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18jun

Como organizar sua primeira viagem para a Europa

Postado por às em Dinheiro, Viagem

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Eu sempre quis viajar, passei alguns anos só pensando como seria conhecer Barcelona, Paris ou Roma e achava que viajar era muito caro, até que um dia (em 2012) decidi que faria um curso de espanhol na Espanha e passaria alguns dias em Paris. Sim, me joguei.

Na verdade o curso era só um pretexto para passar mais dias viajando, eu não queria sair do Brasil para a Europa pela primeira vez e ficar 10 dias, então comecei a pesquisar preço de tudo. Desde o curso, até preço de comida e bebida para saber qual seria o ticket médio diário daquela viagem.

Nessas pesquisas descobri que Barcelona é uma cidade mais barata que Madrid. O curso de espanhol era mais barato, o aluguel do apartamento e até a comida saia mais em conta, mas mesmo assim meu desejo pro Madrid era intenso, eu queria conhecer aquela cidade.

Até então eu ficaria 28 dias viajando, mas aconteceu algo inesperado e eu sai do meu trabalho. Foi ai que pensei “essa é a oportunidade para fazer algo maior” e comecei a pesquisar mais e mais até conseguir fechar um roteiro que me animou. Fechei uma semana em Madrid, cinco semanas em Barcelona (lá eu faria o curso), uma semana em Paris, cinco dias em Roma, mais dois dias em Paris e depois mais dois dias em Madrid. Quase um mochilão né?

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Eu em frente ao Orloj, o relógio astronômico medieval de Praga, capital da República Checa (2014).

Essa parte que você me pergunta “Jader, como você fez tudo isso e não gastou horrores de dinheiros?” e eu respondo com facilidade “eu pesquisei”. Sério, eu pesquisei tudo. Desde o hostel que eu ficaria até as coisas que eu compraria, pois passar 60 dias viajando por aí requer um planejamento. Esse que vou compartilhar com vocês agora.

Primeiro: você precisa decidir seu destino
O legal de viajar para a Europa é que o visto é válido para todos os países da União Europeia e por isso você pode ir de Barcelona à Paris em 8 horas (isso mesmo, de trem!). Agora que você já escolheu seus destinos, deve escolher quantos dias vai passar em cada lugar. Sugiro que não seja menos que três dias, pois sua viagem ficará cansativa e muito corrida. É sua primeira vez naquele lugar, escolha ao menos cinco dias em cada! Fechou quais países ou cidades vai passar e quantos dias vai ficar? Então podemos pular para o próximo passo.

Segundo: você precisa fechar a passagem de avião
Uma das coisas que mais me surpreendi quando viajei pela primeira foi o preço da passagem. Ela é o mais caro da sua viagem. Para você ter uma ideia as diárias no hotel não custaram tanto quanto o valor que paguei pela passagem e isso foi bom, pois ela não foi tão cara. O ideal é você fechar isso com antecedência de pelo menos 1 mês antes da sua partida. E pensar direitinho na ida e na volta. Se você vai desembarcar em Barcelona, ir para Paris, Roma e depois Athenas de onde partirá seu voo de volta? Na minha primeira viagem eu fiz toda a volta na Europa para pegar o avião na mesma cidade que cheguei, mas aproveitei para passar mais dias nas cidades e curtir o final da viagem. Mas minha segunda viagem, eu fiz o mais cômodo. Comprei passagem de ida para Barcelona a acabei voltando de Praga, foi mais caro? Foi sim, mas foi mais cômodo, não teve correria na volta.

Terceiro: vamos reservar os hotéis?
Na minha primeira viagem fiz um mashup total de opções de lugares para ficar. Fiquei em hostel que custou 10 euros a diária (e era ótimo, com wifi e café da manhã), fiquei num apartamento com outros três estudantes, fiquei num loft alugado pelo AirBnb e também em hotel. Para decidir isso fiz muita pesquisa. Em Barcelona (que passei mais tempo) eu precisava de uma casa, um lugar onde eu poderia dormir, comer, lavar roupa e etc. Por isso a decisão foi fácil, aluguei um apartamento pela escola que fechei o curso. Ficava mais barato, pois eu dividia a casa com mais três outros estudantes (uma brasileira que virou minha amiga, um russo meio estranho e uma russa que falava espanhol melhor que eu). Os hotéis eu reservei pelo Booking.com e foi uma das melhores coisas. Você consegue pesquisar por preço, por localidade e consegue lugares muito legais (perto do metrô) por preços muito bacanas. Como eu disse, cheguei a pagar 10 euros na diária. Eu indico muito o Booking, uso em todas as viagens (até nas nacionais).

