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13jan

A gente deveria se perdoar

Postado por às em Relacionamento
Shailene Woodley e Miles Teller em cena do filme The Spectacular Now, de 2013.

Shailene Woodley e Miles Teller em cena do filme The Spectacular Now, de 2013.

[Você pode ler esse texto ao som da música Deixa eu te Falar, do Silva.]

Eu perdoei sua falta de atenção. Lembra quando ela me tirava do sério? Eu ficava bravo e sempre brigávamos? Era uma besteirada só, briga por uma coisa tão boba. Sua falta de atenção era totalmente ligada à minha chatice, lembra como eu era chato com isso? Fazia com que a gente brigasse, claro que alguns segundos depois estávamos bem e da mesma forma que você perdoava minha chatice eu perdoava sua falta de atenção.

Um dia você falhou comigo, prometeu algo e não cumpriu, fez com que uma parte de mim ficasse triste, me fez chorar. Meses antes eu disse algo que te deixou triste, que fez com que você repensasse toda nossa relação. Essas duas falhas, vindas de ambos os lados, nos machucou e nos distanciou um pouco. Continuamos sendo esses parceiros que somos, essa dupla que dava certo, mas sem aquele amor todo. Tempo depois, a gente estava fazendo planos de novo, de ficar juntos, viajar juntos. A gente se perdoou.

E hoje, novamente, estamos naquele ponto em que precisamos perdoar e aceitar o erro do outro. Aceitar que ninguém é perfeito, que as pessoas erram e que erros acontecem. Você não consegue saber o que estou sentindo e eu não consigo entrar na sua mente para ler seus pensamentos, então estamos os dois em pontos diferentes, com pensamentos diferentes e com ideias completamente distintas. Mas ainda assim, a gente deveria se perdoar.

O perdão não seria uma questão de obrigação, daquele momento de “precisamos ficar bem”, claro que não! É mais uma questão de “por que não?”, a gente se dá tão bem juntos, essa coisa que temos, essa parceria que faz da nossa relação algo tão especial merece esse novo suspiro. Não digo que mereça uma nova chance, pois sempre merece, o que merecemos aqui é ser feliz. A gente deveria se perdoar.

É tão difícil encontrar um amor, se conectar com alguém e se sentir bem quando aquela pessoa deita em seu peito, que é bobagem perder esse tipo de toque, esse tipo de relação, esse sentimento. O amor é fácil, nós que dificultamos tudo.

22dez

Eu não preciso de você

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Natalie Portman em cena do filme Closer (2004), de Mike Nichols.

Você pode ler esse texto ao som de “Love, Love, Love“, do Of Monsters and Men. ♫

Por muito tempo achei que precisava de você, acreditei romanticamente que era você, mesmo sabendo de todas as nossas diferenças. Vi, por muito tempo, você me deixa de lado e quando eu ia embora, você voltava com medo de me perder pra sempre. Vi você sendo mais legal com todos e sendo rude comigo. Eu te observei tão de perto e cheguei à conclusão que não preciso de você.

É difícil tirar alguém da sua vida, é complicado esquecer uma pessoa e fingir que ela não existe, é cansativo, é chato, dói. Mas até quando continuaria doendo em mim enquanto te observava lidando com meu sentimento como se fosse qualquer coisa? Continuaria doendo até o momento que eu decidisse parar, decidisse tirar você daqui e deixar o espaço livre para conhecer outros lugares.

Dessa vez eu não chorei, não estou com aquela sensação que me tira a fome, mas me sinto derrotado. Não perdi para você, eu perdi para o meu sentimento, eu deixei que você ficasse indo e voltando como se a passagem da minha vida estivesse livre, como se a entrada fosse franca e você pudesse brincar à vontade. Eu perdi pra mim mesmo.

Se eu fosse analisar isso com um jogo, também teria perdido. Perdi, pois você sabe tudo que se passa na minha cabeça, você sabe tudo sobre meus sentimentos e eu não sei nada. Mais uma vez eu deixei que alguém fechado entrasse na minha vida e bagunçasse tudo. Eu falhei.

Mas como tudo é aprendizado eu coloco minhas falhas no papel e admiro-as por um segundo, depois amasso o papel e jogo fora. Sinto vergonha delas, sinto tristeza ao lembrar os meus erros, mas me sinto tão bem ao ter na minha mente a certeza de que eu não preciso de você, pois agora o desespero foi embora e deu lugar a solução.

