/ medo

12nov

Apenas uma noite

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
Keira Knightley e Guillaume Canet

Keira Knightley and Guillaume Canet em cena do filme Apenas uma Noite, de 2010

[Você pode ler esse texto ao som de Modern Man, do Arcade Fire ♫]

Ele se arrumou, colocou a melhor roupa e tomou banho com aquele perfume caro. Estava carente, precisa de atenção e tinha a necessidade de ter alguém em seus braços naquela noite. Não sabia quem, só sabia que queria ser amado e sentir alguns momentos de carinho e afeto. Ao encontrar os amigos fez as piadas de sempre, bebeu, dançou, bebeu de novo. A companhia dos amigos o fazia muito bem e ele sabia disso. Eles eram muito animados e ele adorava aquela bagunça, mas isso não era satisfatório, ele precisava sentir aquele amor da carne, aquele amor que fere, que machuca e que cura a solidão pelo menos por alguns momentos.

Ele tentou o primeiro, o segundo e o terceiro. Não estava satisfeito, queria sentir aquele sentimento de adolescente e tentava – desesperadamente – encontrar um amor naquele lugar fechado, com música alta. Acreditava que a bebida ajudaria e ajudou. Não foi fácil, mas em algum momento estava ele nos braços de alguém, não sabia seu nome (ainda) mas sabia que havia acertado, que a noite seria boa e que aquela ficada na balada renderia. Mas o que ela renderia?

Foram para seu apartamento, não era tão longe chegar. Demorou apenas 10 minutos dentro de um taxi, onde conversaram sobre seus trabalhos, os amigos que o acompanhavam e sobre coisas bobas. Ele estava animado pra passar a noite acompanhado, fazia tempo que isso não acontecia.

Sam Worthington e Eva Mendes

Sam Worthington e Eva Mendes em cena do filme Apenas uma Noite, de 2010

Chegaram em seu apartamento, começaram a se beijar e tudo rolou como o esperado. Transaram, fumaram cigarros e transaram de novo. Depois foram para o banho e aquele sentimento de querer ver o amor e ter carinho, atenção e afeto foi indo embora. Após o sexo ele olhava para alguém desconhecido em sua casa e pensava “até quando seria assim?”, até quando ele procuraria o amor e o perderia depois do gozo final?

No outro dia, ele usou uma desculpa qualquer para a pessoa ir embora cedo, disse que sua mãe viria a sua casa, ou um de seus amigos estaria chegando de viagem, nem ele lembra na verdade qual foi a desculpa, mas conseguiu se livrar da visita indesejada.

Após uma semana, ele recebe uma mensagem da sua companhia daquela noite. Estava sendo convidado para um jantar. “Jantar?”, pensou ele. Como poderia baixar a guarda ao nível de passar duas horas encarando uma pessoa que não conhece? Como poderia fazer piadas e conversar sobre a vida com alguém desconhecido? Como poderia comer e conversar com aquela pessoa? A resposta foi uma negativa invasiva, ele inventou uma desculpa. Como poderia aceitar esse convite? Foi só uma relação de uma noite, pensava ele após digitar uma resposta qualquer e tirar a pessoa da sua vida.

No final de semana seguinte, ele escreveu uma mensagem para seus amigos convidando-os para a próxima festa, ele estava precisando de companhia e não queria passar a noite sozinho. Ele não sabia lidar com as pessoas, mas também não sabia lidar com si mesmo. Ele não sabia de nada.

25set

Algumas pessoas têm medo da felicidade

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The-Holiday

Kate Winslet e Jack Black em cena do filme O Amor Não Tira Férias, de 2006

[Você pode ler esse texto ao som de Fire Escape, do Foster the People ♫]

Você já chegou naquele ponto da vida que tudo está mudando? Você sabe que as coisas mudarão, mas ainda não sabe o que fazer quando isso acontecer, nesse momento você fica cheio de medos e insegurança. O que é completamente normal, precisamos concordar. Ter medo do novo e se sentir inseguro com mudanças faz parte do ser humano, estranho seria não sentir medo algum. Mas não é disso que quero falar nesse post, o assunto aqui é medo daquilo que vai dar certo.