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Euzinho dentro do Coliseu de Roma, na Itália (2012).

Quarto: O que você vai visitar no país?
Essa é a hora mais gostosa, pois você já fechou o roteiro, passagens de avião e também os hotéis e agora precisa decidir os lugares que você vai. Mas fique tranquilo, essa parte é fácil. Você vai jogar no Google e aparecerão milhares de blogs com roteiros legais (alguns nem tanto) para o que fazer nos países. Também você já terá uma mínima noção do quer ver. Mas é muito divertido colocar tudo no papel (ou no bloco de notas) o seu roteiro de viagem. E depois é só aproveitar os lugares lindos e as incríveis experiências que uma viagem para a Europa pode te proporcionar. E lembre-se de aproveitar para ver dois pontos turísticos próximos no mesmo dia (assim você economiza também e dinheiro) e também de tirar um tempo para um descanso entre bater perna de manhã e a tarde e sair de balada a noite.

Quinto: Quanto dinheiro você precisa levar?
Você não precisa ser um matemático para saber que vai passar X dias e precisa de X dinheiros por dia para comer, beber, visitar os pontos turísticos e comprar presentinhos pra quem ficou no Brasil. Eu, como tenho uma família grande e amigos muito queridos, tenho que separar aquela grana para presentear todo mundo. Então, já viu né?
Comer na Europa não é caro, claro que às vezes a gente pode dar aquele presentinho gastronômico para nós mesmos e passar naquele restaurante caro para conhecer ou experimentar. Mas a minha ideia na primeira viagem que fiz para Europa era: 50 euros por dia para comer, beber e visitar os pontos turísticos. Você consegue? Sim, consegue! Porém às vezes você pode gastar muito mais num dia e em outros dias muito menos, mas isso é uma questão de foco. Em alguns dias em que o passeio era a praia de Barcelona eu aproveitei para comer em um lugar mais legal, pois o ponto que visitei não era pago, já no dia em que assisti um jogo do Barcelona (ingresso para jogos são caros lá na Europa) eu aproveitei para gastar menos na comida e bebida.

Eu não nasci em berço de ouro, por isso faço muita pesquisa antes de fechar minha viagem e decido até quanto dinheiro vou levar por dia e quanto do cartão de crédito que usarei. Isso é bem importante, pois não podemos voltar cheios de dividas, não é?

E se eu puder dar mais uma dica pra você essa dica é: viaje muito! Não existe algo mais enriquecedor do que ir onde você nunca foi, visitar outras culturas, conhecer o Louvre, andar pelas ruas do bairro gótico de Barcelona e beber as cervejas de Praga. <3

Tem alguma dúvida? Comenta aí que eu e a Taína vamos tentar responde-las.

12jun

A insustentável beleza de Praga

Postado por às em Livros, Viagem

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Anos 60 e 70. Havia os canhões soviéticos, muita tensão política e o casal Tereza e Tomas, apaixonadas na Praga de Milan Kundera. Foi assim que conheci Praga, através das palavras do escritor e sob o olhar desses dois personagens do romance A Insustentável Leveza do Ser.

Não foi amor à primeira vista, nem amor à primeira página. A história, apesar de usar a cidade como personagem, deixa Praga de lado ao mostrar para nós que os dramas de uma vida podem ser explicados pela metáfora do peso. Como se tivéssemos um fardo nos ombros, carregamos esse fardo, que suportamos ou não, lutamos com ele, perdemos ou ganhamos e quando não o temos, também carregamos o mesmo fardo.

milan

Mas vou falar da cidade e não do livro.

