/ eu você e eles

07set

Não podemos nos perder

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Billy Crystal e Meg Ryan em cena de Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, de 1989.

[Você pode ler esse texto ao som de Janeiro, do SILVA]

Há muito tempo estamos nessa relação estranha, onde os dois se gostam e andam por caminhos diferentes. Há muito tempo nos gostamos, guardamos segredo com medo de contar para o outro e mostrar nossa fraqueza. Há muito tempo tenho sido burro pois o medo de te perder faz com que eu não tenha nada, ele é a causa do nosso distanciamento.

Demorei demais para perceber isso e chegar  na simples conclusão: eu escolhi você. Não escolhi numa prateleira, muito pelo contrário. Te escolhi aqui do meu lado, olhando para tudo que vivemos e tudo que somos. Ao mesmo tempo que eu estava excitado com tudo que sentia, morria de medo e pensava em como te dizer isso, o medo de perder o que tínhamos era maior que o sentimento que eu tinha por você. E isso me fez entender o quanto eu estava errando em não decidir pelo óbvio. Você é óbvio, é tudo que eu sempre quis há muito tempo e estava aqui pra mim.

As pessoas falam que o amor é cego e eu até acredito nisso, mas eu quero que você saiba que mesmo ele sendo cego, hoje enxergo tudo com uma claridade tão perfeita. Por isso não quero ver o passado como um tempo perdido, quero tirar uma lição de tudo que passou para viver os nossos próximos passos. Dessa vez, eu não quero que você seja um episódio da minha vida, quero você como um capítulo completo, como uma história sem final, quero você de verdade.

Já te contei tudo que escrevi acima mas ainda acho que você não acredita em mim, nessa minha mudança repentina, mas a verdade é que não foi uma mudança, foi mais um acordar. Não te contei antes, pois não sabia como fazer isso, era confuso e eu precisava esperar o tempo certo, não queria errar com você ou comigo. Hoje, te dou um tempo que precisa, mas penso que não devemos demorar para começar essa história, pois podemos nos perder no caminho.

Hoje eu não tenho mais medo, você não sabe mas já falei isso em voz alta e já dividi essa minha excitação com algumas pessoas e estou tão feliz por isso. Espero que nada mude o que estou sentindo agora, pois me deixa com uma sensação tão calma, tão leve.

O orgulho que me fez esconder o sentimento durante todo esse tempo foi embora e espero que ele não tenha atrapalhado muito a nossa relação, pois hoje estou aqui pra você e por você e nada vai atrapalhar isso. Hoje aposto todas as minhas fichas na gente e espero ganharmos muito com isso.

Não sei por que demorei tanto para perceber que somos um do outro, que somos uma dupla incrível, mas eu percebi e agora posso dizer com todas as letras que te quero e te espero. Só peço que não demore pra ver que tudo isso é real e que a felicidade está na nossa frente, disposta e disponível.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

24ago

As aparências enjoam

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Ben Stiller em cena de A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Ship To Wreck, da Florence and the Machine ♫]

Gosto tanto de você quando não finge ser outra pessoa, gosto muito daquele seu jeito tímido e meio bobo, gosto quando fica feliz por pouca coisa ou quando fala uma bobagem só pra me fazer rir. Mas quando finge ser uma pessoa diferente, alguém que você não é, eu gosto tão pouco, chego até a desgostar.

Não sei se você sabe, mas a gente ama o outro por sua inutilidade. Não pelas mil coisas que ele saber fazer ou finge que sabe. Eu gosto de não fazer nada com você e por isso não preciso saber o quanto você foi foda no final de semana ou quanto dinheiro tem na sua conta, eu gosto da sua inutilidade. Gosto dos seus erros, dos seus defeitos e não daquela pessoa que você quer que as outras enxerguem.

Hoje, vejo que você faz coisas para chamar minha atenção e eu tento não lidar com isso. Sabe por quê? Você já a tem, roubou de mim faz tempo. E o melhor de tudo é que você fez isso sendo a pessoa que é, não precisou fazer malabarismos para que isso acontecesse. Só precisou ser inútil, ser você mesmo. E quanto mais eu penso nisso, sobre essa minha forma de te querer, mas eu acredito que as coisas simples são incríveis.

Você não precisa mudar por mim, da mesma forma que eu não preciso – e nunca faria isso – mudar por qualquer um. Nós precisamos ser apenas aqueles por quem nos apaixonamos, sem trocar de pele, sem viver de aparências. Amor não é sobre quem você quer ser e sim sobre quem você é.

Acredito que o amor romântico deveria ser igual ao amor entre amigos, aquele tipo de amor que a gente não pediu, que não cobramos, que recebemos do jeito que as pessoas são. Já percebeu que ninguém quer mudar um amigo? Os amigos nós aceitamos como eles são e não precisamos ser outra pessoa quando estamos entre eles.

