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18ago

Somos melhores como amigos

Postado por às em a vida como ela é, Amizade, Amor
simplesmente-amor-filme

Keira Knightley e Andrew Lincoln em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003

[Você pode ler esse texto ao som de “High Hopes“, do Kodaline ♫]

Faz muito tempo que a gente se conhece, nos entendemos muito bem e sempre tentamos passar disso. A gente se gosta né? E quando nos encontramos o sorriso que você dá é tão lindo que eu volto aos meus 14 anos e penso como seria estar com você sempre. Nós encontramos poucas vezes desde a primeira vez, mas parece que foram tantas.

Eu sei tudo sobre você e sempre conto tudo que acontece na minha vida. Te falo sobre o trabalho, sobre os amigos, sobre meus encontros e minhas paixões e você descreve tudo que vem aprendendo com a vida e como está lidando com as paixões.

Apesar de não esconder o jogo um do outro, nós dois ficamos morrendo de ciúmes, mas nunca admitimos isso, não é? É como se essa amizade fosse mais séria, como se eu fosse só seu e você fosse apenas meu. O estranho disso é que nunca iremos concordar com isso, a única coisa que concordamos é que temos muito tempo pela frente e que nos gostamos.

Ao mesmo tempo em que é fácil lidar com você e com esse sentimento, é estranho saber que não somos nada, que nunca seremos mais que bons amigos (talvez possamos ser, mas seria tão complicado). Por que eu tenho essa mania de possuir, de querer ter algo só pra mim e você não faz ideia do que quer da vida. Acho que são essas diferenças que nos unem. Talvez seja isso, tenho tantos amigos que são diferentes de mim e talvez você seja mais um deles.

Eu sinto saudade desse lado, você sente saudade do outro, mas isso é tão normal numa relação entre amigos. Quanto mais penso em tudo que temos e que tivemos, penso que cada vez mais o que sobra é a amizade.

Talvez eu não seja o grande amor da sua vida e nem você o meu, mas essa conexão que temos é algo tão bonito que gostaria de levar para a vida toda. Não precisamos ser amantes para sempre, nem às vezes. Acredito que podemos simplesmente ficar como estamos, pois somos tão bons como amigos.

Mesmo não tendo certeza de como será minha reação (ou a sua) quando estivermos em outra, acho que podemos ir apostando nisso aos poucos. Apostando que nossa amizade pode ser maior que esse outro sentimento. E se for preciso guardar isso para continuarmos bem, eu farei.

Afinal, somos melhores como amigos.

29jul

O que eu aprendi com as mudanças

(l-r) Greta Gerwig & Mickey Sumner playfighting in "Frances Ha." ©Pine District, LLC.

Greta Gerwig e Mickey Summer em cena do filme Frances Ha, de 2012

[Você pode ler essa texto ao som de Change, música de
Angus and Julia Stone ♫]

Às vezes eu olho pra trás e vejo que esse ou aquele amigo está com uma vida muito diferente da que tínhamos antes. Eles fizeram outras escolhas e agora vivem em outro mundo, fazem outras coisas e estão completamente diferentes de mim. A mesma coisa acontece com aquele meu ex-namorado, ou aquele cara que tinha tudo pra estar na minha vida agora. O fato é que as pessoas mudam, até nós mesmos estamos mudando o tempo todo e temos que aprender a lidar com isso.

Faça um teste agora, olhe para seus amigos mais próximos nos últimos anos e veja o quanto eles mudaram, onde eles estão e como vivem. Viu? É estranho né? Alguns mudaram para melhor, outros mudaram para uma pessoa completamente diferente daquela que você conhecia e tem aqueles que conseguiram nos decepcionar.

Às vezes você pensa que algumas mudanças foram para pior, mas isso é apenas uma questão de ponto de vista, simplesmente aquela mudança foi diferente da sua e por isso você não consegue lidar mais com aquela pessoa e ai vocês deixam de ser amigos. Mas isso não é ruim. Sua perspectiva mudou e você agora é uma pessoa diferente daquela lá atrás, por isso nada é mais justo que você ser sincero, principalmente com você mesmo, e passar um tempo com pessoas que te dão prazer, que acompanham sua vida e suas mudanças.

Romper com aquele amigo ou aquele ex-namorado não é ruim. Seria ruim se você tentasse de qualquer jeito fazer parte da vida daquela pessoa, sendo que não existe mais aquele espaço. Você não pertence ao mundo dela e vice versa. Acho que a palavra certa não seria “pertencer”, é complicado, mas o que estou tentando dizer é que as coisas tem um prazo de validade. É como se fosse um roteiro de um filme, tem os créditos inicias, começa a história (que nem sempre é tão empolgante no começo), aí chega o meio e vem aquele clímax, depois o desfecho e os créditos finais. Aquilo foi bom o quanto durou, vocês foram felizes juntos e o melhor de tudo é que vocês podem olhar para trás e ver essa história, pois se continuassem tentando construir um novo relacionamento, poderia não dar tão certo. Seguir em frente é muito bom.

