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12jun

A insustentável beleza de Praga

Postado por às em Livros, Viagem

praga

Anos 60 e 70. Havia os canhões soviéticos, muita tensão política e o casal Tereza e Tomas, apaixonadas na Praga de Milan Kundera. Foi assim que conheci Praga, através das palavras do escritor e sob o olhar desses dois personagens do romance A Insustentável Leveza do Ser.

Não foi amor à primeira vista, nem amor à primeira página. A história, apesar de usar a cidade como personagem, deixa Praga de lado ao mostrar para nós que os dramas de uma vida podem ser explicados pela metáfora do peso. Como se tivéssemos um fardo nos ombros, carregamos esse fardo, que suportamos ou não, lutamos com ele, perdemos ou ganhamos e quando não o temos, também carregamos o mesmo fardo.

milan

Mas vou falar da cidade e não do livro.

Vou confessar que ao chegar a Praga senti medo e excitação. Eu já tinha visitado Paris, Barcelona, Roma e agora estávamos indo para Praga com um peso grande (o amor pela cidade que não conhecida). Na maioria das vezes que colocamos um valor muito alto nas coisas, ou lugares, acabamos perdendo. O que não foi o caso desse lugar.

Chegamos na cidade, era nosso último destino (ou seja, tínhamos pouca grana). Largamos as coisas no hotel e fomos procurar um lugar para comer. Não lembro o horário, mas já estava escuro (no inverno a noite começa cedo em Praga, ás 16h já era noite), mesmo assim era fácil identificar a beleza do lugar. Praga tem castelos por todo lado, construções que sobreviveram à guerras e abrigos que agora são bares e cafés.

Sem contar a cerveja…

A cerveja de Praga, como a cerveja de toda Europa, é melhor que do Brasil (aqui tem substituição da cevada por arroz e o milho, outros cereais mais baratos) mas além de melhor ela é incrivelmente barata. Na República Tcheca você bebe cervejas boas e paga pouco, sem contar que o país ainda não entrou para zona do euro, assim você pode se divertir (sem gastar muito), pois o nosso real não é desvalorizado naquele país. Então vocês podem imaginar como aproveitei pouco né? rs Um dos lugares, acredito eu, que exprime toda a beleza de Praga é a ponte Charles, que foi construída na época gótica (século 14). Quem me apresentou a ponte também foi Milan Kundera e esse foi o primeiro ponto que visitamos durante o dia, estava tanto frio que quase cortava nossa pele, mas não conseguia nossos sorrisos. O lugar parece, ao mesmo tempo, guardar segredos, amores e dores e eu ficava a todo o momento querendo descobrir todos.

“Chegou a ponte Charles. A fileira dupla de estátuas acima da água convidava-o a passar para outra margem…”, assim conhecemos a Xavier e a ponte Charles em “A vida está em outro lugar”. Essa história se passa em Praga, na época de mudanças, onde os jovens estão começando a ganhar voz e sair às ruas, como aconteceu por aqui em 2013. O legal dos livros de Kundera é que Praga é tão bem descrita que é quase um personagem, tanto quanto Jaromil, Tereza e Tomas.

E isso acontece quando estamos na cidade, ela se torna um personagem da nossa viagem e participa dela.

Praga não é como Paris, que tem seu símbolo intocável, Praga é seu brother, sua parceira. Aquela amiga que te faz sorrir e te leva para todo canto… Praga é revolucionária, triste e bela, insustentável e te marca tal como os livros de Milan Kundera.

26mai

Quando livros nos indicam pessoas

Postado por às em destaque, Livros
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Ben Affleck e Rosamund Pike em Garota exemplar, de 2014

Muitas vezes somos gratos a certas pessoas por nos apresentarem a um livro, ou nos introduzirem a um novo algum assunto para depois lermos sobre eles. Essas pessoas merecem um lugar cativo no céu. Sério!

É muito legal quando alguém chega e fala com todo entusiasmo “cara você tem que ler esse livro” ou quando dizem “você vai adorar essa história”, imagina: é alguém querendo dividir um novo mundo com você! Isso já aconteceu comigo e com Harry Potter. Eu adoro a série de livros e também todos os filmes, mas poderia ter conhecido a história antes (só peguei pra ler os livros quando o quarto filme era lançado nos cinemas).

Mas e quando acontece o contrário?

Muitas vezes andando de metrô/ônibus ou até enquanto estava passeando pelo Ibirapuera, livros me indicavam pessoas. Sentia-me como um adolescente descobrindo as coisas, é estranho ver alguém completamente desconhecido entrando num mundo que você já visitou, lendo um livro que você já leu.

Quando vejo alguém lendo meus livros favoritos entro em estado de êxtase e morro de vontade de forçar a barra da educação, falar “eu adorei esse livro” e começar um papo sobre os personagens, sobre a história e etc. Mas eu sempre penso “Jader, menos! A galera não gosta de ser importunada quando está lendo”. Verdade, né? Eu sou mais ou menos assim.

O mais engraçado é que muita gente pensa assim também. Fiz uma pesquisa rápida lá no Twitter e encontrei muitos comentários sobre isso. Se quiser faça o mesmo e procure na busca no Twitter: “alguém lendo meu livro favorito”. Os tweets são praticamente declarações de amor.

O mais legal de tudo isso é que essa “experiência” faz com que você crie um laço momentâneo com um completo estranho. Você sorri esperando que ele devolva o sorriso e fica feliz pelo simples fato de ter dividido algo bom com uma pessoa aleatória.

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