/ diferenças

13out

Cada pessoa é um capítulo

Postado por às em Relacionamento
Cena do filme "A culpa é das Estrelas"

Cena do filme “A culpa é das Estrelas”

Sim, talvez você não entenda agora, mas apesar de não ter religião eu acredito que cada pessoa tem um papel na vida do outro, isso para relacionamentos, amizades ou até mesmo quando falamos de trabalho.

De todas essas relações conseguimos tirar algum proveito e aprender e se desenvolver, posso citar aqui inúmeros casos da minha vida, como por exemplo os anos que trabalhei com um chefe difícil, complicado mesmo, onde passei por muitas provas, muitas humilhações e momentos tantos que eu quis jogar tudo pra cima e dizer “foda-se essa merda toda”, não há quem diga que essa pessoa era fácil de lidar, mas hoje eu consigo ver o quanto essa experiência me fez crescer profissionalmente e me preparou para outros ambientes e desafios, não que eu ache que isso seja uma boa metodologia ou faça apologia a esse tipo de gestão, mas a questão é que consigo ver pontos de evolução em mim, na minha carreira.

Esse caso foi tão frustrante que eu lembro daquele filme Whiplash! Que era um caso bem exemplificado do meu ex-chefe, tanto é que eu me recordo que não gostei do filme, obviamente em parte por conta dessa “metodologia” ~diferenciada~.

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Posso citar também o lado amoroso, que por inúmeras vezes pensei que nunca mais seria capaz de me apaixonar de novo, de me entregar e que as relações estavam fadadas ao fracasso, ao reflexo do que foi meu relacionamento anterior, e eu aprendi que não, que principalmente nada é igual, você não deve pautar o teu relacionamento atual numa relação anterior ou comparar com o namoro da sua amiga. Você deve seguir e viver um plano em branco, sem carregar antigas frustrações.

Eu vejo a mudança em mim e entendo qual foi o papel dele nessa minha evolução, acho que isso é sensacional. Tenho certeza que com o tempo isso ficará mais claro, assim como enxergo hoje o papel do chefe “complicado”. Talvez isso não lhe valha de nada, já que são constatações que você fará apenas com o passar do tempo, mas talvez também valha, se você precisar de um exemplo ou uma palavra.

21set

Até que ponto suas convicções pessoais podem interferir no seu relacionamento?

Postado por às em Amizade, Amor, Relacionamento
SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 005

Hugh Grant e Martine McCutcheon em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

[Você pode ler esse texto ao som de Você e a Brisa, de Dimitri BR & Cristina Flores]

Acho que todos nós chegamos num ponto em que estamos prestando atenção demais nas diferenças que temos com a pessoa amada, são religiões, gostos diferentes, ideologia política e por ai vai. Eu acredito que ser diferente é bom, você aprende muita coisa com o outro e divide outras dezenas. Mas às vezes suas convicções pessoais podem interferir naquele seu relacionamento.

Eu sou uma pessoa ciente das coisas que gosto e daquilo que não gosto, e isso faz parte de mim, aliás, faz parte de todos nós, principalmente quando somos adultos. E essas nossas convicções podem deixar pontos de interrogação em nossos relacionamentos. Elas podem atrapalhar ao mesmo tempo que podem ajudar. Tipo, desde aquela coisa boba de “enquanto ele escuta indie, eu escuto pop” até as mais sérias como “enquanto eu quero morar fora, ele não quer sair do Brasil”.

Todos nós somos diferentes, temos vidas completamente distintas, mas quando estamos num relacionamento queremos algo em dupla, algo que seja para dividir, não é mesmo? Se chegar ao momento em que a divisão para e apenas uma pessoa recebe da outra, a relação não funciona e deixa de existir aquela cumplicidade, aquela troca. Acredito que você que está lendo isso tem um amigo que quando começou a namorar mudou toda sua vida, deixou de ser ele mesmo para se tornar o outro. Fez novos amigos, mudou seu jeito de se vestir, mudou suas prioridades e seus gostos, ele acabou deixando de ser aquela pessoa que era. Eu não acho isso ruim, de modo algum, se a pessoa está feliz é isso que importa. Mas até quando você vai mudar só para agradar alguém?

SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 008

Martine McCutcheon e Hugh Grant em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

Esses dias uma amiga me ligou dizendo que havia terminado seu namoro, minha primeira reação foi aquele choque, seguido da tristeza compartilhada. Mas fiquei mais impressionado ainda com o motivo do término: eles são muito diferentes. Ao perguntar, para essa minha amiga, o que ela queria recebi como resposta: “eu queria ele”. Na hora pensei e falei “ser adulto é uma bosta, né?”. Os dois se amam, mas são tão diferentes que não conseguem enxergar um futuro compartilhado, um futuro em que os dois consigam viver suas vidas separadas e juntas ao mesmo tempo.

Analisando essa situação da minha amiga, fiquei pensando o quanto não sou assim, racional. Eu sou emocional, se for pra sofrer mais tarde eu posso adiar numa boa esse sofrimento. No caso dela não, preferiu ficar triste agora e lidar com isso de uma forma racional, enquanto não é tarde demais. Claro que nunca é tarde demais, mas podemos concordar que com o tempo as relações vão ficando mais sérias e maduras. Ela (e ele também) colocou suas convicções pessoais, sua experiência de vida, seu desejo de um futuro conforme o planejado, na frente desse amor, desse relacionamento. Difícil, não é?

Eu já tive uma relação em que era completamente diferente do outro, nós tínhamos pensamentos diferentes, gostos diferentes, visões para o futuro diferentes, era tudo diferente. Às vezes eu olhava pra ele e pensava “o que estou fazendo aqui?”, mas ele sorria e essa confusão passava. Até o dia que cheguei a uma decisão e terminei a relação. Eu não sei se essa minha decisão em terminar foi apenas por nossas visíveis diferenças, mas algumas coisas me deixavam com raiva, sabe? Como se eu não pudesse mais suportar aquilo, mas depois passava. A convivência é complicada demais.

Eu não sou do tipo que mudo pelo outro, nem pediria que uma pessoa mudasse por mim. Acho lindo a relação de amizade por causa disso, a gente não tenta mudar o amigo, aceita ele como é. Você poderia ir ao restaurante japonês com seu amigo durante um ano, sem gostar muito de comida crua, mas conseguiria fazer isso com seu namorado? E depois de um ano todo comendo peixe cru vai virar pra ele e dizer “EU NUNCA GOSTEI DE SUSHI!” e terminar a relação? Por que aquele atum cru foi a gota d’agua! Brincadeiras à parte, pensem como a gente vem cheio de convicções para um relacionamento e elas podem acabar interferindo na construção de tudo? Mas uma vez repito: como ser adulto é complicado.

Estamos numa era em que o “eu” é mais importante que o “outro” (isso em alguns casos) e lidar com essas diferenças é tão difícil pra gente. Eu não sei como terminar esse texto, não sei se sou do time dos racionais (logicamente não sou, mas posso torcer pra eles?) ou se falaria pra todos agirem com o coração (como sempre faço).

Meu maior desejo hoje seria ser racional nas minhas escolhas e deixar que minhas convicções interferissem em todas as minhas relações, não só com namorados. E você, o que acha?

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