/ a vida como ela é

14dez

Ninguém se importa

cadeira

Eu sempre fui muito boba em relação as minhas amizades e relacionamentos, eu sempre me preocupei demais, eu sempre fui a parte que cede, que não quer brigar, mas também vi que alguns casos eu sou a parte que se importa mais, e ver isso as vezes dá uma puta dor no coração.

São pequenas coisas, como por exemplo quando você sempre espera aquela sua amiga do trabalho pra almoçar no horário que ela precisa ou pra tomar café e num outro dia você observa que ela não faz questão de esperar caso você precise mudar de horário.

Também acontece quando um amigo te convida para fazer um programa e você sempre está disponível para curtir com ele, nos termos dele, mas quando o contrário acontece, a disponibilidade não é a mesma.

Não estou falando de grandes amizades, os exemplos acima são pequenas coisas que acontecem no dia-a-dia, relacionamentos que não são tão profundos, mas que são diários, necessários. Mas isso também acontece nos relacionamentos amorosos, quantas e quantas vezes você já fez o papel da pessoa que gosta mais? Convenhamos, sempre existe esse papel e claramente é a pessoa que mais sofre, mas também a que mais vive o amor.

E quando você faz questão de mandar mensagem, de avisar quando chega, de criar planos e pensar em lugares diferentes para ir no final de semana e de estar ali sempre disponível para o namoradinho, mas na verdade, ele nem está tão ligado assim? Ou não faz tanta questão? É difícil ser essa parte, é complicado tentar entender as pessoas, mas acredito que isso é reflexo de uma alta disponibilidade que no fundo é minha culpa, talvez eu devesse ser menos tranquila e pré-disposta, mas eu não sei mudar, quando eu gosto da pessoa, seja amigo, seja um amorzinho, eu quero agradar, eu quero ajudar, as vezes não funciona, mas quem se importa?

niguem

09dez

Deixe partir quem não quer ficar

Ryan Gosling e Michelle Williams em cena de Namorados Para Sempre, de 2010.

[Você pode ler esse texto ao som da música Sufoco, do Silva ♫]

Nunca pensei que te deixaria ir, que pararia de te procurar e teria em mente que não somos mais aquela dupla, que não somos mais parceiros. Nunca pensei que mesmo apaixonado por você eu não teria poder nenhum sobre essa relação. Hoje eu não tenho você quando quero e você só aparece quando tem vontade e assim nós ficamos. Cada um do seu lado, até você chegar e querer estar perto.

Pensei muito sobre nossa relação, de idas e vindas, e enquanto escutava uma música do Silva, entendi tudo. Eu me afoguei nesse tanto querer e essa vontade louca de ter você pra mim chegou a ser maior do que eu. E agora eu não só vou deixar você partir, eu vou partir. Vou tirar você daqui para deixar espaço para novas coisas, pessoas e experiências que podem me fazer bem. O espaço que você ocupa aqui dentro estará vazio, procurando se ocupar de algo que me faça bem, ou simplesmente se ocupará dos meus pensamentos bobos e ideias malucas, mas você não estará mais lá.

Essa ideia de querer alguém que não te quer é sufocante, chata e dolorida.

Já contei aqui sobre o quanto gosto de escrever sobre o amor não correspondido, sobre o quanto esse sentimento me da inspiração para criar novos textos e o quanto gosto disso, mas as pautas sobre você acabaram, você não é mais minha inspiração. Você não é mais “você”, agora já faz parte do “eles”, pois nosso capítulo está acabando.

Eu quis tanto estar com você, fiz de tudo para que desse certo, eu fui tudo que eu poderia ser e hoje não quero ser mais nada, na verdade eu quero apenas viver, não quero ficar parado enquanto tudo se move, enquanto o mundo muda. Pois em instantes não serei o mesmo e você continuará distante de mim. E por isso não tentarei mais nada, eu não quero sua sombra nos meus próximos relacionamentos, não quero você como objeto de decoração da minha vida.

