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26jan

Às vezes a gente só precisa de alguém que nos deixe bem

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Ashton Kutcher e Jennifer Garner em cena de Valentine’s Day, de 2010

[Você pode ler esse texto ao som de Old Friend, de Angus and Julia Stone]

Por quanto tempo você procurou o príncipe encantado? Quantas vezes você deixou de sair com o “cara legal” esperando o convite do “cara lindo”? Já passei por algumas situações assim, de ter a pré-disposição a dizer “não”, a negar um convite para um bar ou um jantar e deixar de conhecer melhor aquela pessoa que “estava sendo legal demais”. A gente tem um problema com as pessoas que são legais demais, não é? Eu estava conversando com a Taína sobre isso, sobre as chances que perdemos tentando buscar o difícil, tentando conquistar o inalcançável, tentando (e falhando) encontrar o príncipe encantando.

Faça um exercício comigo e responda: quantas vezes você disse “não” para alguém que você poderia ter saído? Quantas vezes aquele cara que “é só legal” te chamou para sair e você demorou em responder apenas procurando uma desculpa? Quantas vezes aquela menina que “seria melhor como amiga” te mandou mensagem te chamando para uma festa e você ignorou? Será que foram muitas as chances que a gente deixou de lado apenas esperando aquele ser mitológico que mexeria completamente conosco? Pois é, aconteceu isso comigo algumas vezes.

Um dia eu estava no Tinder, dando likes e deslikes nos meninos que apareciam pra mim, até que dei match com um rapaz muito legal. Conversa vai, conversa vem até que marcamos de nos encontrar. Eu estava apaixonado por outro cara e por isso estava pensando em cancelar, mas duas amigas não deixaram e eu fui. Resultado: sai desse encontro encantado. O rapaz era muito legal, tínhamos muitas coisas em comum, nos beijamos, rimos, contamos piadas sem graça e ficamos por alguns meses. Hoje somos amigos e conversamos de vez em quando, eu falo sobre meus “namoros” e ele sobre as novidades de sua vida. Ganhei um amigo, logo eu que sou péssimo em fazer novas amizades.

O que eu queria dividir aqui com vocês é que a vida é feita de chances que aproveitamos ou não. Fala-me, você leitor, quantas vezes disse “não” (pode ser até mentalmente) pra alguém e depois se arrependeu? Eu coleciono alguns.

Existe aquele problema chamado autoestima que afeta um bocado de gente da nossa geração. Sempre achamos errado quando “alguém está sendo muito legal” e quando “alguém está apaixonado demais”. Pior ainda é aquele momento em que a pessoa que está afim de você começa a mandar mensagens de “bom dia”, “boa noite” e “dorme bem”, a gente não sabe lidar com isso, tem medo de lidar com isso, acha desespero, acha errado e faz o que? Foge. Bobeira demais né? Ser amado, ser cuidado, ter atenção não é um problema, é uma solução.

Ainda assim, a gente procura o príncipe. Que é como esperar a volta de Jesus Cristo, ninguém sabe quando virá.

E o pior é que estamos cansados de saber que esse tal de encantando é chato, deve ser coxinha e tem gostos completamente diferentes do nosso. Ele não é um cara legal. Afinal, se ele fosse estaria aqui com a gente, não é? Ele pode até ser legal, mas dentro do espaço dele e não no seu.

E você, o que está esperando para dar a chance para o cara legal? Vamos ver o que acontece.

21jan

Eu escolhi o amor

Ben Stiller em cena do filme A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Sou desse Jeito, do Silva ♫]

Eu sou uma pessoa muito difícil, descobri isso há algum tempo enquanto relembrava os meus relacionamentos e revivia algumas coisas. Caso você procurasse a palavra “teimosia” no dicionário acharia minha foto e minha bio. Como um bom taurino eu sou ciumento e teimoso, mas, ao mesmo tempo, eu odeio dormir sem fazer as pazes, odeio dormir com um sentimento ruim sobre a pessoa que eu gosto. E como vocês devem perceber essas duas características não batem e por isso estou tentando me ajudar, mudar e melhorar um pouco esse “meu jeitinho”.

Eu poderia falar apenas “Sou desse jeito” e não mudar por nada, ou por ninguém, mas isso seria tão burro do que mudar apenas para chamar atenção de outra pessoa, ou pra fazer alguém ficar.

Eu explodi muitas vezes, várias dessas sem um motivo aparente para isso e esse meu jeito fez com que amigos, namorados e até parentes ficassem longe por algum tempo. Claro que eu também queria essa distância, eu estava bravo e fiz com que isso acontecesse, mas até quando vale a pena deixar o orgulho tomar conta de seus atos?

Hoje sou um adulto, tenho minha casa, meu trabalho e pago minhas contas. Nessa fase da vida a gente senta, repensa sobre várias coisas que aconteceram, quais dessas não devem mais acontecer e segue em frente. É isso que estou tentando fazer agora, no lugar de todo o desgaste emocional e social, eu escolhi amar. Eu preferi o amor.

