/ sentimento

05abr

Você não merece isso

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Joseph Gordon-Levitt em cena de (500) Dias com Ela, de 2009

[Você pode ler esse texto ao som de Livewire, do Oh Wonder. ♫]

As vezes a gente se pergunta o motivo de estar em certa situação, de estar em certo relacionamento ou determinado lugar, mas antes mesmo de tentar uma resposta para nossa própria pergunta já sabemos lá no fundo que estamos ali por uma escolha nossa. Nossas ações nos levaram até aquele determinado lugar, nos guiaram até aquele ponto, só que as vezes nem percebemos isso.

É muito difícil lidar com nossos sentimentos, amar é algo tão complexo que não deveria ser tão fácil. Acredito que deveríamos estudar anos e anos e após isso ganhar a liberdade para viver um amor. Assim seria mais fácil, erraríamos menos, aproveitaríamos mais. Mas se fosse assim não seria vida, não é? É esse tal de livre-arbítrio que fode tudo.

Parece meio óbvio dizer isso aqui, mas sabemos que todas as nossas ações tem reações. Nós escolhemos quem vamos encontrar, quem vamos namorar e quem vamos casar. Nós escolhemos entrar num relacionamento, nós não merecemos, sabe? Decidimos e essas nossas escolhas acabam nos levando a certos lugares incríveis, mas, muitas vezes, também podem nos levar a dor. Estranho isso, né? Eu e você causando nossa própria dor.

Claro que não é de propósito que o ser humano acaba se causando dor, mas é algo natural. Certo dia você vai chorar e sofrer por amor, pensar que nunca mais amará alguém e acreditará que tudo está acabado. E o pior é que isso é completamente normal, não merecemos, mas é normal.

Um dia levantei da cama, pensativo e fiquei observando o nada da janela do meu apartamento, pensando na minha vida, nas minhas escolhas e em como fui parar ali. Aquele homem estava confuso e não sabia o que fazer, ele só não queria sofrer. Sentou em seu sofá, rabiscou um papel no escuro com uma mensagem fofa e guardou, depois disso repetiu pra si mesmo diversas vezes “Eu não mereço isso” e foi dormir. Enquanto ele não conseguia cair no sono continuava repetir a frase “Eu não mereço isso” até que finalmente dormiu. E ao acordar a primeira palavra que disse foi a última que pensou.

O fato é que nossas escolhas nos levam a vários lugares, incluindo aqueles que não gostaríamos de estar. Sabemos que nem são tudo são flores e precisamos entender como andar por esses caminhos mais complicados, pois a culpa é nossa sim, mas fugir do sofrimento é besteira. É como se acovardar e mentir para si mesmo.

Nós não merecemos sofrer e estar numa relação infeliz, não merecemos a ingratidão ou traição. Apenas escolhemos entrar nesses caminhos, pois acreditamos que poderia ser dessa vez e em certos momentos até falamos o famoso “agora vai!”, mesmo quando não vamos a lugar nenhum.

Todo mundo merece ser feliz, independente de ter alguém ou não. Só precisamos fazer as escolhas certas e não as óbvias.

12fev

Essas nossas idas e vindas

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Felicity Jones e Anton Yelchin em cena de Loucamente Apaixonados, de 2011.

[Você pode ler esse texto ao som de Half The World Away, da AURORA]

Nós tínhamos uma história, essa relação que existe de tempos em tempos nos fazia sorrir, nos deixava bem, nos preenchida um pouco e tirava aqueles sorrisos bobos em vários momentos do dia, nós estávamos escrevendo algo juntos.

O tempo foi passando e nossas diferenças foram ficando cada vez mais explicitas, mesmo assim queríamos continuar, tentamos e tentamos, pois acreditávamos que tudo isso valeria a pena um dia. Mas nossas vidas foram tomando rumos diferentes e começaram a ser preenchidas com coisas que não imaginávamos, mesmo assim continuamos tentando, daquele jeito meio sem entender o motivo, mas estávamos nós lá, não tão firmes e não tão fortes.

Muitos dias e noites sem nos ver, alguns dias sem trocar palavras de amor, sem trocar mensagens fofas, sem trocar mensagens. Passavam semanas e voltávamos a nos falar, ainda não era estranho, era confortante estar com você e falar sobre amenidades, você falava das suas músicas e eu dos meus filmes, ainda conseguíamos dividir algumas coisas.

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Até que um dia eu acordo e não penso em você. Do outro lado está você abrindo os olhos numa manhã clara pensando na vida, pensando na sua vida sem eu nela. Não que você quisesse ter me esquecido, você simplesmente esqueceu. E a mesma coisa aconteceu desse lado, eu te esqueci. Paramos de pensar um no outro, paramos de escrever aquele “bom dia” despretensioso.