Sabe aquilo que você sempre sonhou? Aquilo que te arrancava sorrisos enquanto estava pensando na vida? Aquele acontecimento que você contou dias para acontecer? Ele aconteceu, ele está aqui na sua frente e aquele riso bobo que você dava enquanto pensava nisso, finalmente pode virar uma eterna gargalhada. Mas nesse momento toda sua sorte muda, pois o que está certo e resolvido não pode ser apenas sonhado e você acaba ficando com medo de realmente viver aquilo.

Eu sou do time que sonha, do time que tem medo pra caralho de perder algo, mas ao mesmo tempo sou do time que não tem medo de viver aquela experiência sonhada e aquele sentimento imaginado. Eu sou do tipo emocional, que não tem medo de viver um amor, amar, errar, amar e errar de novo. Acho que isso faz parte da vida, os amores e os erros. Sou bem racional quanto a isso. Mas parece que você tem medo, que na sua visão o amor ideal é aquele imaginado, é, como dizia Cazuza, aquele amor inventado. Eu também adoro esses amores, mas quero sempre tirá-los da minha mente e convida-los à minha vida.

oamornaotiraferias

Jude Law e Cameron Diaz (e as crianças) em cena do filme “O Amor Não Tira Férias”, de 2006

Eu não sei como deve ser esse sentimento de medo de apostar no certo, deve ser estranho. Pois se você está com esse medo, o certo vira duvidoso e um dia essa dúvida pode ser maior que a certeza e assim ela vai acabando. Nesse ponto você alcançaria seu objetivo: viver um amor imaginado. E continuaria como era antes, apenas sonhando com as possibilidades.

É tão romântico viver um amor impossível, escutar músicas tristes que criam uma trilha sonora instantânea em sua cabeça, faço muito isso. E odeio e adoro ao mesmo tempo, mas ainda acredito que é tão melhor viver aquele possível. Ou ainda, é mais lindo ver possibilidade naquele impossível, tipo coisa de filme né? E deixar essa possibilidade embalar sua trilha sonora triste, onde aquele drama todo vira um romance. Eu adoro dramas, mas romances são tão bonitos, os finais trazem um pouco de alegria, não é?

Ao mesmo tempo em que sou bastante racional ao o que quero, entendo completamente esse medo. A felicidade assusta, né? A gente pensa “depois dela vem o que? O fim?”, tipo como nos filmes. Os romances de cinema acabam quando tudo está bem, quando o casal está junto. Sobe a música, sobe os créditos, sobe o sentimento de esperança na vida.

Você tem medo do que fará depois dos créditos finais? Eu também tenho, mas quero muito saber o que acontece e acredito que podemos descobrir juntos.

11set

Não precisamos parar de ter medos

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Ed Westwick e Leighton Meester, como Chuck Bass e Blair Waldorf, em Gossip Girl.

[Você pode ler esse texto ao som de Trusty and true, do Damien Rice ♫]

Vocês vão concordar comigo quando digo que sempre traremos as experiências e os medos do passado para nossos relacionamentos atuais e futuros. A Taína já falou sobre isso aqui no blog e eu quis trazer esse assunto novamente a nossa pauta diária após escutar (repetidas vezes) a música Trusty and True, do Damien Rice.

A música me fez pensar nessa fase que estou e em varias outras que já passei, sobre como eu trouxe medos e regras prontas para os novos relacionamentos e o quanto isso é normal. É completamente normal você ter medo de se machucar, pois já deixamos de ser jovens, perdemos aquele brilho e aquela vontade forte de mudar tudo e queremos apenas ficar bem. O modo como amamos não muda, a gente continua amar o outro muito, mas o medo complica tudo e faz com que as regras prontas falhem ao serem usadas em outros momentos.