Quando chegamos ao ponto de ser completamente verdadeiros com nós mesmos conseguimos nos livrar de sentimentos, coisas e pessoas que não estão nos fazendo bem, que estão nos deixando parados no tempo. Eu acreditava que seria triste deixar de gostar de você, que seria mais ou menos como enterrar o sentimento e eu odeio partidas, mas não é. A vida vai seguir e vou me apaixonar de novo. É como diz num episódio de Grey’s Anatomy, “O carrossel nunca para de girar. O carrossel não para de girar, e nós não queremos girar, e sim, seguir em frente.“, a frase é mais ou menos assim. Hoje eu chego à conclusão que precisamos seguir em frente, deixar o carrossel girando e não olhar pra trás.

19nov

A minha causa é mais importante que a sua?

Postado por às em a vida como ela é, Feminismo
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Charlize Theron em cena do filme Terra Fria, de 2005

[Você pode ler esse texto ao som de Survivor cantada pela Clarice Falcão ♫]

Ontem li um texto que me deixou triste, ele falava sobre feminismo e diminuía o discurso de Clarice Falcão ao cantar sua versão de Survivor, num clipe lindo sobre feminismo. O texto trazia números de mortes de mulheres brancas versus mulheres negras e dizia que a branca da classe média ou alta não poderia gritar tão alto quanto a negra da classe média ou da periferia, pois elas nunca “passaram por isso”. Fiquei triste ao ler isso, pois tem um grupo de pessoas que querem diminuir o grito alheio, como o da Jout Jout, pois ela não faz parte da maioria, pois grito feminista dela não vem com a dor e o sofrimento, não tem a cor do grito da outra, pois o grito de “não tire o batom vermelho” dela é elitista. Fiquei triste.

Sou branco, tenho um bom emprego e consigo pagar meu aluguel num bairro legal de São Paulo, porém sou gay e passei mais de 25 anos da minha vida na periferia, sou de família pobre e sei que tenho tantos direitos quantos homens gays que nasceram e moram a vida toda no bairro dos jardins e nunca vou diminuir o grito deles, pelo contrário eu quero gritar junto, quero fazer com que esse grito ecoe ainda mais rápido, que seja mais visto, pois a causa que lutamos é uma só.

Eu me considero feminista, acho lindo a luta das mulheres por direitos iguais, por igualdade social, por um mundo sem medo de sair às ruas, por uma sociedade em que as respeite e não as diminua por nenhum motivo. Eu adoro tanto o movimento, que chego a me emocionar quando vejo que meninas de 17 anos estão fazendo revolução em suas escolas e trazendo pais e meninos para a causa, mas segundo esse texto que li ontem, eu não posso ser feminista, pois eu não “passei por isso”, não sofri discriminação por ser mulher, não sofri abusos. Segundo aquele texto, meu discurso seria vazio, seria menor.

Eu não costumo fazer discurso sobre feminismo, nem sobre o preconceito contra gays, mas eu participo de tudo que posso, inclusive já escrevi aqui no blog sobre a sociedade ainda não aceitar as diferenças, sobre essa vontade doida das pessoas de moldarem o outro a sua normalidade. O meu discurso é com amigos, com família, tentando mostrar à eles o tamanho da luta que está sendo travada todos os dias. Há alguns dias, briguei com um amigo que filmou (e postou em seu Snapchat) a bunda de uma moça na balada. Aquilo me deixou triste, achei uma grande falta de respeito com a moça, ela estava dançando na balada e não para um público x de pessoas na internet. É esse meu discurso, ele está no meu dia a dia, na minha vida e por ser homem e branco, ele não serve para algumas pessoas.