Não estou falando apenas do amor romântico, estou falando de todas as formas de amar, de amar um amigo, um familiar, um colega de trabalho. É muito mais fácil você receber e pagar com amor. Não estou dizendo que estou me transformando em um cara zen ou a pessoa perfeita, só estou tentando ser aquela pessoa que quer apenas o bem, que quer colocar a cabeça no travesseiro durante noite, dormir em paz e acordar bem.

Em um dia das últimas semanas eu dormi com um sentimento ruim, não consegui resolver o problema e fui pra cama, no outro dia eu não era esse cara que estava escrevendo, eu era o desespero em pessoa. Era triste, eu era a pior companhia que alguém poderia ter e hoje não quero ser esse cara novamente. Por isso, antes mesmo de entrar numa briga, eu vou pensar dezenas de vezes e ainda assim sair dela.

Ficar bem com as pessoas que você ama significa ficar bem com você e não tem nada mais importante que isso. Nesse momento estou dando sorrisinhos com o canto da boca, enquanto escrevo esse post, pensando em como é melhor estar bem e escolher o amor.

18jan

Ninguém pode te ensinar como (não) sofrer por amor

Postado por às em Amor, Feminismo, Relacionamento
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Joaquin Phoenix em cena do filme Her, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Supersymmetry, do Arcade Fire ♫]

É muito complicado quando um amigo, ou amiga, chega a você e diz: “o que eu faço para parar de pensar no fulano?”, eu sempre respondo “tenta fazer algo diferente, ocupar sua mente, vamos sair?” e assim tento ajudar aquele ser durante esse momento difícil, mas tudo que eu disse não passa de frases prontas que todo mundo está cansado de escutar. É claro que eu tento de todas as formas fazer com esse amigo não sofra e leve a vida adiante, mas até que ponto essas palavras funcionam?

Você está bem no trabalho, está muito feliz com o andamento da sua vida e começa até a fazer planos para o futuro: viagens, comprar um carro, trocar de apartamento, fazer um curso novo… Até que um dia chega uma pessoa na sua vida, uma pessoa que movimento tudo, bagunça tudo e te fazer sentir aquele sentimento que há tempos você não sentia. Aquela pessoa que emenda a sua alma novamente, sim aquela pessoa. E em meio a toda essa felicidade bagunçada a pessoa acaba indo embora, sem explicações, sem direito de receber uma resposta, apenas vai, pois o amor acabou. O que a gente faz?

Seus amigos (meus amigos, eu, seus irmãos…) falarão “calma, vai ficar tudo bem. Tenta esquecer o que aconteceu e bola pra frente”, mas você esquece? Não, você chora, tenta ocupar a mente fingindo que está pensando em outras coisas e não consegue. Você vai passar dias, semanas ou meses assim, pois não consegue controlar. Não é uma questão de escolha, de desligar uma válvula e seguir em frente, você imagina de todas as formas como seria se tudo fosse diferente, se tivesse mais uma chance. E às vezes você tem essa oportunidade, às vezes.

Quando a oportunidade não vem o que resta é lidar consigo mesmo, é encarar o problema e ir aos poucos diminuindo esse sentimento sem se forçar a nada. Não tente entrar em outro relacionamento apenas para “esquecer”, pois uma pessoa não consegue ocupar o buraco de outra, apenas você consegue ocupar esse buraco.

Esses dias vi um post de imagem e coloquei no Twitter, esse post falava sobre uma pessoa que teve o coração partido três vezes e o que ela fez em cada uma dessas situações. Na terceira, ela foi ver um filme. Apesar de não ser tão simples assim eu gostei muito da imagem, coisas assim dão uma forcinha pra gente mesmo sabendo como é esse sofrimento e conhecendo essa dor. Sabemos que chega a doer de verdade, entende que todo o choro é real, mas coisas fofas nos ajudam a trabalhar esse sofrimento.

O que eu gostaria de dividir com vocês é que ninguém pode parar essa dor, ninguém pode fazer você desligar e esquecer de um dia para outro, só você. A gente luta tanto diariamente e no final acabamos esquecendo que somos tão fortes e capazes de superar essas perdas.

Vai doer? Vai sim, vai muito.
Vou chorar? Vai sim, vai muito.
Vai passar? Vai sim.

A dor é passageira e ela nos dá algo que ninguém pode dar: a experiência. Ensine você mesmo a lidar com seus sentimentos, sejam eles bons ou ruins. Só você pode se ajudar.

22dez

Eu não preciso de você

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Natalie Portman em cena do filme Closer (2004), de Mike Nichols.

Você pode ler esse texto ao som de “Love, Love, Love“, do Of Monsters and Men. ♫

Por muito tempo achei que precisava de você, acreditei romanticamente que era você, mesmo sabendo de todas as nossas diferenças. Vi, por muito tempo, você me deixa de lado e quando eu ia embora, você voltava com medo de me perder pra sempre. Vi você sendo mais legal com todos e sendo rude comigo. Eu te observei tão de perto e cheguei à conclusão que não preciso de você.

