. A diferença desse para os outros projetos da Marvel é que Jessica não usa capa, não usa uniforme. Diferente dos outros ela tem medo de se machucar, vive fugindo do seu agressor, teme por seus amigos e por sua família, ela é como muitas mulheres.

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Krysten Ritter em imagem da série Jessica Jones, Netflix 2015.

Eu conheço algumas Jessicas Jones, mulheres que viveram num relacionamento abusivo e se tornaram menores apenas para continuar com suas vidas. Meninas mais jovens e mulheres mais velhas que já passaram por situações horríveis, de vergonha, de agressões e que conseguiram tirar aquele vilão de suas vidas. Elas são como a heroína da série, só que sem a super força, só precisam de coragem para procurar ajuda e aceitar que isso não é uma fatalidade ou motivo de vergonha.

Eu me considero feminista, acredito em todo tipo de luta por direitos iguais e acho que conteúdo como Jessica Jones é muito importante para o momento que estamos vivendo. Estamos entrando no ano de 2016 e ainda precisamos lembrar-nos de coisas simples como respeito, vida em sociedade e de violência contra mulher. Complicado, não é?

Na série, somos apresentados pela personagem título que ainda foge de seu grande agressor. Killgrave é o cara mau, porém é um tipo diferente de vilão, ele é aquele namorado agressivo que não aceitou o fim de seu relacionamento, ele ainda quer chamar atenção e ter “sua amada” de volta, mesmo que para isso tenha que usar a força. É disso que a série fala, sobre um relacionamento abusivo, querer ter o poder sobre uma pessoa, sobre fugir de medo, sobre ter e não ter coragem.

O importante de Jessica Jones não é só inserir mais um personagem no universo Marvel e sim mostrar que é possível lutar contra seus medos, sejam eles dentro ou fora de sua casa. Eu estranhei bastante o andamento de Jessica Jones, porém adorei a série e acredito que ainda precisamos de muitos conteúdos como esse.

19nov

A minha causa é mais importante que a sua?

Postado por às em a vida como ela é, Feminismo
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Charlize Theron em cena do filme Terra Fria, de 2005

[Você pode ler esse texto ao som de Survivor cantada pela Clarice Falcão ♫]

Ontem li um texto que me deixou triste, ele falava sobre feminismo e diminuía o discurso de Clarice Falcão ao cantar sua versão de Survivor, num clipe lindo sobre feminismo. O texto trazia números de mortes de mulheres brancas versus mulheres negras e dizia que a branca da classe média ou alta não poderia gritar tão alto quanto a negra da classe média ou da periferia, pois elas nunca “passaram por isso”. Fiquei triste ao ler isso, pois tem um grupo de pessoas que querem diminuir o grito alheio, como o da Jout Jout, pois ela não faz parte da maioria, pois grito feminista dela não vem com a dor e o sofrimento, não tem a cor do grito da outra, pois o grito de “não tire o batom vermelho” dela é elitista. Fiquei triste.

Sou branco, tenho um bom emprego e consigo pagar meu aluguel num bairro legal de São Paulo, porém sou gay e passei mais de 25 anos da minha vida na periferia, sou de família pobre e sei que tenho tantos direitos quantos homens gays que nasceram e moram a vida toda no bairro dos jardins e nunca vou diminuir o grito deles, pelo contrário eu quero gritar junto, quero fazer com que esse grito ecoe ainda mais rápido, que seja mais visto, pois a causa que lutamos é uma só.

Eu me considero feminista, acho lindo a luta das mulheres por direitos iguais, por igualdade social, por um mundo sem medo de sair às ruas, por uma sociedade em que as respeite e não as diminua por nenhum motivo. Eu adoro tanto o movimento, que chego a me emocionar quando vejo que meninas de 17 anos estão fazendo revolução em suas escolas e trazendo pais e meninos para a causa, mas segundo esse texto que li ontem, eu não posso ser feminista, pois eu não “passei por isso”, não sofri discriminação por ser mulher, não sofri abusos. Segundo aquele texto, meu discurso seria vazio, seria menor.

Eu não costumo fazer discurso sobre feminismo, nem sobre o preconceito contra gays, mas eu participo de tudo que posso, inclusive já escrevi aqui no blog sobre a sociedade ainda não aceitar as diferenças, sobre essa vontade doida das pessoas de moldarem o outro a sua normalidade. O meu discurso é com amigos, com família, tentando mostrar à eles o tamanho da luta que está sendo travada todos os dias. Há alguns dias, briguei com um amigo que filmou (e postou em seu Snapchat) a bunda de uma moça na balada. Aquilo me deixou triste, achei uma grande falta de respeito com a moça, ela estava dançando na balada e não para um público x de pessoas na internet. É esse meu discurso, ele está no meu dia a dia, na minha vida e por ser homem e branco, ele não serve para algumas pessoas.

Dias atrás, eu li um post no Facebook do crítico Pablo Villaça, onde ele dizia que uma jovem moça se sentiu amedrontada em sua presença, enquanto buscava sua filha na escola. Nesse post, vi o comentário de um homem que dizia “sou alto e gordo, e me sinto muito triste quando mulheres, pelo meu porte físico, atravessam a rua”, abaixo desse comentário eu vi vários outros falando para esse homem que “o coitado aqui não é você”, “se coloque no seu lugar”, “você sofre preconceito por ser grande? Palhaçada!”, foram vários comentários gritando para o homem que a causa dele era menor, mas ele não foi gritar por uma causa, seu comentário só manifestava sua tristeza ao ver mulheres temerem sua presença e mesmo manifestando esse sentimento ele foi criticado.

