/ a vida como ela é

28ago

Nossa relação não deu certo porquê nunca tentamos

o-LOST-IN-TRANSLATION-facebook

Bill Murray e Scarlett Johansson em cena do filme Encontros e Desencontros, de 2003

[Você pode ler esse texto ao som de Cosmic Love, da Florence and the Machine ♫]

Essa semana eu estava assistindo um filme ruim (às vezes adoro assistir filmes desse tipo, que é entretenimento bobo e puro) e me deparei com uma situação que até compartilhei com o pessoal no meu Snapchat. No filme os dois personagens se gostavam e a situação estava clara para os dois. Não era só – como espectador – que via aquilo. Eles estavam apaixonados, sabiam disso, mas não contavam um para outro.

O mais estranho disso tudo é que eu já tinha me deparado com situações como essas em filmes, séries e até em novelas e pensava “o ser humano é muito egoísta para situações assim serem reais“. Achava que você gostar e ser gostado de volta era tudo que precisaríamos para o “feliz para sempre“, mas eu não poderia estar mais enganado.

Depois de 28 anos de caminhada eu enxergo como as pessoas, incluindo eu, somos orgulhosos. Acho que principalmente a minha geração. Você vem antes do outro, é sempre assim. Eu venho antes de você e se acreditar que sofrerei, não me envolvo. Simples assim, eu não tento. Eu me acovardo antes mesmo de ser atingido. Imagina só alguém perder a guerra sem ter lutado? É assim que estamos jogando. Não que seja um jogo (eu odeio jogos), mas é um jeito de dar um nome a essa forma de relacionamento.

encontros-e-desencontros

Quero compartilhar com vocês aqui que eu sempre vou pensar em mim antes de tudo e sempre vou me acovardar com medo de tentar, vou desistir. Aconteceu isso comigo há tempos atrás e tenho certeza que acontecerá novamente, mas hoje sei que isso tem resultados tristes. Eu, que agora parei para escrever sobre isso e estou ciente de tudo que esse tipo de jogo pode resultar, posso tentar fazer escolhas certas e me proteger menos nas próximas vezes. Mas a pergunta que fica é: será que consigo?

Esses dias, falei para uma pessoa algo tão real e tão triste sem pensar no quanto aquilo era forte e significativo e depois fiquei pensando sobre como as coisas que falamos podem ecoar dentro de nós mesmos. A frase foi a seguinte: “eu adoro você, mas eu me adoro muito mais“. Com essa frase eu mostrei o quanto covarde eu sou, baixando as armas, perdendo a guerra pra mim mesmo. Eu praticamente disse “não vou tentar, não vou sofrer” e assim adiantei um sofrimento mesmo que pequeno.

Se relacionar é complicado demais, mas eu prometo pra mim mesmo (e pra vocês!) que tentarei ser mais fiel aos meus sentimentos e não jogarei fora algumas oportunidades que poderiam ser legais. Tenta também.

É incrível escrever sobre nossos sentimentos né? Quando comecei a montar esse tema eu não sabia que conseguiria dominar e trazer os episódios da minha vida para o contexto da história desse post, mas consegui. Sempre penso que as pessoas que fizeram parte desses meus episódios se verão em meus textos e fico muito envergonhado, mas escrever me ajuda.

24ago

As aparências enjoam

walter_mitty

Ben Stiller em cena de A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Ship To Wreck, da Florence and the Machine ♫]

Gosto tanto de você quando não finge ser outra pessoa, gosto muito daquele seu jeito tímido e meio bobo, gosto quando fica feliz por pouca coisa ou quando fala uma bobagem só pra me fazer rir. Mas quando finge ser uma pessoa diferente, alguém que você não é, eu gosto tão pouco, chego até a desgostar.

Não sei se você sabe, mas a gente ama o outro por sua inutilidade. Não pelas mil coisas que ele saber fazer ou finge que sabe. Eu gosto de não fazer nada com você e por isso não preciso saber o quanto você foi foda no final de semana ou quanto dinheiro tem na sua conta, eu gosto da sua inutilidade. Gosto dos seus erros, dos seus defeitos e não daquela pessoa que você quer que as outras enxerguem.