Algum tempo depois, meses ou semanas não sei direito, estávamos novamente sendo o que éramos antes. Jogando conversa fora, falando de música, de filmes ou de livros. E falando de nós. Voltamos a ser o aquele dupla de sempre, pensamos no futuro e fizemos alguns planos, mas ainda vivíamos longe e isso não ajudava em nada.

Mais uma vez começamos a nos distanciar e pior que isso, nos estranhar. Ninguém tomava decisões, ambos viviam suas vidas separadas e lembravam-se do outro de vez em quando. Lembravam um do outro quando precisavam se sentir bem, quando queriam atenção, amor carinho, esperança…

Essa nossa relação não acabou e não vai acabar tão cedo, é mais ou menos um carrossel que só vai parar de girar quando um dos dois quiser descer ou quando os dois tomarem essa decisão juntos. Descer do carrossel e seguir a vida.

29set

O problema não sou eu

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Logan Lerman e Emma Watson em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

[Escrevi esse texto enquanto escutava três músicas, pode ler ouvindo qualquer uma delas: Trusty and true, My Favourite Faded Fantasy e Colour me In ♫]

Um dia você me disse aquela frase que escutei algumas vezes. Sim, aquela mesma frase que as pessoas falam para as outras quando não sabem o que falar. Você me disse isso. Minha primeira reação foi falar “nunca diga isso a mais ninguém, por favor. As pessoas não merecem escutar isso.”, essa foi minha reposta. Eu não sabia o que responder, fiquei pensando em tudo, principalmente em tudo que você disse que não poderíamos perder e ainda não sabia qual seria minha reposta. Eu não tinha uma resposta.

Eu fui tudo que você queria que eu fosse, fui elogiado por você, fui aquele cara legal que – mesmo não amando você – cuidou de ti. Eu fui aquilo que você precisava, aquilo que te deixava feliz, fui sua saudade e (tenho certeza disso) fui por muitos momentos o motivo da sua felicidade. Fui muita coisa e mesmo não sendo nada, fui tudo que eu poderia ser.

Hoje, quando eu quero ser tudo que você queria que eu fosse, você quer que eu seja nada. Você não quer nada. E me fala aquela frase que já escutei várias vezes. Logo você, que eu cuidei. Logo você.

Hoje eu converso com amigos discutindo sobre tudo que passei, perguntando sobre todos meus erros e todos eles repetem em voz alta a frase “você não errou em nada”, mas mesmo assim eu acredito que errei. Não sei onde, mas acho que foi em algum lugar. Que lugar? Não sei qual foi.

Pode ser que por um tempo você foi aquela fantasia da minha mente. Eu te deixei lá por um bocado, vivendo em meus pensamentos. Errei? Claro, já te disse isso! Te disse centenas de vezes e recebi como resposta “eu não ligava pra isso”, mas não era verdade.

Eu nem sei mais como me portar, de tantos erros que cometi. Eu só sei ficar quieto, esperando o nosso próximo passo, sem saber pra qual lado andar, pra qual lado errar. Mas, ao mesmo tempo em que penso isso, eu vejo o quão bobo é errar. Todo mundo errou nesse dia, nessa semana, nesse mês. Eu errei demais nos últimos tempos, mas quem não fez isso? Ninguém.

LOGAN LERMAN stars in THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER Ph: John Bramley © 2011 Summit Entertainment, LLC. All rights reserved.

Logan Lerman em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

O problema é que já escrevi sobre isso e você nem leu. Falei sobre tudo que a gente carrega ou carregou na vida, falei sobre seus medos e suas musicas, sobre seus amigos e inimigos, sobre suas fantasias e sobre seus desejos. Você nem sabe que eu aceito todos eles. Você não sabe de nada. E nesse “não sei de nada” acaba me falando aquela frase. Sim, aquela frase que já escutei de algumas pessoas, aquela frase que me fere de um modo que ninguém sabe como explicar. Aquela frase.

Eu sou muito confuso, sou muito medroso e por vezes sou muito “no muro”, mas sou aquele cara completamente fiel ao que sinto. Eu sou taurino com ascendente em áries, sou um problema como Che Guevara foi (mesmo que toda minha revolução seja no amor). Eu sou aquela pessoa de antes, eu não escondo meus erros, não esqueço os sorrisos, eu aprendo com eles. Eu não sou um problema.

Tenho certeza que o problema não sou eu. Eu fui (sempre) tudo que eu deveria ser. TUDO! E por isso a última coisa que deveria escutar é isso. Estou puxando tudo, tudo mesmo, que aconteceu entre nós e realmente o problema não sou eu. Não sou. Esse problema. E mesmo assim aquela frase ecoa pela minha cabeça, aquela frase que já escutei várias vezes. Sim, a frase que você me disse.

E agora, eu não sei o que fazer. A única coisa que sei é que realmente o problema não sou eu. Hoje eu tenho certeza disso. Eu sou a solução, não o problema. Eu não sou o problema.

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