/ conto de amor

12abr

Você não me escolheu

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Andrew Lincoln em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003

[Você pode ler esse texto ao som de Flesh Without Blood, da Grimes ♫]

Por muito tempo eu insisti na gente, por muitas vezes eu tentei fazer com que você sentisse o mesmo que sinto e acredito que quase chegamos lá, foi por pouco, mas você não me escolheu.

Eu não sei lidar com rejeição, na verdade eu acho que ninguém sabe. É difícil você amar alguém que não te dá isso em troca. E eu não falo de receber em troca um amor incondicional, apenas aquele amor do dia a dia, aquele carinho e atenção. Amar e não ser amado é viver sob a presença da ausência da pessoa, é complicado.

Passamos muito tempo juntos, eu te conheci e você acabou conhecendo cada detalhe meu, cada defeito e cada coisa boa, você conheceu os tons do meu sorriso e mesmo depois de tudo isso não me escolheu. Hoje você prefere ficar sozinho a ficar comigo e agora nós não somos (e não seremos mais) uma dupla.

Eu nunca vou te perguntar os seus motivos, eu não quero saber e muito menos tentar entender. Eu sei que simplesmente as pessoas não se apaixonam de volta, eu entendo que às vezes o amor acontece e às vezes não. É normal, triste, mas totalmente aceitável.

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Andrew Lincoln e Keira Knightley em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003

E eu olho pra trás e vejo situações parecidas, onde eu era o “não escolhido”, mas essas situações foram tão poucas e tão pequenas que acredito que isso não tem nenhuma ligação comigo, o problema não sou eu. Simplesmente eu não fui seu vencedor e agora devo lidar com isso.

Quando me pego pensando nas opções que tenho a partir de agora eu fico triste, pois em todas elas não existe você, a sua presença não está lá. E o pior de tudo é que isso é bom, pois levará um tempo para que eu não pense mais em você e depois tudo terá acabado. Até nossa ligação (o meu amor por você) terá chego ao fim e depois disso eu poderei me reencontrar.

Agora nada mais importa na nossa relação, pois a cada dia ela vai existir menos e vamos chegar num ponto em que não conheceremos mais um ao outro. Nós dois seremos estranhos e nesse dia eu não vou mais lembrar que você não escolheu, pois isso não terá importância pra mim.

02mar

Pra você guardei o amor

Postado por às em a vida como ela é, Amor, Música
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Ethan Hawke e Julie Delpy em cena do filme Antes da Meia-Noite, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Por Onde Andei, do Nando Reis ♫]

Sempre temos uma música para certos momentos da vida, não é? A música feliz da balada com os amigos (aquela “nossa música”), aquela canção triste da Adele que marca o fim de algo ou aquela feliz que fala com a gente e nos faz pensar em coisas boas e gostosas. Eu tenho várias músicas e o melhor disso tudo é que elas marcam momentos da minha vida, fases e sempre que as escuto volto no passado e me pego dando pequenos sorrisos.

Mas tem aquela música que é diferente, aquela que faz você ter fé no amor e na vida, que te deixa sonhando acordado e te faz corar de tanta felicidade. Bobo isso, né? Mas é tão real. Esses dias eu me peguei escutando Nando de Reis de novo, sempre vai e volta esse meu amor pelas canções desse ruivo, e me lembrei de que quando era mais jovem e escutava aquele refrão:

“Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar…” .

E pensava no amor, no meu grande amor, aquele que ainda não aconteceu, aquele que deve chegar e fazer com que tudo faça sentido. Eu era mais jovem e fantasiava isso de um modo que tão fofo, era meio bobo mas tão bonito ao mesmo tempo.

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Quando me lembrei dessa ligação que sempre fiz entre Nando Reis e amor, pensei em você. Não sei se voltei alguns anos e me peguei pensando no amor romântico como quando era mais jovem, mas eu pensei em ti. Ao mesmo tempo em que fiquei meio louco com a conclusão desse sentimento, eu sorri. Aquele moço mais jovem que sonhava em descobrir o amor que via nas letras de Nando Reis, havia descoberto esse amor fora delas.

É estranho finalmente você sentir algo que você achava que não sentiria, que você acreditava que viveria apenas no imaginário, apenas ao escutar uma música.

Tem outra música que me faz lembrar muito desse sentimento chamado amor. Tenerife Sea, do também ruivo Ed Sheeran – que já foi tema de post aqui no blog – é uma música que traduz muito bem o sentimento do amor. Tanto que já cheguei a falar que gostaria de amar alguém como amo essa música. Hoje, não sei se faria essa comparação de um sentimento com uma canção, mas ela meio que traduz o que é o amor pra mim. Tipo, aceitar as imperfeições do ser que você ama.