Hoje, vejo que você faz coisas para chamar minha atenção e eu tento não lidar com isso. Sabe por quê? Você já a tem, roubou de mim faz tempo. E o melhor de tudo é que você fez isso sendo a pessoa que é, não precisou fazer malabarismos para que isso acontecesse. Só precisou ser inútil, ser você mesmo. E quanto mais eu penso nisso, sobre essa minha forma de te querer, mas eu acredito que as coisas simples são incríveis.

Você não precisa mudar por mim, da mesma forma que eu não preciso – e nunca faria isso – mudar por qualquer um. Nós precisamos ser apenas aqueles por quem nos apaixonamos, sem trocar de pele, sem viver de aparências. Amor não é sobre quem você quer ser e sim sobre quem você é.

Acredito que o amor romântico deveria ser igual ao amor entre amigos, aquele tipo de amor que a gente não pediu, que não cobramos, que recebemos do jeito que as pessoas são. Já percebeu que ninguém quer mudar um amigo? Os amigos nós aceitamos como eles são e não precisamos ser outra pessoa quando estamos entre eles.

Comigo você não precisa ser outra pessoa, afinal eu nem conheço essa outra pessoa. Não mude, não viva de aparências. Um dia elas enjoarão a mim e aos outros.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles”.

20ago

Você é eternamente responsável pelos sonhos que cativa

Postado por às em a vida como ela é, Filmes, vida
billy-elliot-filme

Jamie Bell em cena do filme Billy Elliot, de 1999

[Você pode ler esse post ao som da música Somewhere Only We Know, na versão da Lily Allen ♫]

Eu achei, durante muito tempo, que mudaria o mundo. Acreditava que faria coisas absurdamente importantes, que seria significativo para muitas pessoas. Aliás, eu já achei que seria um cineasta que faria filmes tão incríveis que as pessoas chorariam ao sair dos cinemas, e esse foi um dos meus maiores sonhos.

Com o tempo aquela vontade de mudar o mundo e fazer as coisas acontecerem foi indo embora e no lugar dela entrou a vida adulta. Nessa vida a gente se preocupa com dinheiro, com amores, em como a sociedade te vê e, principalmente, em crescer. Com todos esses deveres a gente acaba esquecendo-se das coisas importantes da vida e, acredito eu, isso acontece com muita gente. Aconteceu com você?

A vontade de mudar o mundo saiu tanto dos meus pensamentos que certo dia encontrei alguém, mais ou menos da minha idade que ainda sonhava em fazer as coisas dessa forma. Eu fiquei maravilhado e ao mesmo tempo falei em tom irônico “Você ainda sonha em mudar o mundo?“, a pessoa respondeu que sim e isso mexeu muito comigo. Se ela não se esqueceu das coisas que significam muito por que eu deveria ter esquecido?

Após esse dia eu fui resgatando aquele Jader de anos atrás e pensando no que ele falaria para esse cara de hoje. Ao fazer isso, vi que sou a realização de alguns sonhos do menino que queria ser cineasta, que queria fazer coisas importantes.

O fato é que meus sonhos mudaram e foram adaptando-se a realidade. Eu sempre quis contar histórias, sempre quis fazer parte do mundo de cinema e meus sonhos acabaram se tornando reais. Hoje, eu escrevo histórias não só aqui no blog, faz parte do meu trabalho escrever histórias e cativar as pessoas. Hoje eu faço parte do mundo do cinema ajudando as histórias a serem contadas, vendendo sonhos, aventuras e eu adoro isso.

O mais bizarro de tudo isso é que se o Jader de 15 anos atrás olhasse pra mim agora ele falaria “quero ser você quando crescer” e ao escrever isso e chegar nessa conclusão meus olhos enchem de lágrimas. É como se eu nunca tivesse esquecido meus sonhos, pois eu tenho feito coisas importantes e cativado pessoas, seja a partir dos meus textos, da minha personalidade ou a partir do meu trabalho e eu fico muito feliz por isso.

Esse post foi inspirado num filme que estreia hoje nos cinemas e que eu já tive a oportunidade de assistir, de chorar e de fazer parte do lançamento dele no Brasil.

o-pequeno-principe

A animação “O Pequeno Príncipe“, apresenta a história de uma menina que está sendo preparada para o mundo real, mas acaba descobrindo uma história que mudará para sempre usa vida. Dessa vez a história não é sobre personagem título, é sobre nós. A história nos mostra que não devemos esquecer nunca dos nossos sonhos e daquela criança que éramos anos atrás. Sou suspeito pra falar, mas o filme é lindo. Da o play no vídeo abaixo e deixe um pouco da criança que você foi dominar seu coração.

