/ Relacionamento

24ago

As aparências enjoam

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Ben Stiller em cena de A Vida Secreta de Walter Mitty, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de Ship To Wreck, da Florence and the Machine ♫]

Gosto tanto de você quando não finge ser outra pessoa, gosto muito daquele seu jeito tímido e meio bobo, gosto quando fica feliz por pouca coisa ou quando fala uma bobagem só pra me fazer rir. Mas quando finge ser uma pessoa diferente, alguém que você não é, eu gosto tão pouco, chego até a desgostar.

Não sei se você sabe, mas a gente ama o outro por sua inutilidade. Não pelas mil coisas que ele saber fazer ou finge que sabe. Eu gosto de não fazer nada com você e por isso não preciso saber o quanto você foi foda no final de semana ou quanto dinheiro tem na sua conta, eu gosto da sua inutilidade. Gosto dos seus erros, dos seus defeitos e não daquela pessoa que você quer que as outras enxerguem.

Hoje, vejo que você faz coisas para chamar minha atenção e eu tento não lidar com isso. Sabe por quê? Você já a tem, roubou de mim faz tempo. E o melhor de tudo é que você fez isso sendo a pessoa que é, não precisou fazer malabarismos para que isso acontecesse. Só precisou ser inútil, ser você mesmo. E quanto mais eu penso nisso, sobre essa minha forma de te querer, mas eu acredito que as coisas simples são incríveis.

Você não precisa mudar por mim, da mesma forma que eu não preciso – e nunca faria isso – mudar por qualquer um. Nós precisamos ser apenas aqueles por quem nos apaixonamos, sem trocar de pele, sem viver de aparências. Amor não é sobre quem você quer ser e sim sobre quem você é.

Acredito que o amor romântico deveria ser igual ao amor entre amigos, aquele tipo de amor que a gente não pediu, que não cobramos, que recebemos do jeito que as pessoas são. Já percebeu que ninguém quer mudar um amigo? Os amigos nós aceitamos como eles são e não precisamos ser outra pessoa quando estamos entre eles.

Comigo você não precisa ser outra pessoa, afinal eu nem conheço essa outra pessoa. Não mude, não viva de aparências. Um dia elas enjoarão a mim e aos outros.

Esse texto faz parte do projeto “Eu, Você e Eles”.

12ago

Escolhemos nosso futuro e não pensamos em nosso presente

Postado por às em a vida como ela é, Relacionamento
Lola Créton e Sebastian Uzendowsky em cena do filme "Adeus, Primeiro Amor", de 2011.

Lola Créton e Sebastian Uzendowsky em cena do filme “Adeus, Primeiro Amor”, de 2011.

Escolhemos nosso futuro e não pensamos em nosso presente sempre converso com meus amigos sobre expectativa versus realidade e esses papos chegam a diversos pontos, inclusive nas escolhas que moldam nossas vidas. Ontem mesmo estava falando sobre isso no trabalho e me deparei com um pergunta (que até joguei no Twitter). Será que nos estamos fazendo o certo de maneira errada?

Nos foi ensinado que devíamos estudar, depois estudar mais e conseguir um bom emprego para depois pensar em casar. Ganhe dinheiro, viaje, conheça lugares, ganhe dinheiro, seja independente, ganhe mais dinheiro… Basicamente é isso que as pessoas falam e isso que tentamos fazer. Mas quando chega a parte boa? Quando vamos colher os frutos disso tudo? Claro que aquela viajem uma vez por ano faz parte desse fruto, mas isso é o mínimo que poderíamos dar para nós mesmos. Hoje eu me pergunto: cadê a parte boa de tudo isso?

Eu não estou falando que a vida é uma merda (mas já disse mais ou menos isso nesse post aqui), o que eu quero dividir com vocês é que eu e muitos outros fizemos escolhas. Devemos primeiro trabalhar e se esforçar para depois viver. Primeiro vem o dinheiro, depois você pode ter sua vida e ter uma família, um carro, ou aquele período sabático. Mas por quanto tempo você vai trabalhar para ter dinheiro e ter as coisas que você já quer ter? Quanto tempo vamos usar de nossas vidas tentando chegar a um lugar que não sabemos onde é?

Será que um dia vamos cansar e simplesmente viver? Eu fiz algumas escolhas certas, mas será que no meio do percurso elas deram errado? Fico pensando nisso e não chego em nenhuma conclusão.

Quando vejo que meus amigos do colégio já estão casados com filhos fico pensando se eu dei uma pausa para a vida ou se foram eles que aceleraram. Pode soar um pouco errada essa colocação mas será que os meus amigos que casaram jovens fizeram o errado de maneira certa enquanto eu fiz o certo de maneira errada? As vezes prefiro pensar que é apenas o tempo. Mas fico encucado com isso.

As nossas escolhas nos colocam em certos lugares que nem imaginamos. É como se o nosso eu adulto tivesse dito adeus para aquele eu criança, sabe? Como se tivéssemos dado adeus ao nosso primeiro amor.