Acho que a fase que estou passando hoje, que faz parte de um aprendizado, me coloca como protagonista da história dessa música. Não sei se vai passar ou serei assim por muito tempo, sei que estou gostando disso. Eu meio que aprendi a lidar com essas coisas, aprendi a lidar com esse medo todo e hoje estou convidando uma pessoa a vir com todos os seus medos e seus anseios pra minha vida. É como diz Damien Rice na letra:

Come, come along
Come with fear
Come with love
Come however you are

Just come, come along
Come with friends, come with foes
Come however you are

Parece que chega um momento de nossas vidas que algo corta nossas asas, tira aquela vontade imensa que temos de fazer tudo. É trabalho, aluguel, contas, pressão da família, relacionamento com amigos, temos tanta coisa para nos preocupar, que não temos tempo para deixar que o medo entre nesse nosso novo cotidiano. Mas é uma bobagem, né?

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Eu estava conversando com uma amiga, falando sobre estar apaixonado, sobre o medo de perder alguém e ela me disse algo que achei lindo. Ela disse que sentia falta de sentir medo, de se apaixonar e não pensar em mais nada. Acredito que o mundo precisa de mais pessoas dispostas a sentir medo, pois existem pessoas que estão completamente abertas para lidar com nossos medos.

Hoje eu não estou com medo de me envolver, estou aqui pronto para lidar com o medo de outra pessoa, para ajudar da forma que fui ajudado, para ensinar algumas certezas e aprender outras incertezas. Me acho tão adulto falando isso, que as vezes não me reconheço.

Não precisamos parar de ter medo, sabe? Medo é bom. Nós precisamos saber lidar com ele e entender que existem pessoas ao nosso redor com medos maiores ou capazes de nos ajudar com o nosso. Então, se você ama pode ir com medo! Vai com amor, vai como você é, leva sua bagagem, mas não tenta levar as mesmas regras.

Vai com medo, mas vai logo.

31jul

As bagagens que carregamos

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt em imagem de (500) Dias com Ela, filme de 2009

[Você pode ler esse texto ao som da música Waste of Time, da MØ ♫]

Durante nossa vida adulta conhecemos várias pessoas, algumas passam por nós pois precisam de alguma ajuda, outras passam para nos ajudar. E quando você olha para trás e analisa todos seus relacionamentos encontrará aqueles que te ajudaram, aqueles que você ajudou e também aquela parcela que não esteve em nenhum dos dois lados.

Não sei vocês, mas eu tenho bagagens de todos meus relacionamentos anteriores e as carrego comigo. Algumas são muito boas e me ajudam, outras são ruins, mas também ajudam. Elas servem para isso, fazer com que nossas escolhas sejam mais assertivas, pois se já passamos por determinada situação já sabemos lidar com ela. Assim as bagagens servem para que a cada dia possamos errar menos e se errarmos, elas nos ajudarão a sofrer menos e virar a página.

Eu já fiz escolhas baseadas em meus relacionamentos anteriores e até já defini algumas coisas que não quero viver novamente. Sim, eu fiz escolhas a partir das minhas experiências amorosas e levo-as muito a sério, só que às vezes um pouco sério de demais.

O que eu quero dividir com vocês hoje é que eu defini “meus termos” e me policio sempre, não quero deixar que uma pessoa que não se enquadre nesses termos entre na minha vida e me traga de volta as mesmas bagagens ruins que já carreguei. É algo que combinei comigo mesmo e tenho seguido. Pode ser burrice comparar algo do passado com algo do presente? Pode. Mas são coisas que eu não gostaria de lidar.

Eu não sei o quanto erro fazendo isso, o quanto do passado tem voltado para atrapalhar o meu presente, mas acredito que quanto mais velho ficamos (e experientes) mais conseguimos lidar com as coisas e ganhamos mais poder de decisão sobre as nossas escolhas. Porém, apesar de achar que não podemos ficar tristes por escolhas que nós mesmos fizemos, eu ainda fico.

