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06jul

As melancias devem continuar sendo redondas

Postado por às em a vida como ela é, Amor, vida
TheNormalHeart-filme

Mark Rufallo e Matthew Bomer em cena de The Normal Heart, de 2014

[Você pode ler esse texto ao som de Same Love, do Macklemore, Ryan Lewis e Mary Lambert ♫]

Esses dias estava conversando com uma amiga e ela citou uma matéria em vídeo em que os japoneses faziam aquele experimento que deixa a melancia quadrada. Eu já tinha visto fotos dessas melancias, mas nunca tinha pensando nisso direito, sabe? A gente vê a imagem acha bizarro e nem liga, mas dessa vez eu parei e pensei “por que os caras querem mudar o formato da melancia?”, ela já é linda redonda. Com a melancia redonda eu consigo segurar de uma forma que fica legal comer, sabe? Eu seguro ela com as duas mãos e vou dando mordidas, sujo meu bigode… Essa experiência faz parte da melancia, parte da história dela e de como ela é.

No mês passado do casamento igualitário foi aprovado nos EUA. Na semana passada Moçambique descriminalizou a homossexualidade e o aborto. Na mesma semana, a Câmara dos Deputados aprovou a redução da maioridade penal aqui no Brasil. Essas mudanças aconteceram num curtíssimo intervalo de tempo. Difícil acreditar, né? Estamos numa época de mudanças, a gente pisca os olhos e algo já mudou. Muitas dessas mudanças são boas, algumas são ruins. Mas devemos nos atentar a todas elas e enxergar como isso afetará a sociedade.

A melancia, que usei como exemplo no título desse post, é redonda. Ela nasceu assim. Da mesma forma que a melancia não escolheu ser redonda, eu não escolhi ser gay e você não escolheu ser heterossexual (ou gay, ou lésbica, ou negro), nós simplesmente somos assim e devemos permanecer assim. Faz parte da nossa essência.

Imagina uma sociedade em que as pessoas não precisam fingir que são iguais apenas para que as outras pessoas as aceitem? Eu tenho um pouco de experiência em fingir, em ser uma pessoa que não sou, pois era muito difícil aceitar que sou gay.

Lembro-me da primeira vez que disse “eu sou gay” em voz alta, eu fiquei nervoso e usei algo como desculpa para essa minha “condição”, eu tinha muito medo de ser rejeitado. Eu temia pelo futuro, temia pela minha família, temia pelos meus amigos. O mesmo medo que muitos outros jovens têm hoje em dia.

Estamos evoluindo, aos poucos as coisas estão mudando e eu torço para ainda estar vivo no dia em que uma mulher não sofra preconceito ou assédio pelo simples fato de ser mulher. Eu torço para que as mudanças boas cheguem logo, não a mudança do formato da melancia, a mudança que aceite ela redonda e ponto final.

Minha irmã tem 22 anos e começou a faculdade agora, ela teve um filho aos 18 anos e agora, que o Murilo já está crescido, voltou a estudar. Na faculdade algumas pessoas falam “Nossa, você está estudando e tem um filho?” e ela responde com “Sim, estou estudando por que tenho um filho, estou estudando por ele”, mas as algumas pessoas não entendem que essa é a vida dela e outras nem aceitam. Estranho né? Você querer mudar negativamente a vida de outra pessoa

Imagina como é triste não conseguir ser o que você é? Ter vergonha ou medo de ser você mesmo? Ter vergonha de voltar a estudar, ter medo de amar ou pior ter medo de sair na rua durante a noite?

Eu espero que chegue um momento em que nossa sociedade não tenha mais medos, não tenha mais vergonhas. Que os jovens gays consigam conviver com seus amigos e sua família, que eles consigam amar. O amor é tão lindo, né? Por que eles deveriam mudar? Ser redondo é tão legal.

Você sabia que conforme você olha a luz refletindo na melancia ela brilha? Sim, ela é redonda e brilha. Devemos mudar isso não. E você também não deve mudar, eu não mudei e sou bem feliz assim.