Comigo você não precisa ser outra pessoa, afinal eu nem conheço essa outra pessoa. Não mude, não viva de aparências. Um dia elas enjoarão a mim e aos outros.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles”.

16jul

Você foi aquela pessoa

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Jude Law em cena do filme Closer, de 2005

[Você pode ler esse texto ao som de The Blower’s Daughter, de Damien Rice ♫]

Não sei quanto tempo demorei para perceber isso, mas chegou um momento em que me dei por vencido e concordei com aquilo que me perseguia a tempos: você foi aquela pessoa.

Nós teremos várias pessoas em nossa vida, porém uma delas é a pessoa certa e um dia a gente sempre sabe disso. Teríamos muita sorte se isso fosse recíproco, se quando encontrarmos a pessoa certa, ela também nos encontre. Mas se não foi assim, carregaremos aquela pessoa em nossos ombros por onde andarmos e viveremos “com ela” para sempre. A vida é exatamente assim, eu acho. Ganhamos, perdemos e continuamos a jogar.

Demorei para perceber que você é aquela pessoa que minha alma escolheu para compartilhar tudo. Na verdade só percebi isso quando você estava há quilômetros de distância de mim, quando o “nós” não existia mais, (na verdade ele existia – ou ainda existe – apenas dentro de mim). E agora era só eu, você e eles.

Eu vivendo minha vida, você vivendo a sua e eles tentando encontrar alguém, até o dia que esbarrarão em nós. Formaremos pares sim, pois eu não me fecharei para o mundo. Afinal, eles estão por aí a procura daquela pessoa que pode ser eu. E mesmo que eles não sejam a minha pessoa eu posso tentar. Não será difícil.

É estranho chegar a uma conclusão dessas, mas hoje eu sei que a minha pessoa não é exatamente minha, ela é de outro. Eu poderia te odiar por isso, odiar tudo que passamos e todo esse meu sentimentalismo, mas eu dou sorrisos enquanto penso em ti. Afinal, foi você que eu, sem querer, escolhi para amar.

Por muito tempo tive você como o objeto ausente na minha vida, como aquele ser que não existe, mas continua ali, me espreitando e me acompanhando por todos os lados. Só que hoje eu aprendi a lidar com isso e mesmo não deixando de te amar eu consigo ser feliz com outros. E sabe, eu não os amo de uma forma diminuída. Eu posso amar bastante e ainda assim consigo te carregar comigo. Não me canso, sabe?

Quando penso sobre isso, eu imagino o quão sortudos são aqueles apaixonados que encontram sua pessoa e são encontrados ao mesmo tempo. Tipo encontrar sua metade, ou sei lá como as pessoas chamam isso, pra mim seria como ganhar na loteria. Eu estaria rico.

Essa não é uma história triste, não é um drama. Se eu fosse categorizar essa minha história com você, diria que é um romance. Nada muito épico, sabe? É tipo aqueles filmes que são feitos para a TV fechada, eles passam despercebidos por uns, mas aquece o coração de outros.

O mais importante disso tudo é que eu estarei pronto quando eles chegarem, pois já aprendi a lidar contigo e quando isso acontecer você será apenas um dos meus demônios.

*Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

24jun

Medianeras, aplicativos e relacionamentos

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Filmes, Música
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Pilar López de Ayala e Javier Drolas em cena de Medianeras, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de True Love Will Find You In The End, do Daniel Johnston ♫]

Já conversei com vocês aqui no blog sobre o famoso (ou nem tanto) segundo encontro, que às vezes nem acontece, e também sobre como lidamos com nossos relacionamentos (bem no estilo “metade cheio ou metade vazio?”), mas agora queria falar sobre um assunto que todo mundo tem medo de botar na mesa, ou no blog.

Acho que a internet é um meio de comunicação incrível. Eu posso estar longe de você, mas consigo me sentir perto, pois estou a um clique de te enviar uma mensagem, uma foto, um vídeo ou um áudio. É pratico, é fácil e funciona bem para a nossa geração. Mas e quando atrapalha? Quando você coloca todas suas fichas nas interações online e esquece o resto?

Sempre que penso nisso eu me lembro de um dos filmes que estão no meu coração, o argentino Medianeras. Ele conta a história de Martin e Mariana, ele é um designer que trabalha em casa e leva uma vida bem passiva, já ela é uma arquiteta frustrada e com problemas de relacionamento. Enquanto os dois levam suas vidas, com problemas de pessoas normais, usam a internet para se relacionar.