Fiz uma escolha baseada num relacionamento anterior e nada me fará muda-la, sabe? Porém essa escolha fez com que uma pessoa fosse embora da minha vida de um jeito ruim, eu me neguei a ajuda-la. Disse “não” sobre ser a ponte que ela precisava para um problema que eu já tinha vivido em um relacionamento anterior e hoje penso que eu poderia ter tentado.

Eu não queria viver os problemas que já vivi e eu fiz uma escolha: não seria mais a ponte. Nesse caso eu fui exatamente quem eu queria ser e quem eu prometi que seria. Eu cumpri minha promessa e agora estou triste por não ter ajudado uma pessoa que precisava de mim. Estranho a vida né?

Acredito que continuarei cumprindo minha promessa e não sendo mais a ponte, até o dia que não precisarei mais.

A Taína já falou desse assunto aqui no blog também, sobre os medos do passado.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles”.

07jul

Como perder o medo de dirigir?

Postado por às em Você rica

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Eu sempre tive medo de dirigir, não tem origem, explicação ou trauma que explique o porquê de tanto medo e muitas vezes até mais que isso: pavor. Muitas vezes me peguei no lado do carona com medo ao observar o motorista dirigindo tranquilamente e eu ali com o coração na mão.

Eu tirei a minha habilitação tem mais de 5 anos, fiz todo o processo bem tranquila, passei na prova teórica, já na prática eu tive que tentar por 3 vezes e sempre ficava por pequenos detalhes, mas hoje eu tenho ciência que as auto escolas não preparam o motorista para a vida real. Depois de habilitada eu ensaiei algumas vezes pegar o carro, até chamei o Jader para sair e fomos bem para o shopping, fomos no cinema e durante o filme eu só pensava: “meu deus como eu vou tirar esse carro daqui?”, depois disso em algum momento eu paralisei e foram sei-lá, 4 anos sem dirigir.

Depois de todo esse tempo minha vida mudou muito, trabalho numa empresa longe de casa e demoro cerca de 2:30 para ir e mais 2:30 para voltar, pasmem, isso é insano. 3 anos nesse ritmo me fizeram repensar e tentar encarar o medo de dirigir, claro, outros fatores como: passeios limitados aos meios de transportes, falta de liberdade e conforto. Quantas vezes eu já demorei mais do que 3, 4 horas pra chegar em casa num dia de chuva? Quantas vezes eu já quis sentar no meio fio e chorar de raiva?

Então em 2015 eu botei na cabeça que meu único plano seria voltar a dirigir, todo mundo faz planos, metas para o ano, eu decidi colocar apenas 1 coisa na minha lista e focar completamente nisso. Então, partindo dessa meta eu tracei a estratégia para chegar no meu objetivo:

  • Pesquisar aulas para habilitados perto do meu trabalho
  • Contratar no mínimo 10 aulas
  • Fazer as aulas
  • Comprar um carro
  • Começar a fazer caminhos devagar, mas sempre

Com essas 5 coisas em mente eu comecei o meu plano no mesmo dia e já fui numa auto escola que me indicou um professor que atende aqui perto do meu trabalho, ou seja, o primeiro e mais difícil passo foi dado, o medo estava ali pulsante, mas a esperança de mudar foi maior. Eu liguei para o professor e marquei a primeira aula para aquele mesmo dia! OMG! eu já poderia partir para o segundo passo! Nem eu esperava tanta agilidade no processo e na proximidade de vencer esse medo.

No próximo post sobre esse tema eu conto mais sobre os outros passos do meu plano de conquistar o mundo, digo, voltar a dirigir.

Poucos sabem a felicidade que estou por esse fim de semana dirigindo pra todo lado ❤️? #budapest #music

Um vídeo publicado por Taína Sena (@tainasena) em

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