10nov

Sobre aquele amor instantâneo

Kate-Winslet-Leonardo-Caprio-Titanic

Kate Winslet e Leonardo DiCaprio em cena de Titanic, de 1997.

[Você pode ler esse texto ao som de Song of Someone, do U2 ♫]

Às vezes numa viagem ou naquele dia atípico conhecemos alguém que nos faz rir e nos faz bem. Aquele tipo de pessoa que você pensa que traria pra sua vida, mas sabe que não poderia. A distância, as diferenças e o acaso não deixariam. É como a história do filme Encontros e Desencontros, você encontra a pessoa e ela te encontra, mas vocês dois não ficarão juntos. Entende?

Eu já passei por isso algumas vezes e, preciso confessar, não sei lidar muito bem com a situação. Sou mais imperfeito que um personagem de filme, além do mais sou muito teimoso e acredito que as coisas podem sempre acabar acontecendo, mesmo quando as chances são mínimas. Eu, pelo menos, tento né?

Quando conheço uma pessoa que me faz ficar bem, penso na hora que gostaria que ela fizesse parte do meu dia a dia, só que não levo em consideração que essa minha rotina é diferente daquela que levei enquanto conhecia a pessoa, eu estava em outra sintonia, era outro. E mesmo assim penso que poderia acontecer algo mais do que bons momentos vindo de um amor instantâneo. Acredito que não estou sozinho nessa, algum de vocês deve pensar igual a mim e acreditar que as coisas podem acontecer mesmo que por acaso.

Já contei algumas vezes aqui no blog que sou pouco racional, minhas ações são movidas pelo sentimento. Isso, às vezes, me faz quebrar a cara e me leva a lugares que me arrependo, mas esse sou eu. Vou aprendendo com meus erros e tentando fazer com que os acertos sejam bons das próximas vezes. E a minha parte que acredita que um amor instantâneo pode ser um amor de verdade é meu lado romântico. Parece que eu gosto do impossível, de viver o sentimento na cabeça, de pensar em como seria de as coisas acontecessem da maneira x ou y e imaginar tudo isso. Louco, não?

jump

Será que se eles se encontrassem em outra ocasião, pulariam de novo?

Acredito que grande parte disso, desse meu imaginário, me ajuda a escrever aqui e isso é bom. Eu aprendi a lidar com o Jader que sonha com o que poderia acontecer e dorme pensando naquele amor instantâneo, se perguntando como seria caso as coisas fossem diferentes e se repetissem.

Ao mesmo tempo em que o cara que acredita que “as coisas poderiam acontecer novamente”, aqui fala o moço que pensa que a mesma situação não acontece duas vezes no mesmo lugar. É como na trilogia dos filmes “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr-do-Sol” e “Antes da Meia-Noite”, a gente percebe o quanto os personagens de Ethan Hawke e Julie Delpy são diferentes nas três histórias, o quanto os dois mudaram e o quanto as situações são diferentes. Na nossa vida também é assim, infelizmente.

Eu tento congelar o tempo, guardando pensamentos bons e acabo ficando parado, pensando em tudo que poderia acontecer caso acontecesse, caso a situação fosse outra, caso os dois estivessem dispostos. É o pior é que sempre estou disposto, mesmo sabendo que não estou. Acabo mentindo pra mim mesmo e depois acordo e sigo com a vida.

  • Henrique Gomes

    Belo, belo. Eu tenho também disso, mas me contento em saber que eu levarei a pessoa e a situação pra sempre comigo, numa partícula em mim. Ou também porque tenha igual apreço pelo amor e pela paixão, reconheço a necessidade e o papel dos dois, não sei, não tenho muito o que falar.

    Excelente texto, obrigado por ele e obrigado, Jardinho. :)

  • Henrique Gomes

    Isso também se explica naquele meu soneto que te mostrei e que vou tentar explicar objetivamente.

    existe alguma coisa irracional
    que me palpita ao ver completo oposto,
    que ao observá-lo me dispara a alma
    em direção a um refratado fosco;
    se a refração fosse reflexo avulso
    de uma partícula escondida há tempos
    que de mim se soltasse num mar turvo
    e se turvasse em mim, no que não lembro,
    mas sei que está marcada em minha carne
    e que a carne só pode ser sentida
    como um verso que fosse escrito a esmalte
    que num toque a outro corpo se assimila;
    como um aborto que esticasse sempre
    a sobrevida do meu próprio ventre.

    Soneto é de outubro agora, foi pro meu primeiro amor (2011), Daniele, pois embora tenhamos uma boa relação hoje, nos vemos pouco, e as duas vezes seguidas que nos vimos foi na integração de ônibus, uma vez ela vinha da noitada bêbada e eu de um madrugão de rpg, na outra ela vinha de um show e eu… do rpg, um troço bem Eduardo e Mônica até, por isso a figura do “completo oposto” que palpita o meu espírito ainda, mas quando minha visão é lançada a ela, é desviada prum outro troço que não está senão em mim e que depois eu percebo que está como base do no meu próprio inconsciente, no fosco avulso perdido no mar turvo, etc.

    Ela não só fez parte da minha vida como, depois do que tivemos, ela faz parte do meu próprio espírito, por isso no 3° quarteto já começo a aceitar a beleza que tivemos e fizemos, pois se não fosse o que tivemos eu seria um outro menos, como posso dizer, menos profundo, menos enriquecido por tudo, de modo que tenho tudo hoje para ter um troço tão ou até mais bonito quanto.

    Ao ponto que o último quarteto descamba no dístico final que é forte mas que é confortador. Por que a figura do aborto? Porque, como você disse com outras palavras, não tivemos tudo o que poderíamos, tudo o que poderia ser e não foi, para então voltar à ideia anterior, pois a morte daquele relacionamento me fez ressuscitar para outros, que todo aquele troço que tivemos fez em mim e por mim uma existência além da morte.

    No final ele fala sempre da mesma coisa: o que tivemos pode morrer, mas vai existir além da morte naquilo tudo o que foi e naquilo tudo o que somos.

Plugin creado por AcIDc00L: noticias juegos
Plugin Modo Mantenimiento patrocinado por: seo valencia