/ Música

23jul

Sem prazos ou compromissos

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Anne Hathaway e Jim Sturgess em cena do filme Um Dia, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de Deadlines And Commitments, do The Killers ♫]

Quando você foi embora eu não tive reação. Não briguei, não chorei, apenas deixei uma música para você escutar. Não pedi resposta depois da indicação da música, não queria um comentário, não esperava nada. Meu único pedido era que você escutasse aquela música do The Killers que falava de uma pessoa triste.

A música não funcionava como um aviso ou um pedido de socorro. Ainda não sei se você conseguiu prestar atenção na letra enquanto dirigia por quilômetros, mas ela falava de mim, sabe? É aquela carta que eu nunca te entreguei. Aquela música que foi escrita só para aquele momento e talvez você nem tenha percebido.

A música falava por mim, cada frase havia sido escrita para aquele momento. Era tão estranho, mas casava tão bem com a sua ida. Às vezes eu penso que você só foi embora para que eu pudesse usar aquela música em algum momento da minha vida. O engraçado é que eu não pensei nela antes disso, me veio à cabeça, assim do nada e eu resolvi indicar pra você.

Sem prazos ou compromissos, esse era o tema da canção. Eu te entregava todo o restante de todo o meu sentimentalismo com aquela letra, pois nunca pediria pra você voltar, nunca diria que nessa casa tem um lugar pra você. Parece que toda a minha covardia acabava enquanto te enviava aquela música, por isso que a usei. Com ela, eu acabei entregando um dos meus bens mais preciosos: minhas lembranças.

A música não surtiu o efeito desejado, mas eu já sabia que isso aconteceria e hoje quando a escuto lembro que ela é sua, que nunca foi minha, ela sempre foi pra você. Foi escrita pra você. É como se Brandon Flowers tivesse pensado em tudo.

Anos depois de te enviar essa música, como minha última tentativa de estar com você, pensa o quanto isso foi importante pra mim. Eu acreditei que a letra de uma música pudesse te trazer de volta. Não aceitei minha derrota e pensei que essa música dizia tudo que eu queria dizer e assim não precisava falar mais nada.

I’m not talking about
Deadlines and commitments
Sold out of confusion
There is a place
Here in this house
That you can stay

E depois disso não falei mais nada. Depois dessa música nunca mais nos falamos. Olhando para trás ainda acredito que a canção disse tudo que eu queria dizer no passado. E que hoje não precisamos falar mais nada.

*Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

 

10jul

Fifth Harmony e o feminismo

Postado por às em Feminismo, Música

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Feminismo é a bola da vez, emponderar uma mulher virou moda, virou cool, demorou!

Podemos ver o posicionamento de empresas, e o novo pensamento em relação à mulher e sua representatividade, podemos ver as pessoas como um novo pensamento, com visões mais críticas quando uma publicação ou ação é machista, as pessoas estão mudando e as mulheres mais que nunca ganharam voz e no meio de tudo isso nós temos uma girl band chamada Fifth Harmony que traz em suas letras, coreografias e estilo o emponderamento feminino para um novo e maior público, os adolescentes, que acredito eu, ainda não tem o machismo completamente na mente.

A banda se declara feminista e seus dos hits BO$$ e Worht it traduzem mensagens de incentivo, colocando a mulher numa posição de poder, destaque e elevam a auto estima feminina, elas querem inspirar mulheres e meninas e mostrar que ser forte, poderosa lhes trará sucesso e que no final tudo isso é mais importante que uma competição.

“C-O-N-F-I-A-N-T-E, essa sou eu, eu sou confiante / Não quero seus elogios”.

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No clipe de Worht it as cantoras são personagens da vida real e que em sua maioria são papéis desempenhados por homens como executivos de terno, chefes com suas secretárias, cantando algo como “dê pra mim, porque eu valho a pena”

As moças foram “descobertas” em um reality show The X-factor onde ficaram em terceiro lugar e desde então vem surpreendendo o mercado pop com suas músicas e clipes poderosos e já até foram comparadas com as Spice Girls, além de claramente serem feministas e fazerem questão de deixar isso público, as gurias estão faturando uma boa grana e vêm sendo chamadas de primeira grande girl band depois dos anos 2000.