A loucura de tudo isso é chegar a conclusão que eu possa realmente estar sentindo aquilo que as músicas do Nando Reis me faziam acreditar que sentiria, que aquele sentimento finalmente chegou a mim. Pois se eu penso em você enquanto escuto Nando Reis, é por algum motivo.

16fev

A falta de ar

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Oscar Isaac em cena do filme Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Colour Me In, do Damien Rice ♫]

Nunca fui o tipo de cara que teve sorte ou facilidades na vida, de longe como “carente” que sou desde infância sofria demais com o favoritismo dos meus pais com o meu irmão. Tenho uma tia que se chama Hermínia, nome esse me deixa feliz só de pensar ou ouvir, pois essa tia sempre fez e faz o possível e o impossível para que eu fosse mais feliz, e sempre me salvava tentando me fazer sentir-me especial. Mas, cansado de toda indiferença dos meus pais tentei ser independente e passar o maior tempo longe de todos eles, nessa crise de carência não saciada resolvi jogar a verdade e me assumi durante uma discussão, e mais uma vez não tive acolhimento ou aconchego, sucintamente minha mãe proferiu a frase “não quero esse tipo de gente debaixo do mesmo teto que eu”, recolhido no meu eu e com ego inflamado comecei uma aventura fora de casa. Até a saída final da casa dos meus pais se passou um ano, mas por fim sai.

Fui procurar aconchego e carinho nos braços de um rapaz dois anos mais novo que me chamou pra dividir um apartamento e uma vida, tínhamos um cachorro, uma vida boa e até divertida, pelo menos nos seis primeiros meses, logo fui deixado de lado e ignorando sinais que às vezes nos negamos a ver, que me dizia que eu era opção e não uma escolha. Um dia saí do trabalho mais cedo e fui à casa de um amigo do casal (eu e meu ex), e ao chegar lá encontrei os dois dormindo abraçados. Isso mesmo, o meu ex e o “meu amigo”, nessa hora fiquei em choque sem saber o que fazer, fui tentar acordar e querer uma explicação, mas acabei agredido e com uma cicatriz no braço direito, foi quando perdi as esperanças e resolvi vir pra São Paulo de vez, cidade que era um latente em minha mente desde adolescente e mediante toda a situação resolvi ir embora de Natal o mais breve possível.

Maio de 2008, por volta das 19h eu chegava em São Paulo. Era a personificação da inocência e, com pouco tempo, acabei me iludindo por um jovem paulista e me envolvi em um relacionamento. Como sempre estava ignorando os sinais de ser uma opção e não a escolha.

Um pouco mais de 6 anos de relacionamento, morando junto e vivendo um sonho, percebi que aos poucos aquilo foi se tornou um pesadelo, cansado de tudo eu criei coragem para colocar um ponto final a pedidos abusivos, rejeições e cobranças que beiravam o absurdo, assim em dezembro de 2015 resolvo ir morar só e ver se a distância resolvia um pouco. Imaginei que a saudade poderia “temperar” esse relacionamento, mas como um temporal que do nada vira tormenta, me vi atormentado pelos mesmos fantasmas da falta de confiança, ciúmes e tudo mais que vem junto no pacote, e em janeiro decidimos colocar um ponto final em tudo.

Segui sozinho. Sem rumo e sem destino como sigo até hoje, vivendo um dia de cada vez, tentando não me iludir mais, colocando a experiência em prática sem tentar desanimar e nem cair. Mas, no final do dia quando a escuridão parece me devorar lembro-me de Hermínia e fico com um pouco da luz dela e sempre penso que no fim tudo se resolverá.

*Esse texto é um episódio de um leitor do EdH, que pediu que fosse mantido em sigilo.

12fev

Essas nossas idas e vindas

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Felicity Jones e Anton Yelchin em cena de Loucamente Apaixonados, de 2011.

[Você pode ler esse texto ao som de Half The World Away, da AURORA]

Nós tínhamos uma história, essa relação que existe de tempos em tempos nos fazia sorrir, nos deixava bem, nos preenchida um pouco e tirava aqueles sorrisos bobos em vários momentos do dia, nós estávamos escrevendo algo juntos.