02jul

Você reclama que está sozinho, mas isso é o que mais quer

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Julia Roberts e Jude Law em cena do filme Closer, de 2004

Na semana passada eu escrevi aqui no blog, pegando o filme Medianeras como exemplo, sobre como usamos a internet para nos relacionar (veja aqui) e como falhamos em quebrar nossas próprias medianeras e viver sem elas. E hoje estava no Twitter e vi uma frase famosa: “frio e cobertor, só falta o mozão“, que poderia se trocada facilmente por “calor e cerveja, só falta a companhia“, se estivéssemos no verão. Eu nunca cheguei a postar coisas assim, não por que nunca estive carente e sim por não querer tornar público a minha carência. Nesse ponto gosto de ser mais reservado, faz parte do meu jeitinho.

Se você olhar para o seu grupo de amigos, verá que vários deles querem um “mozão”, uma companhia para beber cerveja, alguém para preparar um almoço ou uma pessoa legal para dividir a conta num jantar. Pergunta aí para a pessoa do seu lado. Ela quer? Eu acho você também quer. Eu quero! E aquela pessoa que senta ao meu lado no trabalho também. Um amigo meu quer, mas ao mesmo tempo ele quer ser livre, não quer um compromisso.

O ser humano é um animal tão sem sorte que consegue querer, ao mesmo tempo, duas coisas completamente distintas. Ele quer estar junto e quer ser livre. Quer ter uma companhia e não quer ter um compromisso. E esse medo do compromisso faz com que a gente (eu também, tá?) fuja daquela pessoa que possa querer algo sério.

Esses dias escutei de uma pessoa uma frase que me deixou bastante pensativo, a frase foi: “Sempre que vejo que vou me apaixonar por alguém, eu vou embora. Não consigo lidar com isso“. As pessoas tem tanto medo de sofrer que acabam adiantando o sofrimento, bizarro né? A gente sofre para não sofrer e chora para não chorar. As pessoas estão fugindo com medo do amor. Como fomos chegar nesse ponto?

A Jout Jout falou sobre isso em um dos seus vídeos, eu adorei e me vi muitas vezes ali. Eu não sou (ainda) aquele cara que não tem medo. Eu ainda tenho muito medo. Imagina que eu vou colocar tempo, que é o meu maior bem, em uma pessoa que ainda me deixa com dúvidas? Eu tenho sim medo de sofrer e isso me deixa longe de relacionamentos. Isso me faz acaba-los antes mesmo de começar.

Me fala, quantos primeiros, segundos e terceiros encontros você teve que foram legais? Eu tive alguns e não deram em nada depois, em alguns eu tentei em outros não. Fiquei parado, fiquei pensando, fiquei com medo.

O fato é que nós estamos cada vez mais reclamando de passar frio sozinho ou de não ter ninguém para dividir a cerveja no calor e não estamos fazendo nada para isso mudar, pois queremos nossa liberdade. Foda né?

Será que a liberdade pode existir quando estamos juntos? Ou ainda, o medo deixará de nos atrapalhar? Isso parece tão bobo no texto, mas é tão sério na vida.

16jun

Metade cheio ou metade vazio: Como você lida com seus relacionamentos?

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Bradley Cooper e Jennifer Lawrence em “O Lado Bom da Vida”, de 2012

[Você pode ler esse texto ao som de From The Stalls, do Angus & Julia Stone. ♫]

Esses dias conversando com amigos no bar, pensei em como vivemos na era do pessimismo. Como sempre conseguimos enxergar o lado ruim das coisas antes mesmo de acontecer. A conversa era sobre relacionamentos.

Nessa conversa no bar eu falei sobre como era muito difícil conhecer alguém e ter algo legal. E aí começamos a debater essa questão. Na mesa havia pessoas de 20, 30 e 40 anos e todas elas compartilhavam do mesmo ponto de vista: as pessoas têm medo.