Eu aprendi nesses últimos anos que adoro mudanças, seja em qualquer parte da minha vida. Aprendi à aceita-las como fases daquele roteiro que é a minha vida e me divirto com isso. Há quatro anos fiz uma grande mudança, parti para uma viagem de sessenta dias na Europa, sozinho mesmo. Isso foi uma das coisas mais incríveis que fiz por mim mesmo. E ai, há dois anos eu sai da casa dos meus pais e aluguei um apartamento com dois amigos, isso foi outra grande mudança e eu adorei!

A mensagem que eu quero deixar aqui pra vocês é: aceitem as mudanças, é mais fácil sorrir pra elas do que ignora-las.

21jul

De tanto se desapegar, ele ficou sozinho

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Guillaume Canet e Keira Knightley em cena do filme Apenas uma Noite, 2012

[Você pode ler esse texto ao som de First of the Gang to Die, do Morrissey ♫]

Ele era assim, nunca precisava de ninguém e nunca contava com os outros. Era muito independente e fazia tudo que queria na hora que desejasse. Ninguém que entrou em sua vida conseguiu fazer com que se apegasse e se apaixonasse. Ninguém nunca conseguiu que ele ficasse.

Ele tinha vários relacionamentos, conhecia todo mundo e era sempre rodeado de amigos, mas sempre foi muito autossuficiente, sabe? Pra ele tanto faz se você estava junto ou não. O que realmente importava era si próprio.

Todos achavam incrível essa capacidade dele de ser feliz sozinho, era lindo aos olhos de todos. Ele tinha namorados e namoradas, ficantes e casos, ele tinha todos e ao mesmo tempo não tinha nada, era assim que vivia esse rapaz.

Sua capacidade de desapego era tanta que a fama foi crescendo e assim foi ele foi conhecido. Os rapazes e as garotas com quem ele ficava se empolgavam com aquele jeito. E era essa sua maior arma de sedução, o desapego.

Ele sempre foi muito sincero, não queria nada demais, o que importava era seu amor próprio. Para ele, aquela felicidade instantânea e aquele desejo de ser feliz em todos os diferentes momentos eram incríveis, nada conseguiria pagar. Ele era fugaz, audaz, ele era completamente líquido.

Um dia o nosso incrível rapaz pegou seu celular e rolou os contatos pelo Whatssap, viu tanta gente e ao mesmo tempo não viu nada. Viu memórias perdidas que nunca foram fotografadas, viu que toda sua vida parecida ter sido roubada.

Ele conhecia tanta gente e ao mesmo tempo não conhecia ninguém. Ele tinha 300 desconhecidos entre os contatos de celular e 700 amigos que não conhecia no Facebook, mas que davam like em tudo que ele postava.

Ele compartilhava muita coisa com muita gente e ao mesmo tempo não compartilhava nada.

02jul

Você reclama que está sozinho, mas isso é o que mais quer

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Julia Roberts e Jude Law em cena do filme Closer, de 2004

Na semana passada eu escrevi aqui no blog, pegando o filme Medianeras como exemplo, sobre como usamos a internet para nos relacionar (veja aqui) e como falhamos em quebrar nossas próprias medianeras e viver sem elas. E hoje estava no Twitter e vi uma frase famosa: “frio e cobertor, só falta o mozão“, que poderia se trocada facilmente por “calor e cerveja, só falta a companhia“, se estivéssemos no verão. Eu nunca cheguei a postar coisas assim, não por que nunca estive carente e sim por não querer tornar público a minha carência. Nesse ponto gosto de ser mais reservado, faz parte do meu jeitinho.

Se você olhar para o seu grupo de amigos, verá que vários deles querem um “mozão”, uma companhia para beber cerveja, alguém para preparar um almoço ou uma pessoa legal para dividir a conta num jantar. Pergunta aí para a pessoa do seu lado. Ela quer? Eu acho você também quer. Eu quero! E aquela pessoa que senta ao meu lado no trabalho também. Um amigo meu quer, mas ao mesmo tempo ele quer ser livre, não quer um compromisso.

O ser humano é um animal tão sem sorte que consegue querer, ao mesmo tempo, duas coisas completamente distintas. Ele quer estar junto e quer ser livre. Quer ter uma companhia e não quer ter um compromisso. E esse medo do compromisso faz com que a gente (eu também, tá?) fuja daquela pessoa que possa querer algo sério.