É difícil tirar alguém da sua vida, é complicado esquecer uma pessoa e fingir que ela não existe, é cansativo, é chato, dói. Mas até quando continuaria doendo em mim enquanto te observava lidando com meu sentimento como se fosse qualquer coisa? Continuaria doendo até o momento que eu decidisse parar, decidisse tirar você daqui e deixar o espaço livre para conhecer outros lugares.

Dessa vez eu não chorei, não estou com aquela sensação que me tira a fome, mas me sinto derrotado. Não perdi para você, eu perdi para o meu sentimento, eu deixei que você ficasse indo e voltando como se a passagem da minha vida estivesse livre, como se a entrada fosse franca e você pudesse brincar à vontade. Eu perdi pra mim mesmo.

Se eu fosse analisar isso com um jogo, também teria perdido. Perdi, pois você sabe tudo que se passa na minha cabeça, você sabe tudo sobre meus sentimentos e eu não sei nada. Mais uma vez eu deixei que alguém fechado entrasse na minha vida e bagunçasse tudo. Eu falhei.

Mas como tudo é aprendizado eu coloco minhas falhas no papel e admiro-as por um segundo, depois amasso o papel e jogo fora. Sinto vergonha delas, sinto tristeza ao lembrar os meus erros, mas me sinto tão bem ao ter na minha mente a certeza de que eu não preciso de você, pois agora o desespero foi embora e deu lugar a solução.

Enquanto escrevo isso ainda penso na forma que direi que não quero mais tentar, não quero esperar e que não preciso de você. Acredito que por alguns dias vou me arrepender, mas logo passa. Uma vez passou, não lembra? Ai você voltou e tudo voltou junto, bagunçando meus sentimentos e minha vida. Mas faz parte, hoje contarei pra você que não preciso e não quero fazer parte da sua vida e que não quero que você faça parte da minha. E assim nós ficaremos felizes um dia, separados e felizes.

*Esse texto faz parte do projeto Eu, Você é Eles.

15dez

O poder de histórias como Jessica Jones

Postado por às em Feminismo, Relacionamento, Séries
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Jessica Jones, Netflix 2015

Terminei a primeira temporada de Jessica Jones, nova série da Marvel com Netflix e conversando com duas amigas sobre o que a série representou pra mim, conclui que tinha uma ideia completamente diferente sobre a personagem. Eu sou fã da Marvel, adoro filmes de heróis, porém não conhecia a história dessa série, conhecia vagamente a personagem e fui correr pro Google quando o nome Killgrave apareceu, eu precisava conhecer o potencial do vilão para entender as chances da nossa heroína. Nesse momento eu ainda acreditava que Jessica Jones se tratava de uma série sobre o universo dos heróis, com poderes ou algo mais real (ainda dentro desse universo) como Demolidor, mas não.

A história de Jessica Jones é sobre o universo Marvel, porém também é sobre relacionamentos abusivos e violência contra a mulher. A todo o momento a série faz referências aos episódios do último filme dos Vingadores, inclui uma personagem principal de Demolidor e nos insere no mundo da Marvel, mesmo sem fazer isso abertamente. A diferença desse para os outros projetos da Marvel é que Jessica não usa capa, não usa uniforme. Diferente dos outros ela tem medo de se machucar, vive fugindo do seu agressor, teme por seus amigos e por sua família, ela é como muitas mulheres.

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Krysten Ritter em imagem da série Jessica Jones, Netflix 2015.

Eu conheço algumas Jessicas Jones, mulheres que viveram num relacionamento abusivo e se tornaram menores apenas para continuar com suas vidas. Meninas mais jovens e mulheres mais velhas que já passaram por situações horríveis, de vergonha, de agressões e que conseguiram tirar aquele vilão de suas vidas. Elas são como a heroína da série, só que sem a super força, só precisam de coragem para procurar ajuda e aceitar que isso não é uma fatalidade ou motivo de vergonha.

Eu me considero feminista, acredito em todo tipo de luta por direitos iguais e acho que conteúdo como Jessica Jones é muito importante para o momento que estamos vivendo. Estamos entrando no ano de 2016 e ainda precisamos lembrar-nos de coisas simples como respeito, vida em sociedade e de violência contra mulher. Complicado, não é?

Na série, somos apresentados pela personagem título que ainda foge de seu grande agressor. Killgrave é o cara mau, porém é um tipo diferente de vilão, ele é aquele namorado agressivo que não aceitou o fim de seu relacionamento, ele ainda quer chamar atenção e ter “sua amada” de volta, mesmo que para isso tenha que usar a força. É disso que a série fala, sobre um relacionamento abusivo, querer ter o poder sobre uma pessoa, sobre fugir de medo, sobre ter e não ter coragem.

O importante de Jessica Jones não é só inserir mais um personagem no universo Marvel e sim mostrar que é possível lutar contra seus medos, sejam eles dentro ou fora de sua casa. Eu estranhei bastante o andamento de Jessica Jones, porém adorei a série e acredito que ainda precisamos de muitos conteúdos como esse.

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