/ tristeza

24set

Ninguém é culpado pelo fim

Postado por às em Relacionamento
Cena do filme Ponte Aérea, 2015

Cena do filme Ponte Aérea, 2015

[Você pode ler esse texto ao som de Thinking out Loud, do Ed Sheeran]

Parece que aquele dia que fomos ver Ponte Aérea foi uma premonição, afinal desde o começo a gente sabia sobre os riscos e resolveu mesmo assim se aventurar, como eu sai do filme debulhada em lágrimas parece mesmo uma visão, por que foi desse mesmo jeito quando o fim chegou, soluçando e tentando esconder o choro copioso e dolorido.

Lembro até hoje quando o filme terminou eu encontrei uma amiga no meio do caminho do banheiro, onde eu buscava abrigo e esconder a emoção e o choro provocado pelo filme, eu passei correndo dei um oi e corri, mas ontem, não tinha lugar pra eu me esconder. Era só eu, você e a nossa decisão.

Quando eu conto da nossa decisão as pessoas me chamam de louca, nos chamam de loucos, por que como podemos considerar uma atitude tão radical assim e sofrer tanto pensando em algo que pode mudar, pode sofrer inúmeras variações e não ser o que tentamos evitar?

A resposta é que eu não sei, só sei o que eu estou sentindo e que de certa forma toda essa situação é boa, por que eu achava que eu estava perdida, que nunca jamais eu amaria novamente, que eu estava destinada a viver com um coração duro, quase impenetrável, mas agora eu sofro, dói e não é só uma dor sentimental, é uma dor física, coisa que eu nem sabia que poderia sentir, ou que existia.

Hoje eu ouvi aquela música do Queen “Love of my life” que pipocou na timeline por causa do Rock in Rio e eu prestei atenção na letra e puta que pariu, segurei forte a lagriminha aqui, mas ai eu lembrei que eu aprendi que tenho que ser forte, então, eu mudei a playlist e bora enfrentar a vida que segue.

21set

Até que ponto suas convicções pessoais podem interferir no seu relacionamento?

Postado por às em Amizade, Amor, Relacionamento
SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 005

Hugh Grant e Martine McCutcheon em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

[Você pode ler esse texto ao som de Você e a Brisa, de Dimitri BR & Cristina Flores]

Acho que todos nós chegamos num ponto em que estamos prestando atenção demais nas diferenças que temos com a pessoa amada, são religiões, gostos diferentes, ideologia política e por ai vai. Eu acredito que ser diferente é bom, você aprende muita coisa com o outro e divide outras dezenas. Mas às vezes suas convicções pessoais podem interferir naquele seu relacionamento.

Eu sou uma pessoa ciente das coisas que gosto e daquilo que não gosto, e isso faz parte de mim, aliás, faz parte de todos nós, principalmente quando somos adultos. E essas nossas convicções podem deixar pontos de interrogação em nossos relacionamentos. Elas podem atrapalhar ao mesmo tempo que podem ajudar. Tipo, desde aquela coisa boba de “enquanto ele escuta indie, eu escuto pop” até as mais sérias como “enquanto eu quero morar fora, ele não quer sair do Brasil”.

Todos nós somos diferentes, temos vidas completamente distintas, mas quando estamos num relacionamento queremos algo em dupla, algo que seja para dividir, não é mesmo? Se chegar ao momento em que a divisão para e apenas uma pessoa recebe da outra, a relação não funciona e deixa de existir aquela cumplicidade, aquela troca. Acredito que você que está lendo isso tem um amigo que quando começou a namorar mudou toda sua vida, deixou de ser ele mesmo para se tornar o outro. Fez novos amigos, mudou seu jeito de se vestir, mudou suas prioridades e seus gostos, ele acabou deixando de ser aquela pessoa que era. Eu não acho isso ruim, de modo algum, se a pessoa está feliz é isso que importa. Mas até quando você vai mudar só para agradar alguém?

SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 008

Martine McCutcheon e Hugh Grant em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

Esses dias uma amiga me ligou dizendo que havia terminado seu namoro, minha primeira reação foi aquele choque, seguido da tristeza compartilhada. Mas fiquei mais impressionado ainda com o motivo do término: eles são muito diferentes. Ao perguntar, para essa minha amiga, o que ela queria recebi como resposta: “eu queria ele”. Na hora pensei e falei “ser adulto é uma bosta, né?”. Os dois se amam, mas são tão diferentes que não conseguem enxergar um futuro compartilhado, um futuro em que os dois consigam viver suas vidas separadas e juntas ao mesmo tempo.

Analisando essa situação da minha amiga, fiquei pensando o quanto não sou assim, racional. Eu sou emocional, se for pra sofrer mais tarde eu posso adiar numa boa esse sofrimento. No caso dela não, preferiu ficar triste agora e lidar com isso de uma forma racional, enquanto não é tarde demais. Claro que nunca é tarde demais, mas podemos concordar que com o tempo as relações vão ficando mais sérias e maduras. Ela (e ele também) colocou suas convicções pessoais, sua experiência de vida, seu desejo de um futuro conforme o planejado, na frente desse amor, desse relacionamento. Difícil, não é?

Eu já tive uma relação em que era completamente diferente do outro, nós tínhamos pensamentos diferentes, gostos diferentes, visões para o futuro diferentes, era tudo diferente. Às vezes eu olhava pra ele e pensava “o que estou fazendo aqui?”, mas ele sorria e essa confusão passava. Até o dia que cheguei a uma decisão e terminei a relação. Eu não sei se essa minha decisão em terminar foi apenas por nossas visíveis diferenças, mas algumas coisas me deixavam com raiva, sabe? Como se eu não pudesse mais suportar aquilo, mas depois passava. A convivência é complicada demais.

Eu não sou do tipo que mudo pelo outro, nem pediria que uma pessoa mudasse por mim. Acho lindo a relação de amizade por causa disso, a gente não tenta mudar o amigo, aceita ele como é. Você poderia ir ao restaurante japonês com seu amigo durante um ano, sem gostar muito de comida crua, mas conseguiria fazer isso com seu namorado? E depois de um ano todo comendo peixe cru vai virar pra ele e dizer “EU NUNCA GOSTEI DE SUSHI!” e terminar a relação? Por que aquele atum cru foi a gota d’agua! Brincadeiras à parte, pensem como a gente vem cheio de convicções para um relacionamento e elas podem acabar interferindo na construção de tudo? Mas uma vez repito: como ser adulto é complicado.

Estamos numa era em que o “eu” é mais importante que o “outro” (isso em alguns casos) e lidar com essas diferenças é tão difícil pra gente. Eu não sei como terminar esse texto, não sei se sou do time dos racionais (logicamente não sou, mas posso torcer pra eles?) ou se falaria pra todos agirem com o coração (como sempre faço).

Meu maior desejo hoje seria ser racional nas minhas escolhas e deixar que minhas convicções interferissem em todas as minhas relações, não só com namorados. E você, o que acha?

06ago

A vida é uma canção triste

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Oscar Isaac em cena do filme Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de The Professor, de Damien Rice ♫]

Quando era criança escutei uma pessoa chamar a outra de “infeliz”, ao ouvir isso virei para minha irmã mais velha e disse “nossa, mas o que é infeliz? Que xingamento bobo”, ela olhou pra mim e respondeu devagar “existe algo pior do que não ser feliz?”.

A partir desse momento eu sempre me pego pensando nisso e há vários anos venho sendo feliz em todos os momentos, sempre tento tirar algo legal ou bonito de tudo, independente qual seja aquela situação. Assim, venho me obrigando a ser feliz dia após dia, pois ser triste seria a pior coisa que existe.

Não sei acontece com todas as pessoas, mas ultimamente eu tenho pensado muito em como todo mundo anda infeliz. São problemas no trabalho, de relacionamento, com a família, com a sexualidade, com o dinheiro… São tantos problemas que geram tristezas que a gente nem consegue contar. Ainda mais se você for como eu, e fizer parte do seleto grupo de pessoas “alegremente melancólicas”. As coisas andam tão estranhas que chego a pensar que o mundo tem conspirado para nos deixar para baixo.