Enquanto a quantidade de celebridades que se declaram feministas ainda é baixa, fico feliz em ver novos padrões vencendo os antigos e grupos como o Fifth Harmony preocupados em mostrar que para os jovens que o feminismo não se trata de odiar o sexo oposto e sim de igualdade, elas estão preocupadas em dar um bom exemplo a milhares de pessoas, sejam fãs ou apenas pessoas impactadas por sua música.

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30jun

A incrível geração que acredita ser mais inteligente por seu gosto musical

Postado por às em Música, vida
mesmo se nada der certo filme

Mark Ruffalo e Keira Knightley em cena de “Mesmo Se Nada Der Certo”, de 2014

[Você pode ler esse post escutando qualquer música. Coloca ai a sua favorita! ♫]

Conheço muitas pessoas que não tem preconceitos com gays, negros ou moradores de rua. Pessoas que falam que não tem preconceito contra nada, pessoas que saíram gritando em suas redes sociais a pergunta “quem é Cristiano Araújo? Por que ele é tão famoso assim se eu não conhecia?“, pessoas que acham que o fã de funk ou aquele cara que gosta de pagode, ou ainda o fã de One Direction, é um alienado.

Eu gosto de todo tipo de música, ouço Ed Sheeran e Lady Gaga, Imagine Dragons e Arcade Fire, Taylor Swift e Angus and Julia Stone, escuto de tudo e não tenho problema com isso. Às vezes em casa, quando quero me animar, coloco É o Tchan para tocar e me divirto. Será que isso quer dizer que sou menos inteligente que você?

Nos tempos atuais para uma pessoa ser inteligente ela deve curtir uma banda indie neozelandesa que toque suas músicas com um único instrumento feito de uma árvore que não existe mais ou que faça clipes que ninguém entende, pois isso é ser cool.

Gostar de Backstreet Boys é errado, já parou (agora que você é adulto) e analisou as letras? É uma bobeira atrás da outra! E One Direction? Como assim você gosta deles? São umas crianças cantando sobre amor. Mas gostar de Beatles faz você ser superior. E aquele jazzinho delícia? Isso sim é coisa boa, isso sim faz de você uma pessoa evoluída. Claro que temos que excluir a Lady Gaga, pois ela é do pop e não soa bem falar que o jazz dela com o Tony Bennett é bom. Não escutaria isso nem em casa, imagina então com pessoas me observando?

Pra vocês terem ideia escutei uma pérola quando o pianista Herbie Hancock e o cantor John Mayer estavam tocando para o Ed Sheeran na 55ª edição Grammy Award. Uma pessoa disse “Como assim eles estão tocando para esse moleque?” e completou dizendo que o Ed Sheeran era um cantor pra adolescente. Mas é claro que o Radiohead, Oasis ou o Nirvana são bem melhores, mesmo sendo bandas que você gostava em sua adolescência.

Não, eu não estou comparando Ed Sheeran com Kurt Cobain, muito menos com os irmãos Gallagher. Só quero fazer uma comparação simples sobre você, sobre sua adolescência e sua inteligência.

Eu não entendo essas coisas. Não é religião, não é educação, é só música! Por que então você considera alguém inferior só por que ele não gosta de Björk e prefere Taylor Swift? Vivemos numa sociedade em que gostar do que todo mundo gosta é algo ruim, te diminui. Faz de você parte de povo.

Hoje em dia quando alguém me pergunta que tipo de música eu gosto, não sei responder. Eu gosto de tudo, até de funk. Se estou na balada e toca funk eu me divirto muito. E qual o problema?