Vou confessar que ao chegar a Praga senti medo e excitação. Eu já tinha visitado Paris, Barcelona, Roma e agora estávamos indo para Praga com um peso grande (o amor pela cidade que não conhecida). Na maioria das vezes que colocamos um valor muito alto nas coisas, ou lugares, acabamos perdendo. O que não foi o caso desse lugar.

Chegamos na cidade, era nosso último destino (ou seja, tínhamos pouca grana). Largamos as coisas no hotel e fomos procurar um lugar para comer. Não lembro o horário, mas já estava escuro (no inverno a noite começa cedo em Praga, ás 16h já era noite), mesmo assim era fácil identificar a beleza do lugar. Praga tem castelos por todo lado, construções que sobreviveram à guerras e abrigos que agora são bares e cafés.

Sem contar a cerveja…

A cerveja de Praga, como a cerveja de toda Europa, é melhor que do Brasil (aqui tem substituição da cevada por arroz e o milho, outros cereais mais baratos) mas além de melhor ela é incrivelmente barata. Na República Tcheca você bebe cervejas boas e paga pouco, sem contar que o país ainda não entrou para zona do euro, assim você pode se divertir (sem gastar muito), pois o nosso real não é desvalorizado naquele país. Então vocês podem imaginar como aproveitei pouco né? rs Um dos lugares, acredito eu, que exprime toda a beleza de Praga é a ponte Charles, que foi construída na época gótica (século 14). Quem me apresentou a ponte também foi Milan Kundera e esse foi o primeiro ponto que visitamos durante o dia, estava tanto frio que quase cortava nossa pele, mas não conseguia nossos sorrisos. O lugar parece, ao mesmo tempo, guardar segredos, amores e dores e eu ficava a todo o momento querendo descobrir todos.

“Chegou a ponte Charles. A fileira dupla de estátuas acima da água convidava-o a passar para outra margem…”, assim conhecemos a Xavier e a ponte Charles em “A vida está em outro lugar”. Essa história se passa em Praga, na época de mudanças, onde os jovens estão começando a ganhar voz e sair às ruas, como aconteceu por aqui em 2013. O legal dos livros de Kundera é que Praga é tão bem descrita que é quase um personagem, tanto quanto Jaromil, Tereza e Tomas.

E isso acontece quando estamos na cidade, ela se torna um personagem da nossa viagem e participa dela.

Praga não é como Paris, que tem seu símbolo intocável, Praga é seu brother, sua parceira. Aquela amiga que te faz sorrir e te leva para todo canto… Praga é revolucionária, triste e bela, insustentável e te marca tal como os livros de Milan Kundera.

28mai

Alguém precisa falar a verdade sobre o relógio astronômico de Praga

Postado por às em Viagem

relogio astronomico de praga

Quando se decide um destino, pesquisar sobre a história do local, a cultura e os pontos turísticos mais famosos é item fundamental no planejamento. Eu por exemplo, gosto de ler blogs, gosto de saber de pessoa para pessoa a verdade sobre o local, mas se você viaja relativamente com certa frequência, irá concordar com o fato de que muitos locais são overrated.

Ano passado o destino de uma das minhas trips foi Praga, pausa para dizer que a cidade é incrivelmente bela, sensacional e todos adjetivos positivos que você possa imaginar. Se você quer um lugar na Europa um pouco fora do circuito, essa cidade é Praga.

Durante as pesquisas, listamos os pontos tem-que-ir e a partir daí seguíamos ou não nosso roteiro, sempre com uma meta na cabeça e tal, mas esse post aqui é para ser uma utilidade pública e dizer coisas que as pessoas não dizem, então, caso pesquise sobre Praga, o Relógio Astronômico Orloj vai aparecer como uma das principais atrações.

Basicamente ele é o um dos relógios astronômicos mais velhos do mundo, existe desde 1400 e mostra a cada hora esculturas começam a se mover no relógio. A morte segura uma ampulheta e mais outras três esculturas representam avareza, vaidade e o prazer. Mais outras 12 figuras representam os apóstolos. Um galo dourado bate as asas e o sino toca.

praga relogio orloj

É lindo, a construção, arquitetura, fica no meio da praça, é sensacional, mas alguém precisa dizer que esse “show” que acontece vai te deixar meio desapontada, ou eu que criei expectativas demais, a “apresentação” durou sei lá, alguns 2 minutos e puf! Cabou! Se você não prestar muita atenção nem entende muito bem o que rola, e pra ser bem sincera nem é tão legal assim.

