/ a vida como ela é

03nov

Eu não sei lidar com essa leveza

Postado por às em a vida como ela é, Relacionamento

Ginnifer Goodwin em cena de Ele Não Está Tão a Fim de Você, de 2009

[Você pode ler esse texto ao som de Organs, do Of Monsters and Men ♫]

Estou sem inspiração. Já parei várias vezes para escrever aqui e não consegui fazer um texto bacana, algo que conseguisse exprimir os sentimentos do momento, como a maioria dos meus posts. Vamos combinar né? Todos os meus episódios aqui são sobre histórias de amor que não deram certo, sobre capítulos da vida que não foram finalizados. São textos tristes, em sua maioria sobre amor não correspondido.

Estava pensando esses dias sobre qual seria o motivo da inspiração ter ido embora, pois quando sinto algo, consigo colocar imediatamente no texto e deixar registrado mais um episódio dos meus dias. Após um tempo, cheguei à conclusão que hoje não estou sentindo nada, só aquele vazio estranho, aquela leveza que importuna a gente, aquele sentimento de “tudo bem” que queremos mandar embora. Estranho né?

Há alguns dias, brinquei com a Taína que queria morrer de amores. Tão lindo isso, né? Tão lindo, tão triste e tão bobo! Mas é isso que eu sou, um cara que gosta de amar e acho beleza na tristeza. Além de tudo, descobri (depois do surgimento desse blog) que gosto muito de escrever sobre meus sentimentos, mas e quando não os tenho escrevo sobre qual assunto?

ele nao está tão afim de você-filme

Em um dos meus últimos textos, contei sobre uma história que criei anos atrás, sobre um poeta que queria descobrir o amor para poder escrever sobre ele, só que quando ele descobriu não quis mais escrever, ele optou por amar. O meu caso aqui é um tanto diferente, não estou amando e não consigo escrever sobre amor. Parece que minha inspiração foi embora junto com o amor que estava aqui. A pessoa que me inspirava a escrever foi embora e não me inspira mais. Hoje não estou morrendo de amores.

Acredito que tão importante quando amar é não sentir nada. A gente precisa daquele tempo, daquela pausa entre um relacionamento e outro para não se apaixonar, para não sentir nada. Caso contrário estaremos vivendo com um único propósito: estar com alguém. E é nesse ponto que erramos.

O que precisamos saber é como lidar com esse vazio, como lidar essa insustentável leveza. Com a paixão eu sei lidar, com todo aquele sentimento que me tira o ar, me faz sonhar acordado. Com isso eu sei lidar, mas como se lida com a falta dele? Com a ausência (não do ser), mas a ausência do sentimento.

O mais estranho de tudo é isso é que estou aqui escrevendo sobre o “não amor”, sobre a falta dele, sobre a falta do esperar e de ter alguém para se pensar. Enquanto eu deveria estar lidando minha vida e aproveitando essa leveza.

Eu não quero ela, eu nunca quis essa leveza.

27out

O teu amor pra onde foi?

Postado por às em a vida como ela é
Cena do filme Her, de Spike Jonze

Cena do filme Her, de Spike Jonze

[Você pode ler esse texto ao som de Quem inventou o amor?, da Legião Urbana]

Tudo era mil maravilhas, meu bem pra cá, meu bem pra lá. Saíram alguns eu te amo e tudo parecia tão bem, aparentemente estávamos felizes morando juntos, tudo foi tão rápido, em alguns meses já estávamos bolando planos de casamento e até planejando a nossa festa juntos, a viagem de lua de mel.

Mas ai de repente você vira e diz que tudo acabou, que o amor que você declarou várias vezes não existia mais, pra onde será que ele foi? Será que esse amor ai foi apenas uma ilusão? apenas um profundo gostar de si próprio que saiu do teu corpo e dá um pulo em uma outra pessoa, mas logo volta para seu lugar de origem, o amor próprio?

Eu sei, talvez nós tenhamos sido muito rápidos né? Afinal, pra quem já está na nossa idade, pra que fazer joguinhos? Pra que fingir desinteresse? Eu não sei. Será que mesmo no auge da nossa vida adulta temos ainda que nos submeter a esses jogos de sedução onde um finge que não viu a mensagem no whatsapp e demora no mínimo 30 minutos para responder?

Mas também não consigo entender como o amor se esvai assim tão rapidamente, deixa o que no lugar? Você também não conseguiu se explicar, nem sabe dizer como isso aconteceu, conversamos e o melhor foi você partir, pegar suas coisas e sair da minha casa, da minha vida.

Talvez seja melhor procurar o amor que se foi, mesmo que encontre em outro colo, em outro sorriso que não seja o meu, por que assim como o seu amor não existe mais, o meu também jaz profundamente.

Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
– quero ficar só com você

*Este conto faz parte de uma série de crônicas do a vida como ela é.

14out

Você não vai mais me fazer chorar

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Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux em imagem do filme Azul é a Cor Mais Quente, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Love, Love, Love, do Of Monsters and Men ♫]

Estive pensando em tudo que tivemos, em toda nossa história juntos. No tudo e no nada, nessa relação de troca e de orgulho que temos. E às vezes acho que tudo que tivemos foi tão lindo, mas ao mesmo tempo penso que não foi quase nada. Sabe? É como uma história não terminada.