O tempo foi passando e nossas diferenças foram ficando cada vez mais explicitas, mesmo assim queríamos continuar, tentamos e tentamos, pois acreditávamos que tudo isso valeria a pena um dia. Mas nossas vidas foram tomando rumos diferentes e começaram a ser preenchidas com coisas que não imaginávamos, mesmo assim continuamos tentando, daquele jeito meio sem entender o motivo, mas estávamos nós lá, não tão firmes e não tão fortes.

Muitos dias e noites sem nos ver, alguns dias sem trocar palavras de amor, sem trocar mensagens fofas, sem trocar mensagens. Passavam semanas e voltávamos a nos falar, ainda não era estranho, era confortante estar com você e falar sobre amenidades, você falava das suas músicas e eu dos meus filmes, ainda conseguíamos dividir algumas coisas.

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Até que um dia eu acordo e não penso em você. Do outro lado está você abrindo os olhos numa manhã clara pensando na vida, pensando na sua vida sem eu nela. Não que você quisesse ter me esquecido, você simplesmente esqueceu. E a mesma coisa aconteceu desse lado, eu te esqueci. Paramos de pensar um no outro, paramos de escrever aquele “bom dia” despretensioso.

Algum tempo depois, meses ou semanas não sei direito, estávamos novamente sendo o que éramos antes. Jogando conversa fora, falando de música, de filmes ou de livros. E falando de nós. Voltamos a ser o aquele dupla de sempre, pensamos no futuro e fizemos alguns planos, mas ainda vivíamos longe e isso não ajudava em nada.

Mais uma vez começamos a nos distanciar e pior que isso, nos estranhar. Ninguém tomava decisões, ambos viviam suas vidas separadas e lembravam-se do outro de vez em quando. Lembravam um do outro quando precisavam se sentir bem, quando queriam atenção, amor carinho, esperança…

Essa nossa relação não acabou e não vai acabar tão cedo, é mais ou menos um carrossel que só vai parar de girar quando um dos dois quiser descer ou quando os dois tomarem essa decisão juntos. Descer do carrossel e seguir a vida.

21jan

Eu escolhi o amor

Ben Stiller em cena do filme A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Sou desse Jeito, do Silva ♫]

Eu sou uma pessoa muito difícil, descobri isso há algum tempo enquanto relembrava os meus relacionamentos e revivia algumas coisas. Caso você procurasse a palavra “teimosia” no dicionário acharia minha foto e minha bio. Como um bom taurino eu sou ciumento e teimoso, mas, ao mesmo tempo, eu odeio dormir sem fazer as pazes, odeio dormir com um sentimento ruim sobre a pessoa que eu gosto. E como vocês devem perceber essas duas características não batem e por isso estou tentando me ajudar, mudar e melhorar um pouco esse “meu jeitinho”.

Eu poderia falar apenas “Sou desse jeito” e não mudar por nada, ou por ninguém, mas isso seria tão burro do que mudar apenas para chamar atenção de outra pessoa, ou pra fazer alguém ficar.

Eu explodi muitas vezes, várias dessas sem um motivo aparente para isso e esse meu jeito fez com que amigos, namorados e até parentes ficassem longe por algum tempo. Claro que eu também queria essa distância, eu estava bravo e fiz com que isso acontecesse, mas até quando vale a pena deixar o orgulho tomar conta de seus atos?

Hoje sou um adulto, tenho minha casa, meu trabalho e pago minhas contas. Nessa fase da vida a gente senta, repensa sobre várias coisas que aconteceram, quais dessas não devem mais acontecer e segue em frente. É isso que estou tentando fazer agora, no lugar de todo o desgaste emocional e social, eu escolhi amar. Eu preferi o amor.

Não estou falando apenas do amor romântico, estou falando de todas as formas de amar, de amar um amigo, um familiar, um colega de trabalho. É muito mais fácil você receber e pagar com amor. Não estou dizendo que estou me transformando em um cara zen ou a pessoa perfeita, só estou tentando ser aquela pessoa que quer apenas o bem, que quer colocar a cabeça no travesseiro durante noite, dormir em paz e acordar bem.

Em um dia das últimas semanas eu dormi com um sentimento ruim, não consegui resolver o problema e fui pra cama, no outro dia eu não era esse cara que estava escrevendo, eu era o desespero em pessoa. Era triste, eu era a pior companhia que alguém poderia ter e hoje não quero ser esse cara novamente. Por isso, antes mesmo de entrar numa briga, eu vou pensar dezenas de vezes e ainda assim sair dela.

Ficar bem com as pessoas que você ama significa ficar bem com você e não tem nada mais importante que isso. Nesse momento estou dando sorrisinhos com o canto da boca, enquanto escrevo esse post, pensando em como é melhor estar bem e escolher o amor.

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