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02jul

Você reclama que está sozinho, mas isso é o que mais quer

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Julia Roberts e Jude Law em cena do filme Closer, de 2004

Na semana passada eu escrevi aqui no blog, pegando o filme Medianeras como exemplo, sobre como usamos a internet para nos relacionar (veja aqui) e como falhamos em quebrar nossas próprias medianeras e viver sem elas. E hoje estava no Twitter e vi uma frase famosa: “frio e cobertor, só falta o mozão“, que poderia se trocada facilmente por “calor e cerveja, só falta a companhia“, se estivéssemos no verão. Eu nunca cheguei a postar coisas assim, não por que nunca estive carente e sim por não querer tornar público a minha carência. Nesse ponto gosto de ser mais reservado, faz parte do meu jeitinho.

Se você olhar para o seu grupo de amigos, verá que vários deles querem um “mozão”, uma companhia para beber cerveja, alguém para preparar um almoço ou uma pessoa legal para dividir a conta num jantar. Pergunta aí para a pessoa do seu lado. Ela quer? Eu acho você também quer. Eu quero! E aquela pessoa que senta ao meu lado no trabalho também. Um amigo meu quer, mas ao mesmo tempo ele quer ser livre, não quer um compromisso.

O ser humano é um animal tão sem sorte que consegue querer, ao mesmo tempo, duas coisas completamente distintas. Ele quer estar junto e quer ser livre. Quer ter uma companhia e não quer ter um compromisso. E esse medo do compromisso faz com que a gente (eu também, tá?) fuja daquela pessoa que possa querer algo sério.

Esses dias escutei de uma pessoa uma frase que me deixou bastante pensativo, a frase foi: “Sempre que vejo que vou me apaixonar por alguém, eu vou embora. Não consigo lidar com isso“. As pessoas tem tanto medo de sofrer que acabam adiantando o sofrimento, bizarro né? A gente sofre para não sofrer e chora para não chorar. As pessoas estão fugindo com medo do amor. Como fomos chegar nesse ponto?

A Jout Jout falou sobre isso em um dos seus vídeos, eu adorei e me vi muitas vezes ali. Eu não sou (ainda) aquele cara que não tem medo. Eu ainda tenho muito medo. Imagina que eu vou colocar tempo, que é o meu maior bem, em uma pessoa que ainda me deixa com dúvidas? Eu tenho sim medo de sofrer e isso me deixa longe de relacionamentos. Isso me faz acaba-los antes mesmo de começar.

Me fala, quantos primeiros, segundos e terceiros encontros você teve que foram legais? Eu tive alguns e não deram em nada depois, em alguns eu tentei em outros não. Fiquei parado, fiquei pensando, fiquei com medo.

O fato é que nós estamos cada vez mais reclamando de passar frio sozinho ou de não ter ninguém para dividir a cerveja no calor e não estamos fazendo nada para isso mudar, pois queremos nossa liberdade. Foda né?

Será que a liberdade pode existir quando estamos juntos? Ou ainda, o medo deixará de nos atrapalhar? Isso parece tão bobo no texto, mas é tão sério na vida.

24jun

Medianeras, aplicativos e relacionamentos

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Filmes, Música
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Pilar López de Ayala e Javier Drolas em cena de Medianeras, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de True Love Will Find You In The End, do Daniel Johnston ♫]

Já conversei com vocês aqui no blog sobre o famoso (ou nem tanto) segundo encontro, que às vezes nem acontece, e também sobre como lidamos com nossos relacionamentos (bem no estilo “metade cheio ou metade vazio?”), mas agora queria falar sobre um assunto que todo mundo tem medo de botar na mesa, ou no blog.

Acho que a internet é um meio de comunicação incrível. Eu posso estar longe de você, mas consigo me sentir perto, pois estou a um clique de te enviar uma mensagem, uma foto, um vídeo ou um áudio. É pratico, é fácil e funciona bem para a nossa geração. Mas e quando atrapalha? Quando você coloca todas suas fichas nas interações online e esquece o resto?

Sempre que penso nisso eu me lembro de um dos filmes que estão no meu coração, o argentino Medianeras. Ele conta a história de Martin e Mariana, ele é um designer que trabalha em casa e leva uma vida bem passiva, já ela é uma arquiteta frustrada e com problemas de relacionamento. Enquanto os dois levam suas vidas, com problemas de pessoas normais, usam a internet para se relacionar.

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Agora você me pergunta “qual o problema em usar a internet para se relacionar?” e eu te respondo “nenhum”, pois Martin e Mariana ainda saem na rua, bebem, vão a bares e etc., mas seus encontros estão vinculados aos chats online. Enquanto Martin sabe muito bem como funciona esse mundo (a pessoa é diferente da foto, vai falar muito sobre si mesmo e etc.), Mariana ainda é novata. Eles moram no mesmo bairro, em prédios um de frente para o outro (na verdade é um atrás do outro), separados apenas pela medianera de cada prédio. Eles se cruzam, mas não se encontram e começam a conversar online.

A história do filme é incrível e o final vai deixar você cheio de sorrisos, mas isso não costuma acontecer na vida real. No filme de Gustavo Taretto (spoiler do filme), os personagens acabam enfrentando alguns de seus medos e se encontram na rua, por acaso e vivem. Mas e nós? O amor verdadeiro vai nos encontrar no fim? Como diz Daniel Johnston na letra de True Love Will Find You In The End?

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Esses dias eu parei de usar todos os aplicativos (Tinder, Happn…) e pensei “e agora?”, será que espero que a história de Medianeras aconteça comigo? Será que volto para os aplicativos?

Conhecer alguém novo está a um clique, você entra no Tinder e começa. É fácil, as pessoas estão lá (dispostas ou não) e querem o mesmo que você: conhecer alguém novo, ter uma experiência nova, ter uma companhia para beber, fazer sexo ou tirar um pouco da carência. E pode acreditar você tem muitas opções. Você pode não querer sair de casa (nem eu), mas as pessoas estão lá nos aplicativos. E mesmo assim estamos solteiros, presos olhando para a nossa medianera.

Eu sempre acho que o problema nunca está no meio e sim em como lidamos com ele. No caso do filme Medianeras, a história de Martin e Mariana começa a mudar quando eles criam uma janela nova no apartamento. Eles quebram a medianera e se “encontram pela primeira vez”. Pode parecer boba essa cena (no vídeo abaixo), mas eu adoro a forma como o diretor usou isso. Ele mostrou que você precisa dar o primeiro passo, que só você pode fazer as coisas acontecerem, independente do meio que usa para se comunicar.

Acho que todo mundo deveria quebrar sua medianera interior, não só para o amor, mas para a vida.

Medianera é uma palavra em espanhol, é algo que está no meio de duas coisas. Sabe aquela parede dos prédios que não tem janela? Isso é uma Medianera.

*Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

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