Eu nunca estive tão certo de algo quanto estou agora, tanto que tenho muita certeza na gente, mas a mesma certeza que tenho que poderíamos ter tudo é a mesma certeza que tenho que podemos não ter nada. Imagina o nada daqui pra frente, o vazio e o espaço que ficará entre a gente? É para esse momento que estamos caminhando, é nessa via que estamos andando.

É estranho ver que você age de uma forma diferente nas palavras e nas ações. São duas pessoas ali, a que fala comigo e a que age. Gosto mais da que age, ela é mais real, não está cheia de frases prontas e de risos fáceis. Não está cheia de certezas, é bobo estar cheio de certezas. Quanto mais você mostra que tem razão e está certo, mas eu vejo o quanto está errado e o quanto estamos caindo.

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Eu vejo as coisas que você faz, seu novo modo de agir e eu não entendo. Você não me deixa ir embora e não me quer por perto, enquanto isso estou aqui e não estou. Depois de tudo isso eu percebi que não devo fazer nada por você, é por mim que devo agir daqui pra frente. Se eu sofrer, chorar, ou decidir ser feliz será uma decisão apenas minha, você não tem culpa nisso. Você não tem mais importância nas minhas decisões, nem é o agente da minha derrota. Você será apenas um, enquanto não formos dois.

Sabe aquela coisa que sentimos no estomago que incomoda pra caramba e não nos deixa esquecer daquilo? Estou sentindo isso enquanto escrevo esse texto, mas quantas vezes eu já não senti o mesmo? A diferença é que dessa vez eu coloco tudo pra fora e isso me ajuda a esvaziar, vou ficando leve… Com a leveza eu já aprendi a lidar, só não sei o que fazer quando estou cheio demais.

Eu estive pensando em você e mesmo estando triste não choro mais. Eu pego essa tristeza e penso “ela não deveria estar aqui”, é nesse momento que eu esqueço a dor e vou esquecendo você. No dia que isso acabar, acabou tudo. E não sou eu quem sairá perdendo, pois eu já perdi tanto nesse jogo, que entre nós não tenho mais nada.

Na verdade eu não gosto de chamar isso de jogo, eu não estou jogando. Estou apenas seguindo aquilo que acho que seria certo pra mim, estou sendo fiel a mim e os meus sentimentos. Estranho seria se eu não fosse assim, não é?

Um dia alguém me falou que “não valia a pena chorar”, pensei em como isso era forte e cheguei até levar isso a sério por um tempo, mas outra pessoa me disse “não existe vergonha em chorar, chorar é bom”, depois de ouvir isso mudei completamente minha opinião sobre as lágrimas e hoje não tenho vergonha nenhuma, choro vendo filmes de meninas que cantam na universidade e depois dou risada.

O que eu quero dizer é que mesmo te amando, não consigo chorar por você, acho que todas as lágrimas já foram embora.

*Esse texto faz parte do projeto Eu, Você e Eles.

29set

O problema não sou eu

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Logan Lerman e Emma Watson em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

[Escrevi esse texto enquanto escutava três músicas, pode ler ouvindo qualquer uma delas: Trusty and true, My Favourite Faded Fantasy e Colour me In ♫]

Um dia você me disse aquela frase que escutei algumas vezes. Sim, aquela mesma frase que as pessoas falam para as outras quando não sabem o que falar. Você me disse isso. Minha primeira reação foi falar “nunca diga isso a mais ninguém, por favor. As pessoas não merecem escutar isso.”, essa foi minha reposta. Eu não sabia o que responder, fiquei pensando em tudo, principalmente em tudo que você disse que não poderíamos perder e ainda não sabia qual seria minha reposta. Eu não tinha uma resposta.

Eu fui tudo que você queria que eu fosse, fui elogiado por você, fui aquele cara legal que – mesmo não amando você – cuidou de ti. Eu fui aquilo que você precisava, aquilo que te deixava feliz, fui sua saudade e (tenho certeza disso) fui por muitos momentos o motivo da sua felicidade. Fui muita coisa e mesmo não sendo nada, fui tudo que eu poderia ser.

Hoje, quando eu quero ser tudo que você queria que eu fosse, você quer que eu seja nada. Você não quer nada. E me fala aquela frase que já escutei várias vezes. Logo você, que eu cuidei. Logo você.

Hoje eu converso com amigos discutindo sobre tudo que passei, perguntando sobre todos meus erros e todos eles repetem em voz alta a frase “você não errou em nada”, mas mesmo assim eu acredito que errei. Não sei onde, mas acho que foi em algum lugar. Que lugar? Não sei qual foi.

Pode ser que por um tempo você foi aquela fantasia da minha mente. Eu te deixei lá por um bocado, vivendo em meus pensamentos. Errei? Claro, já te disse isso! Te disse centenas de vezes e recebi como resposta “eu não ligava pra isso”, mas não era verdade.