Esses dias escutei de uma pessoa uma frase que me deixou bastante pensativo, a frase foi: “Sempre que vejo que vou me apaixonar por alguém, eu vou embora. Não consigo lidar com isso“. As pessoas tem tanto medo de sofrer que acabam adiantando o sofrimento, bizarro né? A gente sofre para não sofrer e chora para não chorar. As pessoas estão fugindo com medo do amor. Como fomos chegar nesse ponto?

A Jout Jout falou sobre isso em um dos seus vídeos, eu adorei e me vi muitas vezes ali. Eu não sou (ainda) aquele cara que não tem medo. Eu ainda tenho muito medo. Imagina que eu vou colocar tempo, que é o meu maior bem, em uma pessoa que ainda me deixa com dúvidas? Eu tenho sim medo de sofrer e isso me deixa longe de relacionamentos. Isso me faz acaba-los antes mesmo de começar.

Me fala, quantos primeiros, segundos e terceiros encontros você teve que foram legais? Eu tive alguns e não deram em nada depois, em alguns eu tentei em outros não. Fiquei parado, fiquei pensando, fiquei com medo.

O fato é que nós estamos cada vez mais reclamando de passar frio sozinho ou de não ter ninguém para dividir a cerveja no calor e não estamos fazendo nada para isso mudar, pois queremos nossa liberdade. Foda né?

Será que a liberdade pode existir quando estamos juntos? Ou ainda, o medo deixará de nos atrapalhar? Isso parece tão bobo no texto, mas é tão sério na vida.

10jun

Não confunda minha bondade com fraqueza

Postado por às em Amizade, Relacionamento
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Marion Cotillard em cena do filme Até a Eternidade, de 2012

[Você pode ler esse texto ao som de FourFiveSeconds da Rihanna]

Eu sempre gostei de ser um cara legal, não ligava muito para a opinião das pessoas sobre sempre estar de bom humor e sempre querer que tudo ficasse bem. Ainda, fui por muito tempo aquele cara que ficava em cima do muro, não tomando partido em brigas ou sempre querendo que tudo ficasse bem. Um tanto politico, não é? Olha que sou taurino (teimoso demais), mas sempre me cobrei em ser uma boa pessoa.

Umas das coisas que eu dizia para mim mesmo é “nunca trate mal as pessoas, você não conhece a história delas”, então eu seguia (ou ainda sigo) assim. Sempre tratando bem todas as pessoas, até aquelas que eu não gostava. Você pode chamar isso de falsidade, mas o nome que dou é educação. Se eu não gosto de você ou não estou em um bom dia, não te tratarei mal. Se estou brigado com você e temos que fazer coisas juntos não confundirei as coisas, e se eu ficar sabendo de um meme engraçado no trabalho, e você estiver ao meu lado, vou dividir a piada como dividiria com todo mundo, faz parte de mim.

O problema de colocar o bem-estar do momento a frente de seus sentimentos é que sempre sairei como o fraco, pois nunca vou brigar com você por coisas fúteis, nunca vou tentar te roubar um amigo ou sabota-lo no trabalho, pois isso não faz parte de mim.

Isso pode ser um problema pra mim, eu poderia deixar de ser um cara bom e ser um cara normal. Ambicioso (isso eu sou), egoísta e cheio de si, só que não consigo. Ainda não. E por isso as pessoas me julgam como fraco. Elas confundem minha bondade com fraqueza.

Mas a parte ruim de tudo isso é que chega aquele ponto em que eu fico perto de enlouquecer ou enlouqueço. É nesse momento que vou te magoar, pois talvez você nem soubesse o que estava fazendo, mas eu não ligo. Pelo contrário, eu falo tudo que vem na minha cabeça. E acabamos assim: um não fazendo mais parte da vida do outro.

E eu continuo não ligando, pois vejo como se a culpa não fosse minha, como se minha bondade fosse a vitima de toda situação (e ela não sabe lidar com isso). Nesse ponto ela some e eu me transformo naquilo que sempre quis ser: eu sou o egoísta e, pode não parecer, mas consigo viver assim.

Talvez nessa parte da minha história eu tenha mudado o jogo e trocado a perspectiva de cada personagem, eu virei você (o egoísta cheio de si) e você está no meu lugar. Mas o estranho é que lido bem com isso esperando até o dia que não possa mais lidar, mas continuo fazendo as mesmas coisas.

Não sei se isso é triste, mas vou continuar sendo o personagem que queria ser. Esse é um papel que desempenho bem.

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