E não é só entre nós mesmos, é estranho a nossa relação com as pessoas ao redor, pois sempre que chegamos a um lugar e somos cumprimentados com um “Tudo bem?”, respondemos automaticamente “tudo e você?”, a pessoa confirma que está tudo bem com ela e pronto, acabou aquela pequena obrigação social. Você não queria saber se a pessoa estava bem e provavelmente ela também não estava nenhum pouco interessada em saber da sua vida, saúde ou dos seus problemas, ela só queria parecer educada e foi. E assim seguiu a vida dos dois.

Estranho isso, não é? As pessoas te obrigam a dizer como você está, mas ao mesmo tempo, não estão interessadas em saber. Pensa como é legal quando alguém olha pra você e questiona esse seu olhar vago, ou até aquele seu sorriso bobo. Mas as pessoas não ligam mais, elas (ou eu, você) estão completamente focadas na sua vida, nos seus problemas na sua canção interna.

Eu ainda levo muito em consideração o que minha irmã disse anos atrás, mas hoje eu acredito que a infelicidade faz parte da vida e que ela é essa canção triste que nos embala. Ela chega cheia de boas intenções, mas as vezes nos decepciona. Enquanto a letra que te cria expectativas, a melodia te coloca para baixo.

29mai

Vivendo sob o olhar imaginário do ausente

Postado por às em Eu Você e Eles, Relacionamento

 

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Hilary Swank e Gerard Butler em cena de P.S. Eu Te Amo, de 2008

[Você pode ler esse texto ao som de Give Me Love do Ed Sheeran ♫]

Acho todo mundo já passou por isso após terminar um relacionamento. Você ainda está conectado a pessoa, ainda espera que ela apareça de surpresa ou te encontre no metrô. Vai na livraria e passa por aquela sessão que ele mais gosta só pra tentar encontra-lo, ou apenas por que sente que ali poderia ser seu lugar também.

Estar (ou se sentir) conectado a alguém que não pensa mais em você é triste, é como viver sob os olhos imaginários de alguém que não existe.

Uma vez fiz um trabalho na faculdade onde tínhamos que transformar um dos contos de Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, em uma peça de rádio. Eu havia acabado de terminar um relacionamento e hoje penso o quanto participar disso fez bem para a evolução daquele sentimento.

Eu sequer imaginava que o final de um relacionamento tinha fases e que precisa colocar minha cabeça dentro d’água, ficar sem respirar para desejar o ar da mesma forma que desejaria a liberdade, para quando sentisse o ar entrando nos pulmões pudesse respirar a aliviado e não viver sob o olhar daquele que não me olha. O conto de Barthes fala exatamente sobre isso.

Não sei quantas vezes, chegando em casa após o trabalho, pensei em encontra-lo no portão me esperando e rever aquele sorriso. Eu olhava para os dois lados da rua como se estivesse sendo observado, andava como se ele estivesse logo ali e pensava que os olhos dele estavam mim, que me seguia na rua, que me via.

Hoje encaro isso como uma verdadeira bobagem. Eu estava tão conectado a ele que nem sequer prestava atenção na realidade, vivia sob a fantasia que era criada na minha imaginação. E olha que tenho uma imaginação bem fértil!

Claro que é fácil descartar esse sentimento agora que já passou, mas nunca diria que isso não voltará a acontecer. Posso me jogar num relacionamento e passar por isso de novo. O que sempre tentarei fazer é aprender com isso. Como disse em outro texto aqui no blog: “o errado dá certo no final, pois aprendemos com os relacionamentos passados e seguimos em frente.”

Viver sob os olhos imaginários de alguém que está ausente é muito romântico, é como voltar no tempo e ser um personagem das histórias clássicas, é como pensar: eu vivo de amor! É absolutamente lindo ao mesmo tempo que é incrivelmente triste. Mas o que seria da beleza se não existisse a tristeza?

A tristeza é linda.

*Este texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles

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