/ conto de amor

26ago

Precisamos falar sobre traição

Postado por às em Amor, Relacionamento
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Clive Owen e Natalie Portman em cena de Closer, de 2004.

Você pode ler esse texto ao som de I Don’t Want To Change You, do Damien Rice.

Esses dias estava esperando o metrô e fiquei escutando a conversa de duas pessoas, o homem dizia para a mulher “terminei com ela antes que ela descobrisse que eu estava com outra, acho que foi mais fácil“, a mulher concordou e disse “sim, um dia todo mundo acaba descobrindo a verdade. O bom é que você terminou antes, ela vai sofrer mas não saberá que foi trocada“. Ao escutar essa conversa me bateu uma tristeza tão grande. Aposto que o homem terminou com a moça citada na conversa falando que “o problema não é você, sou eu” e com certeza ela ficou pensando “o que eu fiz de errado?“, pois quem fica sempre vai se perguntar isso, principalmente quem é “trocado“.

Eu já fui traído mais de uma vez, até onde sei. Aliás, eu já descobri que fui – durante quase um ano – o outro, fui o “pivô de uma traição”, sem saber e ainda acreditando que era o único. Já descobri que o cara que estava comigo deu match com um amigo meu no Tinder, e o amigo fez questão de me mostrar. Já estava jantando com um namorado enquanto ele estava respondendo alguém nesses aplicativos de paquera. Foda, né?

Traição é definitivamente uma das coisas que eu não sei lidar, não existe uma saída que te deixe bem no momento. Você pensa em tudo que poderia ter acontecido para chegar nisso, tenta entender o motivo e tenta que lidar com a vergonha que sente. Claro que a vergonha deveria ser do lado que trai, mas não é assim no mundo real. Ela fica com gente, guardada dentro de um caixinha. E às vezes nem conseguimos contar pra ninguém.

Tem algumas pessoas na minha vida que sabem de tudo, conto sempre minhas vitórias e minhas derrotas, mas nunca consegui contar algumas traições. Eu me sentia envergonhado e patético, era tão triste que não queria falar isso em voz alta. Parecia que ao externar aquela situação eu seria traído novamente e por isso fiquei quieto.

Hoje não tenho mais vergonha de falar sobre isso, principalmente por que já passou. Acredito ainda se isso acontecer novamente, eu tentarei lidar com isso de uma forma adulta, mas mesmo assim ficarei com vergonha. É complicado. É difícil você encarar que aquela pessoa que dividiu tanta coisa com você, estava fazendo isso ao mesmo tempo com outras.

O pior de tudo é que o traído, tal como o ausente (fiz um texto sobre isso aqui), é personagem que sofre, que fica, que sente vergonha e que chora. Mesmo que essa vergonha não devesse existir.

Acredito que eu, você e todos os outros deveríamos ser claros com nossos sentimentos e com todas as pessoas que nos relacionamos. Eu não sou nada careta, sei que atualmente existem várias formas de relacionamentos onde três e quatro pessoas juntas formam um “par”, mas a partir do momento que você não sabe que existe outra pessoa e você não aceita isso, as coisas complicam.

As pessoas deveriam ser mais sinceras. Só isso.

18ago

Somos melhores como amigos

Postado por às em a vida como ela é, Amizade, Amor
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Keira Knightley e Andrew Lincoln em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003

[Você pode ler esse texto ao som de “High Hopes“, do Kodaline ♫]

Faz muito tempo que a gente se conhece, nos entendemos muito bem e sempre tentamos passar disso. A gente se gosta né? E quando nos encontramos o sorriso que você dá é tão lindo que eu volto aos meus 14 anos e penso como seria estar com você sempre. Nós encontramos poucas vezes desde a primeira vez, mas parece que foram tantas.

Eu sei tudo sobre você e sempre conto tudo que acontece na minha vida. Te falo sobre o trabalho, sobre os amigos, sobre meus encontros e minhas paixões e você descreve tudo que vem aprendendo com a vida e como está lidando com as paixões.

Apesar de não esconder o jogo um do outro, nós dois ficamos morrendo de ciúmes, mas nunca admitimos isso, não é? É como se essa amizade fosse mais séria, como se eu fosse só seu e você fosse apenas meu. O estranho disso é que nunca iremos concordar com isso, a única coisa que concordamos é que temos muito tempo pela frente e que nos gostamos.

Ao mesmo tempo em que é fácil lidar com você e com esse sentimento, é estranho saber que não somos nada, que nunca seremos mais que bons amigos (talvez possamos ser, mas seria tão complicado). Por que eu tenho essa mania de possuir, de querer ter algo só pra mim e você não faz ideia do que quer da vida. Acho que são essas diferenças que nos unem. Talvez seja isso, tenho tantos amigos que são diferentes de mim e talvez você seja mais um deles.

Eu sinto saudade desse lado, você sente saudade do outro, mas isso é tão normal numa relação entre amigos. Quanto mais penso em tudo que temos e que tivemos, penso que cada vez mais o que sobra é a amizade.

Talvez eu não seja o grande amor da sua vida e nem você o meu, mas essa conexão que temos é algo tão bonito que gostaria de levar para a vida toda. Não precisamos ser amantes para sempre, nem às vezes. Acredito que podemos simplesmente ficar como estamos, pois somos tão bons como amigos.

Mesmo não tendo certeza de como será minha reação (ou a sua) quando estivermos em outra, acho que podemos ir apostando nisso aos poucos. Apostando que nossa amizade pode ser maior que esse outro sentimento. E se for preciso guardar isso para continuarmos bem, eu farei.

Afinal, somos melhores como amigos.

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