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06ago

A vida é uma canção triste

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Oscar Isaac em cena do filme Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de The Professor, de Damien Rice ♫]

Quando era criança escutei uma pessoa chamar a outra de “infeliz”, ao ouvir isso virei para minha irmã mais velha e disse “nossa, mas o que é infeliz? Que xingamento bobo”, ela olhou pra mim e respondeu devagar “existe algo pior do que não ser feliz?”.

A partir desse momento eu sempre me pego pensando nisso e há vários anos venho sendo feliz em todos os momentos, sempre tento tirar algo legal ou bonito de tudo, independente qual seja aquela situação. Assim, venho me obrigando a ser feliz dia após dia, pois ser triste seria a pior coisa que existe.

Não sei acontece com todas as pessoas, mas ultimamente eu tenho pensado muito em como todo mundo anda infeliz. São problemas no trabalho, de relacionamento, com a família, com a sexualidade, com o dinheiro… São tantos problemas que geram tristezas que a gente nem consegue contar. Ainda mais se você for como eu, e fizer parte do seleto grupo de pessoas “alegremente melancólicas”. As coisas andam tão estranhas que chego a pensar que o mundo tem conspirado para nos deixar para baixo.

E não é só entre nós mesmos, é estranho a nossa relação com as pessoas ao redor, pois sempre que chegamos a um lugar e somos cumprimentados com um “Tudo bem?”, respondemos automaticamente “tudo e você?”, a pessoa confirma que está tudo bem com ela e pronto, acabou aquela pequena obrigação social. Você não queria saber se a pessoa estava bem e provavelmente ela também não estava nenhum pouco interessada em saber da sua vida, saúde ou dos seus problemas, ela só queria parecer educada e foi. E assim seguiu a vida dos dois.

Estranho isso, não é? As pessoas te obrigam a dizer como você está, mas ao mesmo tempo, não estão interessadas em saber. Pensa como é legal quando alguém olha pra você e questiona esse seu olhar vago, ou até aquele seu sorriso bobo. Mas as pessoas não ligam mais, elas (ou eu, você) estão completamente focadas na sua vida, nos seus problemas na sua canção interna.

Eu ainda levo muito em consideração o que minha irmã disse anos atrás, mas hoje eu acredito que a infelicidade faz parte da vida e que ela é essa canção triste que nos embala. Ela chega cheia de boas intenções, mas as vezes nos decepciona. Enquanto a letra que te cria expectativas, a melodia te coloca para baixo.

28jul

A crise e o limbo existencial

Postado por às em a vida como ela é, Relacionamento

Sabe quando teu olhar se perde em algum ponto x em qualquer lugar e você não consegue piscar ou movimentar seu olho por que é uma sensação gostosa e bizarra ao mesmo tempo? Eu muitas vezes me pego nessa situação, em momentos da vida amorosa, carreira e até quando estou dirigindo.

Acho que no fundo todos sabemos dos nossos motivos para cada problema que enfrentamos diariamente, o exercício que eu faço para sair de limbo é a comparação, quando estou descontente com meu trabalho muitas vezes paro e analiso o atual cenário de crise econômica e penso quantas pessoas estão sem emprego ou sub empregadas, tento focar nos pontos positivos, não é fácil, mas ficar lendo textos de quem largou tudo pro alto e foi tirar um ano sabático não vai mudar nada.

Então eu olho ao redor e posso dizer que 80% das pessoas estão nesse carrossel: cansado do trabalho atual – cansado do relacionamento e não tem força para dar um basta, seguir um rumo diferente, como faz para ter coragem? Como largar o teu algoz que ao mesmo tempo é teu amor? Como se livrar das garras desse amor gostoso? risos.

Estão todos com os olhos parados no horizonte esperando algo mudar, ou não. Eu posso dizer que me encaixo em muitos casos e faço parte da equipe que não consegue desapegar, que não consegue jogar tudo pro alto e começar do zero, tanto no trabalho quanto no amor, eu gostaria de ter essa habilidade de tocar o “F” e começar tudo again and again mas não, eu insisto até o desgaste e ai quando o fim chega é pior, pois não há resquício nenhum de boas lembranças, eu não sei pra vocês, mas esse limbo é o começo do fim.

07jul

Como perder o medo de dirigir?

Postado por às em Você rica

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Eu sempre tive medo de dirigir, não tem origem, explicação ou trauma que explique o porquê de tanto medo e muitas vezes até mais que isso: pavor. Muitas vezes me peguei no lado do carona com medo ao observar o motorista dirigindo tranquilamente e eu ali com o coração na mão.

Eu tirei a minha habilitação tem mais de 5 anos, fiz todo o processo bem tranquila, passei na prova teórica, já na prática eu tive que tentar por 3 vezes e sempre ficava por pequenos detalhes, mas hoje eu tenho ciência que as auto escolas não preparam o motorista para a vida real. Depois de habilitada eu ensaiei algumas vezes pegar o carro, até chamei o Jader para sair e fomos bem para o shopping, fomos no cinema e durante o filme eu só pensava: “meu deus como eu vou tirar esse carro daqui?”, depois disso em algum momento eu paralisei e foram sei-lá, 4 anos sem dirigir.

Depois de todo esse tempo minha vida mudou muito, trabalho numa empresa longe de casa e demoro cerca de 2:30 para ir e mais 2:30 para voltar, pasmem, isso é insano. 3 anos nesse ritmo me fizeram repensar e tentar encarar o medo de dirigir, claro, outros fatores como: passeios limitados aos meios de transportes, falta de liberdade e conforto. Quantas vezes eu já demorei mais do que 3, 4 horas pra chegar em casa num dia de chuva? Quantas vezes eu já quis sentar no meio fio e chorar de raiva?