Dias atrás, eu li um post no Facebook do crítico Pablo Villaça, onde ele dizia que uma jovem moça se sentiu amedrontada em sua presença, enquanto buscava sua filha na escola. Nesse post, vi o comentário de um homem que dizia “sou alto e gordo, e me sinto muito triste quando mulheres, pelo meu porte físico, atravessam a rua”, abaixo desse comentário eu vi vários outros falando para esse homem que “o coitado aqui não é você”, “se coloque no seu lugar”, “você sofre preconceito por ser grande? Palhaçada!”, foram vários comentários gritando para o homem que a causa dele era menor, mas ele não foi gritar por uma causa, seu comentário só manifestava sua tristeza ao ver mulheres temerem sua presença e mesmo manifestando esse sentimento ele foi criticado.

Nesses vários anos de vida eu aprendi a respeitar todas as opiniões, até as contrárias e aprendi a ver o mundo com outros olhos. Eu acredito na mudança, acredito na força das pessoas, acredito nas causas que criam as mudanças, eu apoio as mulheres saírem às ruas pedindo a legalização da pílula do dia seguinte, a legalização do aborto. Acredito que com o nosso corpo nós devemos fazer o que quisermos, mas eu ainda acredito que temos que aceitar todo e qualquer apoio, o grito dos mais favorecidos não é menor que o nosso. A música da Clarice Falcão não é menor que uma cantada pela Petra Gil ou pela Negra Li, eu pelo menos penso assim. O vídeo da Jout Jout levou a ideia de feminismo à pessoas que ainda não entendiam a causa e isso vale muito a pena.

Eu acredito num mundo melhor onde todos se aceitem e se respeitem. Independente de raça, sexo, orientação sexual, independente se você é Clarice Falcão, Jout Jout, Negra Li, Racionais, Ivete Sangalo. Se você estiver fazendo algo que agrega na luta por direitos iguais, você tem o meu respeito, minhas palmas e meu grito estará contigo.

Vamos fazer um escândalo? Vamos sim!

17nov

Eu esqueci você

500 dias com ela

Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel em cena de (500) Days of Summer, de 2009

[Você pode ler esse texto ao som de R U Mine, da Arctic Monkeys ♫]

Eu nunca quis esquecer você, para mim estar apaixonado por você era algo incrível. Eu viajava nos pensamentos, te colocando em todas as situações ao meu lado. Era ótimo ter aquele amor não concretizado bem aqui no meu dia a dia. Você, mesmo não estando presente, fazia parte dos meus dias, dessa minha história, estava até em meus planos. Eu imagina você comigo sempre que estava fazendo algo legal e, ao deitar na cama, pensava em você ao meu lado. Eu conseguia sentir seu cheiro.

Hoje eu não sinto mais o seu cheiro, nem me lembro da sensação de fazer carinho no seu cabelo. Seu sorriso tímido já não está mais na minha mente, eu ainda me lembro dele só que não lembro como ele é. Ao mesmo tempo que tenho muitas lembranças aqui, eu não tenho mais nada, nem os sentimentos. Por enquanto eu só tenho lembranças vazias de coisas que parecem ter acontecido em outra vida ou há muitos anos.

Te esquecer nunca foi minha intenção, eu briguei por esse sentimento muito tempo, eu queria continuar amando, queria continuar te colocando em toda minha vida, eu queria você. Mas eu decidi me querer mais ainda e nessa de amar mais a mim, eu parei de te amar. Hoje eu gosto de você, penso em você, tenho carinho por você, mas não é como da última vez, é menor, é suportável, é menos bonito e ao mesmo tempo é tão bom.

Antes eu daria tudo para saber o que se passava por sua cabeça, hoje eu não sei se gostaria. Na verdade eu não ligo mais. Hoje eu não te observo de longe, não sonho com você, não penso em ti ao acordar, não olho o celular a procura de uma mensagem sua. Acredito que estou livre de você, ou melhor, me livrando.

Na verdade eu tenho medo de ter perdido esse sentimento pra sempre, de não te amar nunca mais, de esquecer e não ligar para sua existência. Isso seria tão triste, né? Eu estava decidido a fazer isso, esquecer completamente e não olhar pra trás. Seria mais fácil que conviver com você. Seria mais justo (pelo menos pra mim). Mas não aconteceu assim.