19ago

Eu conheço um Fernando

Postado por às em a vida como ela é, televisão

fernando-masterchef3

Ontem enquanto estávamos todos no twitter comentando o Masterchef Brasil, eu vi uma galera muito grande desejando a saída do Fernando, um dos participantes mais odiados dessa edição, ele tem um comportamento arrogante, cabeça dura e quando lidera uma equipe é daqueles que tenta mostrar que é melhor no grito.

Quantos Fernandos não existem no mercado de trabalho? Quantos chefes usam de técnicas e jeitos de mostrar poder na diminuição das outras pessoas? Eu tenho bastante tempo na estrada e posso dizer que já vi muitos desses passar e pior, passam ilesos.

fernando-masterchef2

Fernando na vida real é um gestor de projetos e o que me faz pensar nas pessoas que trabalham com ele e como é essa relação, rolaram boatos de que ele é mesmo como apareceu na tv, eu já perdi as contas de quantas vezes ele foi estúpido com a Jiang, e até mesmo ontem foi ~irritadinho~ jogando um prato praticamente na cara do Fogaça.

Esse perfil infelizmente é o de muitos gestores no Brasil e como o título diz, eu conheço um e assim como o Fernando, e acho que o que me revolta foi ver como por exemplo ontem, esse tipo tem sorte, eles passam, eles se vendem e continuam na parada.

fernando-masterchef1

E você conhece ou já cruzou com algum Fernando na sua vida profissional?

18ago

Somos melhores como amigos

Postado por às em a vida como ela é, Amizade, Amor
simplesmente-amor-filme

Keira Knightley e Andrew Lincoln em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003

[Você pode ler esse texto ao som de “High Hopes“, do Kodaline ♫]

Faz muito tempo que a gente se conhece, nos entendemos muito bem e sempre tentamos passar disso. A gente se gosta né? E quando nos encontramos o sorriso que você dá é tão lindo que eu volto aos meus 14 anos e penso como seria estar com você sempre. Nós encontramos poucas vezes desde a primeira vez, mas parece que foram tantas.

Eu sei tudo sobre você e sempre conto tudo que acontece na minha vida. Te falo sobre o trabalho, sobre os amigos, sobre meus encontros e minhas paixões e você descreve tudo que vem aprendendo com a vida e como está lidando com as paixões.

Apesar de não esconder o jogo um do outro, nós dois ficamos morrendo de ciúmes, mas nunca admitimos isso, não é? É como se essa amizade fosse mais séria, como se eu fosse só seu e você fosse apenas meu. O estranho disso é que nunca iremos concordar com isso, a única coisa que concordamos é que temos muito tempo pela frente e que nos gostamos.

Ao mesmo tempo em que é fácil lidar com você e com esse sentimento, é estranho saber que não somos nada, que nunca seremos mais que bons amigos (talvez possamos ser, mas seria tão complicado). Por que eu tenho essa mania de possuir, de querer ter algo só pra mim e você não faz ideia do que quer da vida. Acho que são essas diferenças que nos unem. Talvez seja isso, tenho tantos amigos que são diferentes de mim e talvez você seja mais um deles.

Eu sinto saudade desse lado, você sente saudade do outro, mas isso é tão normal numa relação entre amigos. Quanto mais penso em tudo que temos e que tivemos, penso que cada vez mais o que sobra é a amizade.

Talvez eu não seja o grande amor da sua vida e nem você o meu, mas essa conexão que temos é algo tão bonito que gostaria de levar para a vida toda. Não precisamos ser amantes para sempre, nem às vezes. Acredito que podemos simplesmente ficar como estamos, pois somos tão bons como amigos.

Mesmo não tendo certeza de como será minha reação (ou a sua) quando estivermos em outra, acho que podemos ir apostando nisso aos poucos. Apostando que nossa amizade pode ser maior que esse outro sentimento. E se for preciso guardar isso para continuarmos bem, eu farei.

Afinal, somos melhores como amigos.

Plugin creado por AcIDc00L: noticias juegos
Plugin Modo Mantenimiento patrocinado por: posicionamiento web
Episódios de Hoje