Considerando Praga como um todo, isso é apenas um mero detalhe, a cidade é muito bonita, no entanto, eu gosto de relatos verídicos e acho-os até mais instigantes, por que se fosse eu que tivesse lido este texto, eu iria lá ver com meus olhos e depois comentar.

Se você já foi no Orloj, concorda, discorda? Diz ai!

dupla

26mai

Por que não entrar na Sagrada Família

Postado por às em Viagem

Sagrada-Familia-Barcelona-SpainA não ser que você seja uma pessoa extremamente religiosa, visitar o famoso Templo da Sagrada Família por dentro não é tão legal quanto observar de fora a imensidão da obra e todos os seus detalhes.

Vou te poupar de falar sobre a história do monumento, já que provavelmente você já deve ter feito isso, vou me ater aos detalhes que as pessoas não dão.

Primeira coisa: compre seu tícket pela internet, às vezes (sempre) tem fila e por sorte não, quando eu fui, estava tranquila a pequena fila, mas quem gosta de perder tempo? Vão te perguntar se queres entrar ou não na igreja, se sim, este preço é um pouco mais caro (14 euros contra 11 sem entrar). Compramos com direito a entrar, se arrependimento matasse…

Toda a construção do templo é sensacional, me faltam palavras para descrever o quão boba eu fiquei ao ver a obra de Gaudí. Com imagens que representam o catolicismo e sua história, mesmo não tendo religião, não há como não se encantar com tão bela obra.

Depois de várias fotos turistão e mais um sem número de selfies, resolvemos entrar e ver o que nos esperava… uma igreja. Pois é, a arquitetura lá dentro é mais clean, mais cara de igreja, com destaque para os vitrais super coloridos que dão uns bons efeitos nas fotos, chamei de luz divina. Um grande painel com o pai nosso em alto relevo e uma placa moderna.

sagrada familia imagem

sagrada familia -dentro

sagrada familia luz

Eu não sou religiosa, busco sempre a beleza, a história e arquitetura dos lugares que conheço, com base nisso, eu não achei tão interessante assim entrar na igreja, isso já me aconteceu também com a Sacré-creur em Paris, mas isso eu  conto numa outra vez.

Pra finalizar, uma coisa importante, gosto é gosto né?

No meio do caminho tinha uma bolha.

Uma foto publicada por Taína Sena (@tainasena) em

26mai

Qual o problema em ser turista?

Postado por às em Viagem

blog_turistaDepois de ler muitos artigos para a minha última viagem, cheguei bufando no whatsapp e comentei com o Jader não pela primeira vez, mas certamente muitas: Qual o problema de ser turista? Existe hoje um movimento anti-turista, se é que eu posso chamar assim, onde as pessoas escrevem textos, dicas e conversam sobre como elas querem viver uma vida local quando viajam, que querem conhecer lugares off topic, mas eu me pergunto, por que raios?

Entendo este comportamento quando você já viajou para o país e conheceu o básico e quer ter novas experiências, ou mesmo já fez isso durante a viagem, mas está ai você, se preparando para a primeira viagem da sua vida e solta comentários sobre quão idiotas são os turistas, quão esperto é você que vai tentar ser um local onde na verdade você mal conhece e não terá verdadeiramente tempo para isso.

turistas-japoneses

Outra coisa, por que esse desprezo pelos pontos turísticos e pela imagem do turista? Uma indústria que movimenta grandes cifras, lugares que representam a história viva e a imensidão da criatividade humana e da natureza não podem ser vítimas de tão estúpido preconceito.

Qual o problema em se perder ao olhar um mapa? Ao tirar foto turistão na frente da torre Eiffel? Ah gente! Me poupe desse hipsterismo ridículo e bora viver as maravilhas de se embasbacar ao ver a sensacional Sagrada Família ou se entregar a beleza de qualquer monumento histórico.

Aloka!

Uma foto publicada por Taína Sena (@tainasena) em

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