/ solidão

29set

O problema não sou eu

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Logan Lerman e Emma Watson em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

[Escrevi esse texto enquanto escutava três músicas, pode ler ouvindo qualquer uma delas: Trusty and true, My Favourite Faded Fantasy e Colour me In ♫]

Um dia você me disse aquela frase que escutei algumas vezes. Sim, aquela mesma frase que as pessoas falam para as outras quando não sabem o que falar. Você me disse isso. Minha primeira reação foi falar “nunca diga isso a mais ninguém, por favor. As pessoas não merecem escutar isso.”, essa foi minha reposta. Eu não sabia o que responder, fiquei pensando em tudo, principalmente em tudo que você disse que não poderíamos perder e ainda não sabia qual seria minha reposta. Eu não tinha uma resposta.

Eu fui tudo que você queria que eu fosse, fui elogiado por você, fui aquele cara legal que – mesmo não amando você – cuidou de ti. Eu fui aquilo que você precisava, aquilo que te deixava feliz, fui sua saudade e (tenho certeza disso) fui por muitos momentos o motivo da sua felicidade. Fui muita coisa e mesmo não sendo nada, fui tudo que eu poderia ser.

Hoje, quando eu quero ser tudo que você queria que eu fosse, você quer que eu seja nada. Você não quer nada. E me fala aquela frase que já escutei várias vezes. Logo você, que eu cuidei. Logo você.

Hoje eu converso com amigos discutindo sobre tudo que passei, perguntando sobre todos meus erros e todos eles repetem em voz alta a frase “você não errou em nada”, mas mesmo assim eu acredito que errei. Não sei onde, mas acho que foi em algum lugar. Que lugar? Não sei qual foi.

Pode ser que por um tempo você foi aquela fantasia da minha mente. Eu te deixei lá por um bocado, vivendo em meus pensamentos. Errei? Claro, já te disse isso! Te disse centenas de vezes e recebi como resposta “eu não ligava pra isso”, mas não era verdade.

Eu nem sei mais como me portar, de tantos erros que cometi. Eu só sei ficar quieto, esperando o nosso próximo passo, sem saber pra qual lado andar, pra qual lado errar. Mas, ao mesmo tempo em que penso isso, eu vejo o quão bobo é errar. Todo mundo errou nesse dia, nessa semana, nesse mês. Eu errei demais nos últimos tempos, mas quem não fez isso? Ninguém.

LOGAN LERMAN stars in THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER Ph: John Bramley © 2011 Summit Entertainment, LLC. All rights reserved.

Logan Lerman em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

O problema é que já escrevi sobre isso e você nem leu. Falei sobre tudo que a gente carrega ou carregou na vida, falei sobre seus medos e suas musicas, sobre seus amigos e inimigos, sobre suas fantasias e sobre seus desejos. Você nem sabe que eu aceito todos eles. Você não sabe de nada. E nesse “não sei de nada” acaba me falando aquela frase. Sim, aquela frase que já escutei de algumas pessoas, aquela frase que me fere de um modo que ninguém sabe como explicar. Aquela frase.

Eu sou muito confuso, sou muito medroso e por vezes sou muito “no muro”, mas sou aquele cara completamente fiel ao que sinto. Eu sou taurino com ascendente em áries, sou um problema como Che Guevara foi (mesmo que toda minha revolução seja no amor). Eu sou aquela pessoa de antes, eu não escondo meus erros, não esqueço os sorrisos, eu aprendo com eles. Eu não sou um problema.

Tenho certeza que o problema não sou eu. Eu fui (sempre) tudo que eu deveria ser. TUDO! E por isso a última coisa que deveria escutar é isso. Estou puxando tudo, tudo mesmo, que aconteceu entre nós e realmente o problema não sou eu. Não sou. Esse problema. E mesmo assim aquela frase ecoa pela minha cabeça, aquela frase que já escutei várias vezes. Sim, a frase que você me disse.