Às vezes essas mudanças decorrentes das nossas escolhas podem ser muito boas, mas em outras podem deixar um gosto estranho na boca. Escrevo isso enquanto tento de decidir qual o gosto impera por aqui. E você, o que me diz de toda essa besteira que escrevi acima?

10ago

Algumas lembranças são diferentes

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Anne Hathaway e Jim Sturgess em cena do filme Um Dia, de 2011

[Você pode ler esse texto ao som de Eu Me Lembro, da Clarice Falcão com o Silva ♫]

Você lembra quando conheceu seu namorado ou namorada? O modo como olhou naquela primeira vez? Você lembra do sorriso que deu e se recebeu aquele riso tímido de volta? Eu me lembro.

Lembro que andava pela avenida mais famosa da cidade até que avistei você, que me olhava mais do que era normal. Mas eu não ligava, devolvia o olhar com toda a força que podia, como se minha timidez tivesse ido embora com vergonha dos seus olhares. Eu me lembro de tudo. Do primeiro “eu te amo”, até o último adeus. Lembro que você falava que não importava para quantos havíamos dito “eu te amo”, você acreditava que esse sentimento poderia existir por um dia ou também por anos. Eu lembro que sempre discordava de você.

Eu me lembro daquela nossa viagem. Da minha loucura em aceitar passar uns dias com você, sendo que mal te conhecia. Estávamos juntos há algumas semanas e, mesmo assim, eu aceitei te seguir em uma de suas viagens. Loucura, não é?

Eu me lembro de uma de nossas brigas, daqueles dias sem se falar que foram interrompidos por um simples “oi” e acabaram por aí. Lembro de tudo.

Lembro-me também do nosso último encontro. Foi anos depois de todas essas lembranças que listei acima e esse encontro automaticamente se juntou a elas, pois nunca esquecerei que você não se lembrou que não viveu nada daquilo que eu havia vivido.

Quando te perguntei do dia que nos conhecemos, você sorriu e resumiu aquilo em algumas poucas palavras e quando falou da nossa viagem, disse “fomos pra onde mesmo?”. Foi estranho saber que você não dividia nenhuma lembrança comigo, era como se eu tivesse experimentado tudo aquilo sozinho, era como se você não estivesse presente. Parece que eu havia sumido de suas memórias.

Depois dessa nossa última conversa parei para pensar sobre o quanto as lembranças são diferentes para diversas pessoas. É como naquela música do Silva com a Clarice Falcão, você se lembra de algo e eu me lembro de outro. Naquele momento que nos conhecemos tivemos experiências completamente diferentes, mas acho que elas funcionam de acordo com nossas vidas. O que você acha?

Agora eu sei que algumas lembranças são diferentes, ou melhor, sei que nós lembramos de maneiras diferentes. No meu caso acredito que gero um romance excessivo em cima daquelas lembranças, principalmente por que são as únicas coisas que ainda tenho de você. E por isso as vivo ao máximo e dou mais brilho para essas histórias. É como se sua folha de lembranças ainda estivesse preto e branco e a minha toda colorida.

Acho que deixo minha lembranças mais bonitas. E você, faz o que com as suas?

06ago

A vida é uma canção triste

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Oscar Isaac em cena do filme Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de The Professor, de Damien Rice ♫]

Quando era criança escutei uma pessoa chamar a outra de “infeliz”, ao ouvir isso virei para minha irmã mais velha e disse “nossa, mas o que é infeliz? Que xingamento bobo”, ela olhou pra mim e respondeu devagar “existe algo pior do que não ser feliz?”.

A partir desse momento eu sempre me pego pensando nisso e há vários anos venho sendo feliz em todos os momentos, sempre tento tirar algo legal ou bonito de tudo, independente qual seja aquela situação. Assim, venho me obrigando a ser feliz dia após dia, pois ser triste seria a pior coisa que existe.

Não sei acontece com todas as pessoas, mas ultimamente eu tenho pensado muito em como todo mundo anda infeliz. São problemas no trabalho, de relacionamento, com a família, com a sexualidade, com o dinheiro… São tantos problemas que geram tristezas que a gente nem consegue contar. Ainda mais se você for como eu, e fizer parte do seleto grupo de pessoas “alegremente melancólicas”. As coisas andam tão estranhas que chego a pensar que o mundo tem conspirado para nos deixar para baixo.

E não é só entre nós mesmos, é estranho a nossa relação com as pessoas ao redor, pois sempre que chegamos a um lugar e somos cumprimentados com um “Tudo bem?”, respondemos automaticamente “tudo e você?”, a pessoa confirma que está tudo bem com ela e pronto, acabou aquela pequena obrigação social. Você não queria saber se a pessoa estava bem e provavelmente ela também não estava nenhum pouco interessada em saber da sua vida, saúde ou dos seus problemas, ela só queria parecer educada e foi. E assim seguiu a vida dos dois.