Nesses vários anos de vida eu aprendi a respeitar todas as opiniões, até as contrárias e aprendi a ver o mundo com outros olhos. Eu acredito na mudança, acredito na força das pessoas, acredito nas causas que criam as mudanças, eu apoio as mulheres saírem às ruas pedindo a legalização da pílula do dia seguinte, a legalização do aborto. Acredito que com o nosso corpo nós devemos fazer o que quisermos, mas eu ainda acredito que temos que aceitar todo e qualquer apoio, o grito dos mais favorecidos não é menor que o nosso. A música da Clarice Falcão não é menor que uma cantada pela Petra Gil ou pela Negra Li, eu pelo menos penso assim. O vídeo da Jout Jout levou a ideia de feminismo à pessoas que ainda não entendiam a causa e isso vale muito a pena.

Eu acredito num mundo melhor onde todos se aceitem e se respeitem. Independente de raça, sexo, orientação sexual, independente se você é Clarice Falcão, Jout Jout, Negra Li, Racionais, Ivete Sangalo. Se você estiver fazendo algo que agrega na luta por direitos iguais, você tem o meu respeito, minhas palmas e meu grito estará contigo.

Vamos fazer um escândalo? Vamos sim!

16nov

O empoderamento feminino em Jogos Vorazes

Postado por às em Feminismo, Filmes

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Essa semana termina mais uma Saga que levou milhões de pessoas aos cinemas, com uma premissa diferente das outras histórias que acompanhamos, Jogos Vorazes traz uma história política, que obviamente tem como segundo plano um romance e algumas intrigas, mas esse filme eleva para um outro nível os filmes de Sagas, trazendo significados e visões que refletem na geração de pessoas que são impactadas pela história da revolução.

Não poderia vir em melhor hora este final, um momento em que estamos participando, vendo, presenciando a primavera das mulheres no Brasil, e Katniss Everdeen, a mocinha deste filme é um forte exemplo de feminismo, de força e empoderamento feminino.

Katniss é um exemplo para homens e mulheres, não apenas por suas habilidades de luta e sobrevivência, mas de inteligência e perspicácia, pois transcende a questão feminismo/machismo, ela impressiona homens e mulheres e sim, ela é fodona. Como não se impressionar vendo uma mulher dominar um arco e flecha e tornar-se o símbolo de uma revolução?

Ela desafia o Estado, desafia a própria sociedade e critica o culto excessiva à aparência, afinal os Jogos Vorazes são vistos como um espetáculo para quem está de fora e todo o tempo gasto em suas roupas, artigos para ela não faz sentido. Se Katniss vivesse na vida real, nos dias de hoje, ela seria uma mulher que vai contra os padrões impostos pela sociedade, tenho certeza disso.

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Poderíamos ficar aqui falando sobre os arquétipos e muitas facetas feministas sobre a personagem de Jennifer Lawrence, mas acredito que o fator mais importante aqui é a escolha de uma personagem forte para uma série que pode ser considerada focada no público adolescente, onde não existe o estereotipo de uma mocinha desprotegida que precisa de suporte e de um homem obviamente lindo e maravilhoso para cuidar dela e das fraquezas e que mais importante ainda, o foco dela não está relacionado ao amor romântico ou relacionamento.

Jogos Vorazes traz para jovens e adultos um novo formato de filme que coloca as mulheres no protagonismo e talvez não seja o que o movimento feminista busca, mas eu entendo como um grande passo e confesso que estou muito animada para ver o fim dessa história! Nós vamos assistir a pré-estreia hoje e eu estou mega ansiosa pra ver como Katniss vai conduzir esta revolução.

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05ago

Por que não temos mais donos de casa?

Postado por às em Feminismo
Celso dono de casa

Celso exemplo na página do IG

Aqui estou eu mais uma vez escrevendo um post sobre feminismo, eu não me declaro feminista, dessas que ficam passando o olho em tudo, mas eu defendo a ~categoria~ no que eu posso, meu namorado diz que eu só torço pras mulheres em todo reality show que assisto, que eu sempre defendo o ponto de vista feminino, mas eu não encaro isso como feminismo, acho que é uma coisa natural.

Eu trabalho num ambiente 90% masculino e posso dizer que o machismo está arraigado nos comportamento de meus colegas, mesmo que eles achem que não, mulher está numa categoria abaixo, aqui no Brasil não existe nenhuma mulher na diretoria, entre outras coisas que não me cabe citar aqui.

Mas o que me motiva a escrever esse texto é o fato de que em uma conversa entre minhas colegas de trabalho durante o almoço veio à tona o lance de que a mulher chega em casa e ainda tem que fazer trabalho doméstico, blá blá blá, e ai lá fui eu esbravejar as minhas indignações, pois eu não consigo entender um relação onde as duas pessoas trabalham, as duas pagam e dividem as contas por igual e apenas a mulher vai chegar em casa e trabalhar ainda mais.

dono-de-casa

Ai uma colega comentou que seria muito difícil eu encontrar um homem que também tenha esse pensamento, por dentro eu gritei: “ficarei solteira pra sempre!”, mas o que eu observei foi que estávamos em 4 mulheres e só eu expressei minha revolta, a colega que colocou o ponto também concordou, mas aparentemente ela está “acostumada” com esta posição e tem um companheiro que ajuda em alguns pontos, as outras duas apenas acompanharam o diálogo.

Todo mundo me conhece e sabe que eu tenho esse posicionamento e defendo com garras e dentes, afinal, somos iguais, por que um lado tem a carga maior? Por que em pleno 2015 ainda vemos este tipo de ideia ser considerado como ideal? Por que ainda são praticamente zero os donos de casa? Por que os comerciais de produtos de limpeza ainda são feitos apenas com mulheres?A gente ainda tem muito que lutar.

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