Algumas pessoas falam que o mundo está ficando chato, pois tudo está virando preconceito, mas não é verdade? Quando as pessoas ~ que não tem preconceito com nada ~ pararem de se achar mais inteligentes pelo seu gosto musical, os chatos ~ como eu ~ podem parar de escrever sobre isso. Não é?

You say goodbye and I say hello
Hello, hello
I don’t know why you say goodbye
I say hello, hello hello
I don’t know why you say goodbye
I say hello…” – The Beatles

Let me tell you the story about the call that changed my destiny
Me and my boys went out, just to end up in mysery
I was about to go home and there she was standing in front of me
Said: Hi, I got a little place nearby
Gotta go…” – Backstreet Boys

You say, you say to everybody that you hate me
Couldn’t blame you ‘cause I know I left you all alone
Yeah, I know that I left you all alone…” – One Direction

Se eu embaralhar essas letras você, que não é fã de nenhum dos três, saberia dizer quem é quem? Não estou falando de importância para o mundo da música (não sou crítico), estou apenas tentando entender onde está a parte que deixa algumas pessoas mais inteligentes e outras mais burras.

25jun

Você poderia dar uma chance para Songs of innocence

Postado por às em Música

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Em setembro do ano passado, Bono e sua trupe lançaram Songs of innocence. O álbum da banda U2 foi disponibilizado gratuitamente no iTunes para todos os usuários, estratégia que foi adorada por uns e odiada por muitos outros. No Twitter era perceptível a raiva e o amor (mais raiva, temos que concordar) que os usuários nutriam pelos irlandeses, incluindo ainda o grupo que “não conhecia a banda”. Afinal, estamos na era do imediatismo e COMO ASSIM A APPLE COLOCA UM ÁLBUM INTEIRO NO IPHONE SEM AVISAR?


Quem me conhece sabe que tenho uma queda pelo U2, mas não estava tão empolgado e não esperava um lançamento como esse, porém fiquei feliz por poder escutar (e ter) e novo álbum da banda sem precisar desembolsar os 12 dólares.

Songs of innocence é um dos poucos álbuns que escuto sem pular alguma música. Eu pulo músicas da Lady Gaga, do Imagine Dragons e até do Arcade Fire. Essas 11 músicas são ótimas, de verdade.

Nesse novo disco, você percebe que os caras cantam sobre o passado (em “California (There Is No End to Love)” e “Song for Someone”), o presente e sobre política (em “Raised by Wolves”) em letras bem maduras. O vocal de Bono e a potência da guitarra do The Edge falando sobre o descobrimento da música é incrível, é como se eles voltassem a ser jovens em “The Miracle (of Joey Ramone)”. Eu amo essa música!

I woke up at the moment when then the miracle occurred
Heard a song that made some sense out of the world
Everything I ever lost, now has been returned
In the most beautiful sound I’d ever heard…

A frase “Tudo o que eu perdi, agora foi devolvido. No som mais bonito que eu já tinha ouvido…” pode ser uma referência aos Ramones, como se eles cantassem para eles ou como eles. Sei lá, não sou crítico de música.

A balada “The Troubles”, cantada com Lykke Li, é ao mesmo intensa e triste, é como se Bono estivesse aprendendo a lidar com seus problemas falando de si mesmo para si mesmo. A música é muito atual, me lembrou das canções de Lana Del Rey. Tanto a letra quando a sonoridade é o estilo “queria estar morta”.

“I have a will for survival
So you can hurt me and then hurt me some more
I can live with denial
But you’re not my troubles anymore”

“Songs of innocence” conta com 11 músicas e é uma ótima experiência musical. O álbum está disponível no iTunes (de graça) e vale muito a pena.
1. “The Miracle (Of Joey Ramone)”
2. “Every Breaking Wave”
3. “California (There Is No End to Love)”
4. “Song for Someone”
5. “Iris (Hold Me Close)”
6. “Volcano”
7. “Raised by Wolves”
8. “Cedarwood Road”
9. “Sleep Like a Baby Tonight”
10. “This Is Where You Can Reach Me Now”
11. “The Troubles”

Desde setembro tenho escutado o álbum, aliás ele já virou trilha sonora para um dos livros que li esse ano. Mas essa é uma história para outro post.

