/ Silva

18fev

Quando você voltar

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Ryan Gosling e Rachel McAdams em cena de O Diário de uma Paixão, de 2004

[Você pode ler esse texto ao som de Se Ela Voltar, do Silva]

Você chegou e saiu da minha vida muitas vezes que até perdi a conta. Até ficaram naturais os nossos desentendimentos, a nossa falta de vontade de tentar. Mas depois tudo mudava e lá estávamos nós fazendo planos juntos e tentando continuar com aquela parceria que conhecemos bem. Era fácil ter você por perto, era difícil ficar longe, mas ao mesmo tempo era sadia essa separação, era racional.

Ainda não sei se você partiu, se vai voltar ou só está pensando em como seriam as coisas se não ficássemos juntos, a única coisa que eu sei é que ficarei parado apenas observando esse caminhar das nossas vidas. Não vou te ligar ou pedir que você fique, não farei dramas tentando te reconquistar. Mas continuarei aqui.

Estarei aqui esperando ouvir o barulho do portão, esperando aquela notificação de mensagem no celular, aguardando você tocar a campainha e me dar um sorriso quando eu abrir a porta. E isso não é um jogo, eu não quero jogar com você ou te deixar sozinho para que volte, eu só quero dar meu tempo e me deixar bem. Pois eu preciso pensar em como seria minha vida sem você e imaginar que isso seria bom.

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Você pode pensar que isso faz parte do meu orgulho ou daquele medo de tentar, mas quando o assunto é você eu não tenho nenhum dos dois. Deixo meu orgulho de lado e todo medo vai embora, pois eu tenho certeza do que quero, mas enquanto você não tem essa certeza eu não posso fazer nada… A não ser esperar. E eu estou aqui, esperando.

Talvez um dia eu não queira mais esperar e você não volte, isso pode acontecer. Não sei se seria triste, pois outras coisas aconteceriam e colocariam outros pensamentos em nossa cabeça, outras pessoas em nossas vidas. Mas talvez você volte e mostre que esse sentimento que temos é algo maior do que apenas uma amizade. E olha que somos bons amigos.

Quando você voltar eu darei um sorriso largo e abrirei meus braços pra te encaixar em mim, pra fazer de nós dois um só por aquele momento. Quando você voltar eu vou rir das suas piadas bobas que ninguém acha graça, olharei pra você e direi aquelas palavras. Mas se você não voltar, eu não farei nada.

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Não podemos nos perder

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Billy Crystal e Meg Ryan em cena de Harry e Sally – Feitos Um para o Outro, de 1989.

[Você pode ler esse texto ao som de Janeiro, do SILVA]

Há muito tempo estamos nessa relação estranha, onde os dois se gostam e andam por caminhos diferentes. Há muito tempo nos gostamos, guardamos segredo com medo de contar para o outro e mostrar nossa fraqueza. Há muito tempo tenho sido burro pois o medo de te perder faz com que eu não tenha nada, ele é a causa do nosso distanciamento.

Demorei demais para perceber isso e chegar  na simples conclusão: eu escolhi você. Não escolhi numa prateleira, muito pelo contrário. Te escolhi aqui do meu lado, olhando para tudo que vivemos e tudo que somos. Ao mesmo tempo que eu estava excitado com tudo que sentia, morria de medo e pensava em como te dizer isso, o medo de perder o que tínhamos era maior que o sentimento que eu tinha por você. E isso me fez entender o quanto eu estava errando em não decidir pelo óbvio. Você é óbvio, é tudo que eu sempre quis há muito tempo e estava aqui pra mim.

As pessoas falam que o amor é cego e eu até acredito nisso, mas eu quero que você saiba que mesmo ele sendo cego, hoje enxergo tudo com uma claridade tão perfeita. Por isso não quero ver o passado como um tempo perdido, quero tirar uma lição de tudo que passou para viver os nossos próximos passos. Dessa vez, eu não quero que você seja um episódio da minha vida, quero você como um capítulo completo, como uma história sem final, quero você de verdade.