Enquanto escrevo isso ainda penso na forma que direi que não quero mais tentar, não quero esperar e que não preciso de você. Acredito que por alguns dias vou me arrepender, mas logo passa. Uma vez passou, não lembra? Ai você voltou e tudo voltou junto, bagunçando meus sentimentos e minha vida. Mas faz parte, hoje contarei pra você que não preciso e não quero fazer parte da sua vida e que não quero que você faça parte da minha. E assim nós ficaremos felizes um dia, separados e felizes.

*Esse texto faz parte do projeto Eu, Você é Eles.

14dez

Ninguém se importa

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Eu sempre fui muito boba em relação as minhas amizades e relacionamentos, eu sempre me preocupei demais, eu sempre fui a parte que cede, que não quer brigar, mas também vi que alguns casos eu sou a parte que se importa mais, e ver isso as vezes dá uma puta dor no coração.

São pequenas coisas, como por exemplo quando você sempre espera aquela sua amiga do trabalho pra almoçar no horário que ela precisa ou pra tomar café e num outro dia você observa que ela não faz questão de esperar caso você precise mudar de horário.

Também acontece quando um amigo te convida para fazer um programa e você sempre está disponível para curtir com ele, nos termos dele, mas quando o contrário acontece, a disponibilidade não é a mesma.

Não estou falando de grandes amizades, os exemplos acima são pequenas coisas que acontecem no dia-a-dia, relacionamentos que não são tão profundos, mas que são diários, necessários. Mas isso também acontece nos relacionamentos amorosos, quantas e quantas vezes você já fez o papel da pessoa que gosta mais? Convenhamos, sempre existe esse papel e claramente é a pessoa que mais sofre, mas também a que mais vive o amor.

E quando você faz questão de mandar mensagem, de avisar quando chega, de criar planos e pensar em lugares diferentes para ir no final de semana e de estar ali sempre disponível para o namoradinho, mas na verdade, ele nem está tão ligado assim? Ou não faz tanta questão? É difícil ser essa parte, é complicado tentar entender as pessoas, mas acredito que isso é reflexo de uma alta disponibilidade que no fundo é minha culpa, talvez eu devesse ser menos tranquila e pré-disposta, mas eu não sei mudar, quando eu gosto da pessoa, seja amigo, seja um amorzinho, eu quero agradar, eu quero ajudar, as vezes não funciona, mas quem se importa?

niguem

09dez

Deixe partir quem não quer ficar

Ryan Gosling e Michelle Williams em cena de Namorados Para Sempre, de 2010.

[Você pode ler esse texto ao som da música Sufoco, do Silva ♫]

Nunca pensei que te deixaria ir, que pararia de te procurar e teria em mente que não somos mais aquela dupla, que não somos mais parceiros. Nunca pensei que mesmo apaixonado por você eu não teria poder nenhum sobre essa relação. Hoje eu não tenho você quando quero e você só aparece quando tem vontade e assim nós ficamos. Cada um do seu lado, até você chegar e querer estar perto.

Pensei muito sobre nossa relação, de idas e vindas, e enquanto escutava uma música do Silva, entendi tudo. Eu me afoguei nesse tanto querer e essa vontade louca de ter você pra mim chegou a ser maior do que eu. E agora eu não só vou deixar você partir, eu vou partir. Vou tirar você daqui para deixar espaço para novas coisas, pessoas e experiências que podem me fazer bem. O espaço que você ocupa aqui dentro estará vazio, procurando se ocupar de algo que me faça bem, ou simplesmente se ocupará dos meus pensamentos bobos e ideias malucas, mas você não estará mais lá.

Essa ideia de querer alguém que não te quer é sufocante, chata e dolorida.

Já contei aqui sobre o quanto gosto de escrever sobre o amor não correspondido, sobre o quanto esse sentimento me da inspiração para criar novos textos e o quanto gosto disso, mas as pautas sobre você acabaram, você não é mais minha inspiração. Você não é mais “você”, agora já faz parte do “eles”, pois nosso capítulo está acabando.

Eu quis tanto estar com você, fiz de tudo para que desse certo, eu fui tudo que eu poderia ser e hoje não quero ser mais nada, na verdade eu quero apenas viver, não quero ficar parado enquanto tudo se move, enquanto o mundo muda. Pois em instantes não serei o mesmo e você continuará distante de mim. E por isso não tentarei mais nada, eu não quero sua sombra nos meus próximos relacionamentos, não quero você como objeto de decoração da minha vida.