E agora, eu não sei o que fazer. A única coisa que sei é que realmente o problema não sou eu. Hoje eu tenho certeza disso. Eu sou a solução, não o problema. Eu não sou o problema.

21jul

De tanto se desapegar, ele ficou sozinho

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Guillaume Canet e Keira Knightley em cena do filme Apenas uma Noite, 2012

[Você pode ler esse texto ao som de First of the Gang to Die, do Morrissey ♫]

Ele era assim, nunca precisava de ninguém e nunca contava com os outros. Era muito independente e fazia tudo que queria na hora que desejasse. Ninguém que entrou em sua vida conseguiu fazer com que se apegasse e se apaixonasse. Ninguém nunca conseguiu que ele ficasse.

Ele tinha vários relacionamentos, conhecia todo mundo e era sempre rodeado de amigos, mas sempre foi muito autossuficiente, sabe? Pra ele tanto faz se você estava junto ou não. O que realmente importava era si próprio.

Todos achavam incrível essa capacidade dele de ser feliz sozinho, era lindo aos olhos de todos. Ele tinha namorados e namoradas, ficantes e casos, ele tinha todos e ao mesmo tempo não tinha nada, era assim que vivia esse rapaz.

Sua capacidade de desapego era tanta que a fama foi crescendo e assim foi ele foi conhecido. Os rapazes e as garotas com quem ele ficava se empolgavam com aquele jeito. E era essa sua maior arma de sedução, o desapego.

Ele sempre foi muito sincero, não queria nada demais, o que importava era seu amor próprio. Para ele, aquela felicidade instantânea e aquele desejo de ser feliz em todos os diferentes momentos eram incríveis, nada conseguiria pagar. Ele era fugaz, audaz, ele era completamente líquido.

Um dia o nosso incrível rapaz pegou seu celular e rolou os contatos pelo Whatssap, viu tanta gente e ao mesmo tempo não viu nada. Viu memórias perdidas que nunca foram fotografadas, viu que toda sua vida parecida ter sido roubada.

Ele conhecia tanta gente e ao mesmo tempo não conhecia ninguém. Ele tinha 300 desconhecidos entre os contatos de celular e 700 amigos que não conhecia no Facebook, mas que davam like em tudo que ele postava.

Ele compartilhava muita coisa com muita gente e ao mesmo tempo não compartilhava nada.

02jul

Você reclama que está sozinho, mas isso é o que mais quer

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Julia Roberts e Jude Law em cena do filme Closer, de 2004

Na semana passada eu escrevi aqui no blog, pegando o filme Medianeras como exemplo, sobre como usamos a internet para nos relacionar (veja aqui) e como falhamos em quebrar nossas próprias medianeras e viver sem elas. E hoje estava no Twitter e vi uma frase famosa: “frio e cobertor, só falta o mozão“, que poderia se trocada facilmente por “calor e cerveja, só falta a companhia“, se estivéssemos no verão. Eu nunca cheguei a postar coisas assim, não por que nunca estive carente e sim por não querer tornar público a minha carência. Nesse ponto gosto de ser mais reservado, faz parte do meu jeitinho.

Se você olhar para o seu grupo de amigos, verá que vários deles querem um “mozão”, uma companhia para beber cerveja, alguém para preparar um almoço ou uma pessoa legal para dividir a conta num jantar. Pergunta aí para a pessoa do seu lado. Ela quer? Eu acho você também quer. Eu quero! E aquela pessoa que senta ao meu lado no trabalho também. Um amigo meu quer, mas ao mesmo tempo ele quer ser livre, não quer um compromisso.

O ser humano é um animal tão sem sorte que consegue querer, ao mesmo tempo, duas coisas completamente distintas. Ele quer estar junto e quer ser livre. Quer ter uma companhia e não quer ter um compromisso. E esse medo do compromisso faz com que a gente (eu também, tá?) fuja daquela pessoa que possa querer algo sério.