Já te contei tudo que escrevi acima mas ainda acho que você não acredita em mim, nessa minha mudança repentina, mas a verdade é que não foi uma mudança, foi mais um acordar. Não te contei antes, pois não sabia como fazer isso, era confuso e eu precisava esperar o tempo certo, não queria errar com você ou comigo. Hoje, te dou um tempo que precisa, mas penso que não devemos demorar para começar essa história, pois podemos nos perder no caminho.

Hoje eu não tenho mais medo, você não sabe mas já falei isso em voz alta e já dividi essa minha excitação com algumas pessoas e estou tão feliz por isso. Espero que nada mude o que estou sentindo agora, pois me deixa com uma sensação tão calma, tão leve.

O orgulho que me fez esconder o sentimento durante todo esse tempo foi embora e espero que ele não tenha atrapalhado muito a nossa relação, pois hoje estou aqui pra você e por você e nada vai atrapalhar isso. Hoje aposto todas as minhas fichas na gente e espero ganharmos muito com isso.

Não sei por que demorei tanto para perceber que somos um do outro, que somos uma dupla incrível, mas eu percebi e agora posso dizer com todas as letras que te quero e te espero. Só peço que não demore pra ver que tudo isso é real e que a felicidade está na nossa frente, disposta e disponível.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

10ago

Algumas lembranças são diferentes

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Anne Hathaway e Jim Sturgess em cena do filme Um Dia, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de Eu Me Lembro, da Clarice Falcão com o Silva ♫]

Você lembra quando conheceu seu namorado ou namorada? O modo como olhou naquela primeira vez? Você lembra do sorriso que deu e se recebeu aquele riso tímido de volta? Eu me lembro.

Lembro que andava pela avenida mais famosa da cidade até que avistei você, que me olhava mais do que era normal. Mas eu não ligava, devolvia o olhar com toda a força que podia, como se minha timidez tivesse ido embora com vergonha dos seus olhares. Eu me lembro de tudo. Do primeiro “eu te amo”, até o último adeus. Lembro que você falava que não importava para quantos havíamos dito “eu te amo”, você acreditava que esse sentimento poderia existir por um dia ou também por anos. Eu lembro que sempre discordava de você.

Eu me lembro daquela nossa viagem. Da minha loucura em aceitar passar uns dias com você, sendo que mal te conhecia. Estávamos juntos há algumas semanas e, mesmo assim, eu aceitei te seguir em uma de suas viagens. Loucura, não é?

Eu me lembro de uma de nossas brigas, daqueles dias sem se falar que foram interrompidos por um simples “oi” e acabaram por aí. Lembro de tudo.

Lembro-me também do nosso último encontro. Foi anos depois de todas essas lembranças que listei acima e esse encontro automaticamente se juntou a elas, pois nunca esquecerei que você não se lembrou que não viveu nada daquilo que eu havia vivido.

Quando te perguntei do dia que nos conhecemos, você sorriu e resumiu aquilo em algumas poucas palavras e quando falou da nossa viagem, disse “fomos pra onde mesmo?”. Foi estranho saber que você não dividia nenhuma lembrança comigo, era como se eu tivesse experimentado tudo aquilo sozinho, era como se você não estivesse presente. Parece que eu havia sumido de suas memórias.

Depois dessa nossa última conversa parei para pensar sobre o quanto as lembranças são diferentes para diversas pessoas. É como naquela música do Silva com a Clarice Falcão, você se lembra de algo e eu me lembro de outro. Naquele momento que nos conhecemos tivemos experiências completamente diferentes, mas acho que elas funcionam de acordo com nossas vidas. O que você acha?

Agora eu sei que algumas lembranças são diferentes, ou melhor, sei que nós lembramos de maneiras diferentes. No meu caso acredito que gero um romance excessivo em cima daquelas lembranças, principalmente por que são as únicas coisas que ainda tenho de você. E por isso as vivo ao máximo e dou mais brilho para essas histórias. É como se sua folha de lembranças ainda estivesse preto e branco e a minha toda colorida.

Acho que deixo minha lembranças mais bonitas. E você, faz o que com as suas?

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