24jun

Medianeras, aplicativos e relacionamentos

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Filmes, Música
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Pilar López de Ayala e Javier Drolas em cena de Medianeras, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de True Love Will Find You In The End, do Daniel Johnston ♫]

Já conversei com vocês aqui no blog sobre o famoso (ou nem tanto) segundo encontro, que às vezes nem acontece, e também sobre como lidamos com nossos relacionamentos (bem no estilo “metade cheio ou metade vazio?”), mas agora queria falar sobre um assunto que todo mundo tem medo de botar na mesa, ou no blog.

Acho que a internet é um meio de comunicação incrível. Eu posso estar longe de você, mas consigo me sentir perto, pois estou a um clique de te enviar uma mensagem, uma foto, um vídeo ou um áudio. É pratico, é fácil e funciona bem para a nossa geração. Mas e quando atrapalha? Quando você coloca todas suas fichas nas interações online e esquece o resto?

Sempre que penso nisso eu me lembro de um dos filmes que estão no meu coração, o argentino Medianeras. Ele conta a história de Martin e Mariana, ele é um designer que trabalha em casa e leva uma vida bem passiva, já ela é uma arquiteta frustrada e com problemas de relacionamento. Enquanto os dois levam suas vidas, com problemas de pessoas normais, usam a internet para se relacionar.

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Agora você me pergunta “qual o problema em usar a internet para se relacionar?” e eu te respondo “nenhum”, pois Martin e Mariana ainda saem na rua, bebem, vão a bares e etc., mas seus encontros estão vinculados aos chats online. Enquanto Martin sabe muito bem como funciona esse mundo (a pessoa é diferente da foto, vai falar muito sobre si mesmo e etc.), Mariana ainda é novata. Eles moram no mesmo bairro, em prédios um de frente para o outro (na verdade é um atrás do outro), separados apenas pela medianera de cada prédio. Eles se cruzam, mas não se encontram e começam a conversar online.

A história do filme é incrível e o final vai deixar você cheio de sorrisos, mas isso não costuma acontecer na vida real. No filme de Gustavo Taretto (spoiler do filme), os personagens acabam enfrentando alguns de seus medos e se encontram na rua, por acaso e vivem. Mas e nós? O amor verdadeiro vai nos encontrar no fim? Como diz Daniel Johnston na letra de True Love Will Find You In The End?

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Esses dias eu parei de usar todos os aplicativos (Tinder, Happn…) e pensei “e agora?”, será que espero que a história de Medianeras aconteça comigo? Será que volto para os aplicativos?

Conhecer alguém novo está a um clique, você entra no Tinder e começa. É fácil, as pessoas estão lá (dispostas ou não) e querem o mesmo que você: conhecer alguém novo, ter uma experiência nova, ter uma companhia para beber, fazer sexo ou tirar um pouco da carência. E pode acreditar você tem muitas opções. Você pode não querer sair de casa (nem eu), mas as pessoas estão lá nos aplicativos. E mesmo assim estamos solteiros, presos olhando para a nossa medianera.

Eu sempre acho que o problema nunca está no meio e sim em como lidamos com ele. No caso do filme Medianeras, a história de Martin e Mariana começa a mudar quando eles criam uma janela nova no apartamento. Eles quebram a medianera e se “encontram pela primeira vez”. Pode parecer boba essa cena (no vídeo abaixo), mas eu adoro a forma como o diretor usou isso. Ele mostrou que você precisa dar o primeiro passo, que só você pode fazer as coisas acontecerem, independente do meio que usa para se comunicar.

Acho que todo mundo deveria quebrar sua medianera interior, não só para o amor, mas para a vida.

Medianera é uma palavra em espanhol, é algo que está no meio de duas coisas. Sabe aquela parede dos prédios que não tem janela? Isso é uma Medianera.

*Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

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