Esses dias escutei de uma pessoa uma frase que me deixou bastante pensativo, a frase foi: “Sempre que vejo que vou me apaixonar por alguém, eu vou embora. Não consigo lidar com isso“. As pessoas tem tanto medo de sofrer que acabam adiantando o sofrimento, bizarro né? A gente sofre para não sofrer e chora para não chorar. As pessoas estão fugindo com medo do amor. Como fomos chegar nesse ponto?

A Jout Jout falou sobre isso em um dos seus vídeos, eu adorei e me vi muitas vezes ali. Eu não sou (ainda) aquele cara que não tem medo. Eu ainda tenho muito medo. Imagina que eu vou colocar tempo, que é o meu maior bem, em uma pessoa que ainda me deixa com dúvidas? Eu tenho sim medo de sofrer e isso me deixa longe de relacionamentos. Isso me faz acaba-los antes mesmo de começar.

Me fala, quantos primeiros, segundos e terceiros encontros você teve que foram legais? Eu tive alguns e não deram em nada depois, em alguns eu tentei em outros não. Fiquei parado, fiquei pensando, fiquei com medo.

O fato é que nós estamos cada vez mais reclamando de passar frio sozinho ou de não ter ninguém para dividir a cerveja no calor e não estamos fazendo nada para isso mudar, pois queremos nossa liberdade. Foda né?

Será que a liberdade pode existir quando estamos juntos? Ou ainda, o medo deixará de nos atrapalhar? Isso parece tão bobo no texto, mas é tão sério na vida.

03jun

Precisamos falar sobre os sinais

Postado por às em Eu Você e Eles, Relacionamento
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Justin Long e Ginnifer Goodwin em cena de Ele Não Está Tão a Fim de Você, de 2009

[Você pode ler esse texto ao som de Um Só da Clarice Falcão ♫]

Quero muito dividir algo com você, uma coisa que seus amigos já falaram, mas você não escutou. Sei que agora você está sofrendo e pensando que poderia ter sido diferente, que poderia ter dado certo, que poderia ter uma segunda chance, que as coisas seriam boas de novo. Mas não.

Você fez tudo que poderia ter sido feito, foi tudo que deveria ser e sabe disso. Você errou? Sim, quando não se protegeu.

Uma coisa temos que combinar: você sabia que estava acabando.

Você sempre soube que ia acabar, sabe por quê? Nada acontece de um dia para outro. Você só não queria aceitar, não queria ver os detalhes ou não entendeu os sinais. Na verdade, a parte de não entender os sinais poderia ser substituída por “não queria entender os sinais”, pois quando acaba não é só de um lado, os dois lados rompem.

Não estou dizendo que a partir do momento que o outro foi embora você deixou de amar, você não deixou! Você lutou até o último segundo, você brigou até o último adeus, até aquele último toque das mãos e chorou. Você chorou por dias, por meses, eu sei que você sofreu, mas também sei que você sempre soube e hoje você também sabe. Tudo sempre foi muito claro.

Quando algo está acabando não é do dia para outro, uma pessoa não acorda e pensa “o que estou fazendo da vida?” e resolve mudar. Mudanças levam tempo. Claro que esse tempo pode ser uma semana, um mês ou até um ano. Mas esse período é um aviso para que você possa se proteger.

Ser o lado que quebra é sempre mais difícil. Você desaba, fica o pó e vê como o outro consegue refazer sua nova vida rápido (sem você). Você se culpa, o culpa e passa seus dias esperando algo, mas você sempre soube que isso aconteceria. Ou melhor, você sempre soube que isso poderia acontecer e não fez nada.

Escrevo isso pra você como se tivesse puxando sua orelha e falando “fique de olho nos sinais”, mas esse texto na verdade é pra mim. Escrevo enquanto percebo todos os sinais que decidi ignorar, todos os detalhes importantes deixados de lado, todos os momentos que deveria ter acabado com tudo.

Hoje é tarde para perceber isso? Talvez sim, talvez não. O sofrimento já passou e você pode se perdoar pelo erro e seguir em frente. Ou você pode escrever…

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

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