Nesse momento eu levantei meu copo, que estava pela metade, e disse “eu vejo esse copo meio vazio, pra mim ele não está meio cheio” e comparei aquele copo de cerveja com meus relacionamentos, como a forma que lido com eles e completei dizendo que não sabia lidar com copos meio vazios.

Quando estou naquela fase que começo a me envolver com alguém sempre penso em “até quando isso vai durar?” ou “será que vale a pena ir além disso?” e as vezes desisto, pois não quero me envolver em algo que possa não dar certo ou só não quero me envolver demais.

Algumas vezes até brinco com os amigos e falo “só trabalho com certezas”.

O fato é que somos completamente diferentes de nossos pais e temos uma visão diferente sobre todas as coisas. Se eles antes viam cores, nós agora enxergamos em preto e branco. É assim a vida pra nossa geração (de 20, 30 anos), onde estamos não existe mais o amor romântico. Hoje o nosso amor está condicionado, acima de tudo, ao amor próprio. A poesia que escrevemos é para nós mesmos e o sentimento que sentimos pelo outro nada mais é que a forma de nos amar.

Encontrei uma pessoa esses dias que tinha um copo de cerveja, pela metade, tatuado no braço. Quando perguntei se estava “meio cheio ou meio vazio” obtive a melhor resposta possível e parei pra pensar. Ela me disse “hoje está meio cheio, mas ontem estava meio vazio”. Ao escutar isso senti uma pontada de esperança e pensei que poderia tentar encarrar as coisas assim.

Eu, quando estou bebendo cerveja, não gosto de ver meu copo meio vazio. E quando estou num relacionamento também. Quando vejo meu copo vazio, acabo completando ele. Mas completo com a minha porção e esqueço-me de deixar você colocar a sua.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles“.

09jun

O que está acontecendo?

Postado por às em a vida como ela é

Sense8

[Você pode ler esse texto ao som de Whats up do 4 non Bolodes ♫]

Vira e mexe tem algum texto existencial bombando na minha timeline do facebook, aqueles que falam sobre uma “incrível geração blá blá blá” e pegam uma série de comportamentos e coloca tudo no mesmo saco e diz que todos estão tristes, insatisfeitos ou qualquer outra coisa que defina toda uma geração. Esses textos fazem sucesso, milhares de compartilhamentos, muitas opiniões e nada que chegue a alguma conclusão.

Eu li vários destes textos, me identifiquei em algumas partes, mas também me identifiquei nos outros textos que vieram para contrapor o primeiro e ai fica aquele nó na cabeça, o que está acontecendo?

Ai que a maioria do que aparece na minha linha do tempo é sobre como as pessoas estão insatisfeitas com os trabalhos e esses textos vem carregados de “sugestões” para reverter esse problema, mas eu não consigo enxergar nada que seja realmente efetivo e eu me pergunto mais uma vez: “o que está acontecendo?

Eu me encaixo e fico pensando por horas e horas como ser feliz, como amar meu trabalho, como encontrar e viver um grande amor, como ser uma mãe melhor, como ganhar mais dinheiro, como viajar para aquele lugar maravilhoso dos sonhos e acredito que ler estes textos não ajuda em nada.

Quantos de nós sentimos a mesma angústia quando pensamos na nossa idade e onde estamos, para onde vamos e onde gostaríamos de estar? E por que a nostalgia faz parte de tudo isso? Eu não sei explicar por quê, mas as vezes eu ouço músicas antigas e sinto aquela coisa de esperança com saudade, mas não sei explicar why, você vai entender se sentiu uma incrível energia durante a cena da série sense8 da Netflix, onde os 8 começam a cantar essa música, eu me senti cheia de nostalgia, até vontade de chorar e chorei, como se algo ali tivesse martelando na minha cabeça que as coisas no fim vão acabar bem.

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And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah
I said, hey! What’s goin’ on?
And I sing, hey, yeah, yeah-eah
Hey, yeah, yeah, yeah, yeah
I said, hey! What’s going on?

 

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