Quando chegamos ao ponto de ser completamente verdadeiros com nós mesmos conseguimos nos livrar de sentimentos, coisas e pessoas que não estão nos fazendo bem, que estão nos deixando parados no tempo. Eu acreditava que seria triste deixar de gostar de você, que seria mais ou menos como enterrar o sentimento e eu odeio partidas, mas não é. A vida vai seguir e vou me apaixonar de novo. É como diz num episódio de Grey’s Anatomy, “O carrossel nunca para de girar. O carrossel não para de girar, e nós não queremos girar, e sim, seguir em frente.“, a frase é mais ou menos assim. Hoje eu chego à conclusão que precisamos seguir em frente, deixar o carrossel girando e não olhar pra trás.

25nov

O desesperado e o disposto

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laviedadele07

Adèle Exarchopoulos em cena do filme Azul é a Cor Mais Quente, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Flesh And Bone, do The Killers ♫]

Entrava novamente na Starbucks pensando qual seria o nome dessa vez, não ligava para o quanto isso era estranho, já fazia parte da minha vida e aqueles atendentes bacanas já sabiam o esquema, eu falaria o nome de um deles. Se alguém me observasse poderia achar que eu já entrava naquele lugar sabendo qual nome diria, sabendo qual história lembraria e qual capítulo da minha vida tiraria das lembranças e reviveria um pouco, mas não. Na verdade eu decidia isso na hora, enquanto olhava o cardápio das bebidas quentes, pois eu já sabia qual seria meu pedido e o tempo olhando pra frente era gasto pensando em qual seria a história daquele dia.

Decidi, peguei a bebida, olhei aquele nome desenhado no copo e sai. Nessa parte do dia uma trilha sonora diferente entrava em minha cabeça, claro que o fato de eu andar sempre com fones de ouvido ajudava a entrar no clima, afinal estava revivendo histórias. A música da vez era mais animada, em sua melodia, a letra como sempre era triste (95% das minhas musicas eram assim). E lá fui eu, andando disposto a reviver uma história em que o protagonista era um deles, só que eu preferia chamá-los apenas de “você”, era mais fácil e assim não precisava dar nomes. Se até os rostos estavam saindo da minha cabeça, por que eu deveria chamar pelo nome? Eu me sentia melhor quando mentia pra mim mesmo, dizendo que poderia ter esquecido algo.

Indo a caminho do trabalho, quando comecei a entrar naquela na história escolhida. Estávamos nos dois na mesma avenida, havíamos marcado de nos encontrar por lá, mas ao mesmo tempo não era um encontro, seria algo marcado que aconteceria por acaso, seria um acaso planejado. Quando te vi, fiz minha melhor atuação, como nunca tinha visto você eu poderia fazer de conta que não te vi, enquanto esperava que desse o primeiro passo, passei por você, fingi que não te vi e você deu o primeiro passo.

Demorei trinta minutos para entender você, saber qual era a história que seus olhos queriam contar e compreendi a tamanha solidão que o acompanhava. Você era um solitário e procurava desesperadamente algo que o tirasse disso, uma mão que o puxasse pra fora desse mar de tristezas que era sua vida. E lá estava eu, imóvel, sorridente e passando por mudanças tão gostosas. Eu estava disposto e você, desesperado.

Esse desespero virou amor e me consumiu. Eu não precisava de muita coisa quando estava com você, pois você queria me dar tudo. Você estava desesperado a ser alguém para alguém e eu estava lá sendo qualquer pessoa, mas ao tempo eu era eu. Nesse tempo que passamos juntos eu não menti, não fui outra pessoa. Enquanto você era uma pessoa que não gostava de si mesmo, que sofria por suas escolhas, que escondia suas vontades. Eu demorei em perceber isso.

Em trinta minutos eu entendi você, mas demorei anos para te compreender. Você foi embora sem dizer adeus, simplesmente partiu. Eu não compreendia, até chegar à conclusão que você conseguiu ser quem queria ser, conseguiu ultrapassar aquela tristeza que estava sob seus ombros quando te conheci, você conseguiu ser a pessoa que imaginava que seria, e hoje é completamente diferente daquela que conheci e fingi não ver.

Você passou por aqui e bagunçou tudo, demorei a voltar ao normal e ser aquele de antes. Mas eu não te culpo, talvez você estivesse me preparando para eles.

*Esse texto faz parte do projeto Eu, Você e Eles.

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