Então em 2015 eu botei na cabeça que meu único plano seria voltar a dirigir, todo mundo faz planos, metas para o ano, eu decidi colocar apenas 1 coisa na minha lista e focar completamente nisso. Então, partindo dessa meta eu tracei a estratégia para chegar no meu objetivo:

  • Pesquisar aulas para habilitados perto do meu trabalho
  • Contratar no mínimo 10 aulas
  • Fazer as aulas
  • Comprar um carro
  • Começar a fazer caminhos devagar, mas sempre

Com essas 5 coisas em mente eu comecei o meu plano no mesmo dia e já fui numa auto escola que me indicou um professor que atende aqui perto do meu trabalho, ou seja, o primeiro e mais difícil passo foi dado, o medo estava ali pulsante, mas a esperança de mudar foi maior. Eu liguei para o professor e marquei a primeira aula para aquele mesmo dia! OMG! eu já poderia partir para o segundo passo! Nem eu esperava tanta agilidade no processo e na proximidade de vencer esse medo.

No próximo post sobre esse tema eu conto mais sobre os outros passos do meu plano de conquistar o mundo, digo, voltar a dirigir.

Poucos sabem a felicidade que estou por esse fim de semana dirigindo pra todo lado ❤️? #budapest #music

Um vídeo publicado por Taína Sena (@tainasena) em

01jul

Pequenas misses e a frustração materna

Postado por às em televisão

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Eu posso dizer que sou uma mãe com uma cabeça bem aberta e pensamentos que vão contra muitas mães com quem eu convivo, eu não sei vocês, mas perdi umas horinhas para assistir o programa Pequenas Misses, transmitido no Brasil pelo canal pago Discovery H&H onde não suportei ver alguns comportamentos e me deu vontade de escrever sobre.

Lindas meninas com vestidos carregados de lantejoulas, brilhos e canutilhos, maquiagem carregada, unhas postiças e pasmem, dentadura, peruca, bronzeamento artificial, fazem parte do traje básico para um concurso de miss nos EUA.  Mães fazendo micagem para as crianças de 3 a 7 anos durante a apresentação, coisas como: “manda beijo pros jurados” “sorria” “dá uma volta” e outras que repetem as coreografias ensaiadas por semanas no intuito de fazer com que a filha copie e se saia melhor no concurso.

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Mas o que pega mesmo é ver o que essas pequenas mocinhas soltam durante o programa, eu tive a pachorra de anotar: “Uau! Eu sou melhor que elas”Sou melhor do que as outras” “Dinheirooo” ou quando não dá certo: “Ah eu fui muito ruim, não fiz nada certo”. Eu não entendo porque uma mãe submete uma criança a passar por esse tipo de exposição e principalmente por esse tipo de situação de julgamento, stress e sentimento de incapacidade e de comparação com as outras pequeninas.

“é um retrato cruel do tipo de relação que o mundo contemporâneo aponta para os pais estabelecerem com seus filhos” Rosely Sayão

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Em alguns casos também é possível observar que este tipo de tratamento desenvolveu na criança uma “personalidade” cheia de egoísmo, falta de educação e prepotência. Isso é bom para tua filha? Eu acredito que não. No fim vejo pais e mães frustrados e que colocam nas filhas todas as expectativas e sonhos frustrados, ignorando o real bem estar da criança, ignorando a possibilidade de ser uma atividade que nada agrega na vida de uma menina ou pior, que pode gerar um transtorno futuramente ou então ser um problema na educação da criança.

09jun

O que está acontecendo?

Postado por às em a vida como ela é

Sense8

[Você pode ler esse texto ao som de Whats up do 4 non Bolodes ♫]

Vira e mexe tem algum texto existencial bombando na minha timeline do facebook, aqueles que falam sobre uma “incrível geração blá blá blá” e pegam uma série de comportamentos e coloca tudo no mesmo saco e diz que todos estão tristes, insatisfeitos ou qualquer outra coisa que defina toda uma geração. Esses textos fazem sucesso, milhares de compartilhamentos, muitas opiniões e nada que chegue a alguma conclusão.

Eu li vários destes textos, me identifiquei em algumas partes, mas também me identifiquei nos outros textos que vieram para contrapor o primeiro e ai fica aquele nó na cabeça, o que está acontecendo?

Ai que a maioria do que aparece na minha linha do tempo é sobre como as pessoas estão insatisfeitas com os trabalhos e esses textos vem carregados de “sugestões” para reverter esse problema, mas eu não consigo enxergar nada que seja realmente efetivo e eu me pergunto mais uma vez: “o que está acontecendo?

Eu me encaixo e fico pensando por horas e horas como ser feliz, como amar meu trabalho, como encontrar e viver um grande amor, como ser uma mãe melhor, como ganhar mais dinheiro, como viajar para aquele lugar maravilhoso dos sonhos e acredito que ler estes textos não ajuda em nada.

Quantos de nós sentimos a mesma angústia quando pensamos na nossa idade e onde estamos, para onde vamos e onde gostaríamos de estar? E por que a nostalgia faz parte de tudo isso? Eu não sei explicar por quê, mas as vezes eu ouço músicas antigas e sinto aquela coisa de esperança com saudade, mas não sei explicar why, você vai entender se sentiu uma incrível energia durante a cena da série sense8 da Netflix, onde os 8 começam a cantar essa música, eu me senti cheia de nostalgia, até vontade de chorar e chorei, como se algo ali tivesse martelando na minha cabeça que as coisas no fim vão acabar bem.

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And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah
I said, hey! What’s goin’ on?
And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah, yeah, yeah
I said, hey! What’s going on?

 

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