Estranho isso, não é? As pessoas te obrigam a dizer como você está, mas ao mesmo tempo, não estão interessadas em saber. Pensa como é legal quando alguém olha pra você e questiona esse seu olhar vago, ou até aquele seu sorriso bobo. Mas as pessoas não ligam mais, elas (ou eu, você) estão completamente focadas na sua vida, nos seus problemas na sua canção interna.

Eu ainda levo muito em consideração o que minha irmã disse anos atrás, mas hoje eu acredito que a infelicidade faz parte da vida e que ela é essa canção triste que nos embala. Ela chega cheia de boas intenções, mas as vezes nos decepciona. Enquanto a letra que te cria expectativas, a melodia te coloca para baixo.

04ago

O que os filmes podem nos ensinar sobre relacionamentos

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Natalie Portman e Jude Law em cena do filme Closer, de 2004

Sempre que alguém me pergunta qual meu gênero favorito de filmes eu respondo sem pensar: é o drama! Claro que eu adoro filmes de heróis, gosto muito de ficção e fantasia, mas tenho um amor muito forte pelo drama, pois é o gênero que chega mais perto da vida real, é aquele que mais se assemelha a nossa vida. Acredito os filmes dramáticos são as maiores verdades da vida.

E dentro do gênero drama, a categoria que mais gosto é relacionamento. Os filmes contam as nossas histórias amorosas, mostram nossas vidas na tela, apresentam personagem que já vivemos, eu acho isso tão incrível. E de tanto assistir filmes sobre relacionamentos eu acabei aprendendo algumas coisas e vou tentar dividir com vocês.

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1. Não se ache o melhor mentiroso, pois alguém pode mentir mais que você.
No filme Closer, o personagem de Jude Law acredita que é o melhor mentiroso do mundo, porém ele descobre que Alice, vivida por Natalie Portman mentiu pra ele o tempo todo. Ele descobre que pouco do que ela disse, fora o sentimento que viviam, era verdade. O final do filme nos apresenta um Dan completamente despedaçado ao confrontar uma pequena verdade dentre tantas mentiras.

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2. Se quiser dizer eu te amo, diga!
Em Ponte Aérea, filme lançado esse ano, conhecemos a história de Amanda e Bruno, personagens de Leticia Colin e Caio Blat. O casal se conhece por acaso e entra numa relação forte e bastante fugaz, eles começam a fazer parte um da vida do outro até que notam que não tem nada em comum, porém até quando isso importa? O filme fala sobre nossa relação imediatista das coisas. Na história o casal vive uma fase de amor, porém sem nunca dizer a palavra “eu te amo” e quando tudo já acabou e, talvez, o sentimento não existe mais, eles se perguntam “por que nunca dissemos eu te amo um para o outro?”.

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3. Nunca tente esquecer ninguém a força, términos levam tempo e você tem que respeitar isso.
Olha só um dos meus filmes favoritos sendo tema de post no blog novamente e com uma das dicas que eu mais levo a sério. Na história de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, o personagem de Jim Carrey tenta, forçadamente, esquecer Clementine (a moça do cabelo colorido da Kate Winslet) após ela pagar uma empresa para esquecê-lo. Mas quando as memórias da amada começam a desaparecer, ele se arrepende e começa a colocá-la em várias situações de sua vida, sem saber que ela não estava em algumas delas.

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4. Não deixe o sucesso subir a cabeça, chega um ponto em que você pode se arrepender.
Um dos filmes mais legais que vi ano passado já foi tema de post aqui também. A trama de Mesmo Se Nada Der Certo pode ser bobinha se você não passar da sinopse, mas se der uma chance para o filme não vai se arrepender. Na história temos a personagem da Keira Knightley, uma cantora e compositora que acompanha seu namorado Adam Levine até Nova Iorque, onde ele será lançado como cantor, ao atingir o sucesso ele muda radicalmente e acaba deixando a moça desamparada. Porém, como toda moeda tem seus dois lados, ele acaba se arrependendo ao notar que seu amor não está nas letras que está cantando. O filme não é sobre o personagem do Adam Levine, é uma história de recomeço da personagem de Keira Knightley e de um produtor musical falido vivo por Mark Ruffalo.

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5. Não deixe que o problema seja maior que seu relacionamento
Eu amo o filme O Lado Bom da Vida, é uma das “comédias românticas” mais legais que assisti nos últimos tempos. O filme conta a história de Tiffany e Pat, vividos pelos talentosíssimos Jennifer Lawrence e Bradley Cooper e nos apresenta uma lição de vida ótima. Sabe quando estamos com aquele problema que parece ser o fim do mundo e o colocamos no meio das nossas vidas, entre tudo e todos? É esse problema que Tiffany e Pat. Na trama do filme acompanhamos como eles lidam com esses problemas e como conseguem driblar de uma forma incrível, com bom humor, com esperança e união, esses problemas. A maior lição do filme é o fato de que seu relacionamento pode ser maior que seus problemas e isso é incrível, não é?

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