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Agora você me pergunta “qual o problema em usar a internet para se relacionar?” e eu te respondo “nenhum”, pois Martin e Mariana ainda saem na rua, bebem, vão a bares e etc., mas seus encontros estão vinculados aos chats online. Enquanto Martin sabe muito bem como funciona esse mundo (a pessoa é diferente da foto, vai falar muito sobre si mesmo e etc.), Mariana ainda é novata. Eles moram no mesmo bairro, em prédios um de frente para o outro (na verdade é um atrás do outro), separados apenas pela medianera de cada prédio. Eles se cruzam, mas não se encontram e começam a conversar online.

A história do filme é incrível e o final vai deixar você cheio de sorrisos, mas isso não costuma acontecer na vida real. No filme de Gustavo Taretto (spoiler do filme), os personagens acabam enfrentando alguns de seus medos e se encontram na rua, por acaso e vivem. Mas e nós? O amor verdadeiro vai nos encontrar no fim? Como diz Daniel Johnston na letra de True Love Will Find You In The End?

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Esses dias eu parei de usar todos os aplicativos (Tinder, Happn…) e pensei “e agora?”, será que espero que a história de Medianeras aconteça comigo? Será que volto para os aplicativos?

Conhecer alguém novo está a um clique, você entra no Tinder e começa. É fácil, as pessoas estão lá (dispostas ou não) e querem o mesmo que você: conhecer alguém novo, ter uma experiência nova, ter uma companhia para beber, fazer sexo ou tirar um pouco da carência. E pode acreditar você tem muitas opções. Você pode não querer sair de casa (nem eu), mas as pessoas estão lá nos aplicativos. E mesmo assim estamos solteiros, presos olhando para a nossa medianera.

Eu sempre acho que o problema nunca está no meio e sim em como lidamos com ele. No caso do filme Medianeras, a história de Martin e Mariana começa a mudar quando eles criam uma janela nova no apartamento. Eles quebram a medianera e se “encontram pela primeira vez”. Pode parecer boba essa cena (no vídeo abaixo), mas eu adoro a forma como o diretor usou isso. Ele mostrou que você precisa dar o primeiro passo, que só você pode fazer as coisas acontecerem, independente do meio que usa para se comunicar.

Acho que todo mundo deveria quebrar sua medianera interior, não só para o amor, mas para a vida.

Medianera é uma palavra em espanhol, é algo que está no meio de duas coisas. Sabe aquela parede dos prédios que não tem janela? Isso é uma Medianera.

*Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

26mai

Nosso amor só existia no quarto

 

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Thure Lindhardt em cena de Deixe a Luz Acesa, de 2013

[Você pode ler esse post ao som de Love Like This do Kodaline ♫]

Eu te amei.
Amei cada segundo que estava com você. Não posso falar que foi desde o primeiro dia ou da primeira vez, pois seria mentira, mas eu te amei. Era fácil amar você, estava sempre disponível e pronto para receber tudo que eu poderia dar. Meu amor, meu ciúmes, meus amigos, minha vida. Eu te dei quase tudo e em troca você se deu. Apenas se deu.

É engraçado pensar que eu te amei, te conheci, sorri pra você, fiz amor com você, revelei meus segredos e meus medos. E fiz tudo isso entre quatro paredes, pois fora do espaço físico que nos encontrávamos eu não te conhecia. Não sabia como você era com seus amigos, não sabia se você faz piadas bobas pra chamar atenção, ou se fazia o tipo blasé e era caladão. Não conheci sua melhor amiga e nem fiz carinho no seu cachorro.

E hoje você me pergunta: isso importa?

Hoje? Sim, isso importa.
Não importou antes, nada importava antes. Só importava estar com você, naqueles dois dias por semana que nos trancávamos, dávamos risadas, fazíamos sexo, contávamos um para o outro sobre nossos dias, sobre nossos medos e planos para o futuro, trocávamos presentes…

Mas com quem eu estava fazendo isso? A verdade é que não faço a mínima ideia. E isso é algo estranho e triste. Mostrei-te a minha vida e você viveu nela, mas eu não estive na sua. Eu não existia e isso tudo é culpa minha.

Não sei como isso aconteceu ou em que ponto cheguei (sei que outras pessoas devem ter vivido algo parecido e podem compartilhar comigo algumas experiências) para deixar que você entrasse na minha vida sem dar tanto em troca, sem mostrar quem realmente era. Sem me mostrar suas piadas bobas ou seu jeito blasé com seus amigos.

Eu aprendi com isso, aprendi com você e com essa experiência. Hoje escuto “Love LikeThis”, do Kodaline, e percebo como fui burro.

But I know
I don’t mind at all
A love like this won’t last forever
A love like this
A love like this
A love like this won’t last forever

Sabe por quê?
Um amor como esse não tem como durar para sempre.

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

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