Nesse momento estou parado e ao mesmo tempo estou vivendo minha vida e seguindo em frente. Estou vendo você seguir a sua vida e esperando que ela se cruze com a minha um dia, caso contrario nunca estaremos juntos novamente, pois eu não atravessarei pontes pra te ver, não agora e não como da última vez. Penso que fiz demais e não quero continuar fazendo. Não quero fazer nada.

Eu esqueci você e estou escrevendo um texto sobre isso. É mais ou menos como a música da Clarice Falcão, se é que você me entende.

10nov

Sobre aquele amor instantâneo

Kate-Winslet-Leonardo-Caprio-Titanic

Kate Winslet e Leonardo DiCaprio em cena de Titanic, de 1997.

[Você pode ler esse texto ao som de Song of Someone, do U2 ♫]

Às vezes numa viagem ou naquele dia atípico conhecemos alguém que nos faz rir e nos faz bem. Aquele tipo de pessoa que você pensa que traria pra sua vida, mas sabe que não poderia. A distância, as diferenças e o acaso não deixariam. É como a história do filme Encontros e Desencontros, você encontra a pessoa e ela te encontra, mas vocês dois não ficarão juntos. Entende?

Eu já passei por isso algumas vezes e, preciso confessar, não sei lidar muito bem com a situação. Sou mais imperfeito que um personagem de filme, além do mais sou muito teimoso e acredito que as coisas podem sempre acabar acontecendo, mesmo quando as chances são mínimas. Eu, pelo menos, tento né?

Quando conheço uma pessoa que me faz ficar bem, penso na hora que gostaria que ela fizesse parte do meu dia a dia, só que não levo em consideração que essa minha rotina é diferente daquela que levei enquanto conhecia a pessoa, eu estava em outra sintonia, era outro. E mesmo assim penso que poderia acontecer algo mais do que bons momentos vindo de um amor instantâneo. Acredito que não estou sozinho nessa, algum de vocês deve pensar igual a mim e acreditar que as coisas podem acontecer mesmo que por acaso.

Já contei algumas vezes aqui no blog que sou pouco racional, minhas ações são movidas pelo sentimento. Isso, às vezes, me faz quebrar a cara e me leva a lugares que me arrependo, mas esse sou eu. Vou aprendendo com meus erros e tentando fazer com que os acertos sejam bons das próximas vezes. E a minha parte que acredita que um amor instantâneo pode ser um amor de verdade é meu lado romântico. Parece que eu gosto do impossível, de viver o sentimento na cabeça, de pensar em como seria de as coisas acontecessem da maneira x ou y e imaginar tudo isso. Louco, não?

jump

Será que se eles se encontrassem em outra ocasião, pulariam de novo?

Acredito que grande parte disso, desse meu imaginário, me ajuda a escrever aqui e isso é bom. Eu aprendi a lidar com o Jader que sonha com o que poderia acontecer e dorme pensando naquele amor instantâneo, se perguntando como seria caso as coisas fossem diferentes e se repetissem.

Ao mesmo tempo em que o cara que acredita que “as coisas poderiam acontecer novamente”, aqui fala o moço que pensa que a mesma situação não acontece duas vezes no mesmo lugar. É como na trilogia dos filmes “Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr-do-Sol” e “Antes da Meia-Noite”, a gente percebe o quanto os personagens de Ethan Hawke e Julie Delpy são diferentes nas três histórias, o quanto os dois mudaram e o quanto as situações são diferentes. Na nossa vida também é assim, infelizmente.

Eu tento congelar o tempo, guardando pensamentos bons e acabo ficando parado, pensando em tudo que poderia acontecer caso acontecesse, caso a situação fosse outra, caso os dois estivessem dispostos. É o pior é que sempre estou disposto, mesmo sabendo que não estou. Acabo mentindo pra mim mesmo e depois acordo e sigo com a vida.

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