Eu nem sei mais como me portar, de tantos erros que cometi. Eu só sei ficar quieto, esperando o nosso próximo passo, sem saber pra qual lado andar, pra qual lado errar. Mas, ao mesmo tempo em que penso isso, eu vejo o quão bobo é errar. Todo mundo errou nesse dia, nessa semana, nesse mês. Eu errei demais nos últimos tempos, mas quem não fez isso? Ninguém.

LOGAN LERMAN stars in THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER Ph: John Bramley © 2011 Summit Entertainment, LLC. All rights reserved.

Logan Lerman em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

O problema é que já escrevi sobre isso e você nem leu. Falei sobre tudo que a gente carrega ou carregou na vida, falei sobre seus medos e suas musicas, sobre seus amigos e inimigos, sobre suas fantasias e sobre seus desejos. Você nem sabe que eu aceito todos eles. Você não sabe de nada. E nesse “não sei de nada” acaba me falando aquela frase. Sim, aquela frase que já escutei de algumas pessoas, aquela frase que me fere de um modo que ninguém sabe como explicar. Aquela frase.

Eu sou muito confuso, sou muito medroso e por vezes sou muito “no muro”, mas sou aquele cara completamente fiel ao que sinto. Eu sou taurino com ascendente em áries, sou um problema como Che Guevara foi (mesmo que toda minha revolução seja no amor). Eu sou aquela pessoa de antes, eu não escondo meus erros, não esqueço os sorrisos, eu aprendo com eles. Eu não sou um problema.

Tenho certeza que o problema não sou eu. Eu fui (sempre) tudo que eu deveria ser. TUDO! E por isso a última coisa que deveria escutar é isso. Estou puxando tudo, tudo mesmo, que aconteceu entre nós e realmente o problema não sou eu. Não sou. Esse problema. E mesmo assim aquela frase ecoa pela minha cabeça, aquela frase que já escutei várias vezes. Sim, a frase que você me disse.

E agora, eu não sei o que fazer. A única coisa que sei é que realmente o problema não sou eu. Hoje eu tenho certeza disso. Eu sou a solução, não o problema. Eu não sou o problema.

23set

Você deixou um espaço aberto para minhas imaginações

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Craig Roberts e Yasmin Paige em cena do filme Submarine, de 2011.

[Você pode ler esse texto ao som de Hiding Tonight, do Alex Turner ♫]

Esses dias li algo no Twitter que achei muito real e pensei “vou levar isso para o blog em forma de texto”. Era uma frase simples que dizia o seguinte: É isto que amamos os outros, o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Quando li essa frase pensei “quanta verdade em tão poucas palavras” e olhei para trás e entendi quantos vazios existiram aqui e foram preenchidos com minhas fantasias.

Vocês ja passaram por isso? É como se a pessoa passasse pelas nossas vidas apenas para dar um fôlego a mais à nossa imaginação. A gente imagina o futuro, pensa em dezenas de coisas, sonha com o que vai acontecer e isso é tão gostoso. Chega a ser maior que o próprio amor, sabe? É algo mais entre nós mesmos.

Eu tenho uma imaginação bem fértil e gosto de vivenciar as coisas pelo imaginário, por isso acabo usando esse espaço para viver aquilo que não vivi, para tornar reais as experiências que não existiram. É como se o espaço que deixaram em mim fosse mais importante que a própria pessoa. Apesar de ser bonito, quando escrito, é meio triste demais quando vivido. E aqui mora um perigo. Às vezes acabamos sonhando demais e vivendo de menos.

Eu tenho consciência que é bem mais importante viver o presente do que sonhar com o futuro e tento fazer isso, mas às vezes a escolha que faço nem sempre é a certa e por isso acabo usando minha imaginação para levar adiante e acabo preenchendo o espaço que deixaram aqui com minhas expectativas. E o pior de tudo é que gosto disso. Eu amo esse espaço. É como se eu colorisse aquele papel em branco que existe aqui.

Talvez um dia eu não tenha mais espaço e não precise imaginar mais nada. Só que quanto mais vivo e quanto mais o tempo passa, vou me acostumando com esses espaços deixados aqui. Eles não me incomodam, na verdade fazem parte de mim e eu gosto deles. É como escrever poesias e eu gosto desse tipo de poesia triste que crio comigo mesmo usando minhas imaginações e colocando vocês nelas.

Um dia escrevi um texto e publiquei em um blog que não existe mais. Esse texto falava sobre um poeta que queria muito escrever sobre amor, ele procurava o amor por toda parte, pois não queria escrever sobre amor sem conhecer o sentimento. Um dia ele encontrou o amor e não quis mais escrever, ele quis amar. Quando eu li a frase do tweet pensei diretamente nesse texto, vi que existe uma ligação entre essas duas coisas.

Acredito que hoje estou mais triste que o normal e esse texto acabou refletindo isso. Eu entendo que esses espaços que deixam em mim são muito importantes, eles me ensinam muito e me fazem escrever (tenho tanto orgulho de transporta-los em textos aqui), mas um dia espero ser o poeta do texto que escrevi.

Esse texto faz parte do projeto Eu, Você e Eles.

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