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05out

Eu não acredito em alma gêmea

Postado por às em Amor, Relacionamento
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Domhnall Gleeson e Rachel McAdams em cena do filme Questão de Tempo, de 2013

[Você pode ler esse texto ao som de The Suburbs, do Arcade Fire. ♫]

Quando era mais jovem, acreditava que as pessoas certas se encontrariam. Eu acreditava naquela metade da laranja. Eu tinha certeza que se por algum motivo a pessoa certa desviasse o caminho da sua alma gêmea, o destino seria responsável por juntá-las novamente. Acreditava que tudo acontecia por alguma razão.

Na primeira vez que me apaixonei eu acreditava muito nisso, achava – no auge da minha juventude – que já tinha encontrado o amor da minha vida. Sim, aquela pessoa que o destino colocaria na minha vida já estava ali, pensava eu. A juventude coloca tantas coisas em nossas cabeças, não é? Mas o problema é que sempre fui um sonhador (na verdade, ainda sou).

Depois que esse amor acabou, fiquei pensando que não me apaixonaria mais, que havia sido o primeiro e o último amor. Mas eu não poderia estar mais enganado, eu me apaixonei diversas vezes. Algumas delas foram paixões platônicas (pelo professor da faculdade, pelo amigo heterossexual) outras foram reveladas e outras foram consumidas. Eu não posso reclamar, me apaixonei bastante, tanto que perdi as contas. Ao mesmo tempo em que isso chocaria aquele jovem de 19 anos jurando amor eterno, deixa esse homem de 28 anos rindo, pois é incrível a capacidade que a gente tem de se reconstruir não é? Enquanto eu com meus 20 anos acreditava em alma gêmea e demorei muito tempo para esquecer um amor, o eu mais velho sabe que tudo vai passar. Se não deu certo, a dor vai passar, o amor vai passar. Você nunca vai amar (sozinho) uma pessoa para sempre. Nós queremos viver e esse sofrimento eterno não faz parte dos nossos planos de vida.

Esses dias eu estava conversando com uma amiga, sobre almas gêmeas e gostei muito do seu ponto de vista sobre isso. Ela me disse que “não imagino como as pessoas acreditam que existe alguém feito pra elas. Imagina como seria difícil encontrar a pessoa que foi criada pra você? Será que mora na mesma cidade? Que desce na mesma estação de metrô que eu? Será que ela gosta do Radiohead também? Ou ela estava na Europa e se eu não for lá nunca vou conhecer?”, após essa conclusão fiquei pensando sobre isso. A gente cresce acreditando que merecemos tantas coisas, não é? Entre elas está o amor, a alma gêmea. E se no final tudo isso for pura coincidência (do destino)?

Hoje eu não acredito em alma gêmea, nem naquela história dos opostos se atraem (para relacionamentos, no caso) e muito menos naquela história de “encontrar a tampa da sua panela”, talvez nossa panela possa ser uma frigideira (sem tampa), não é? Brincadeiras à parte, acredito que o ser humano não nasceu pronto para acreditar que não é merecedor. Nascemos acreditamos que temos o direito a felicidade, ao amor, que merecemos o mundo. Mas na pratica não é bem assim.

Eu não tenho mais vergonha de dividir meus sentimentos com vocês e por isso vou dividir mais um. Eu tenho muito medo de acordar um dia com uma pessoa que está dividindo a vida comigo, olhar pra ela e pensar “o que estou fazendo?”. Morro de medo! Parece que já passaram tantas pessoas pela minha vida que a próxima não será tão legal, não será tão interessante e se eu tentar algo mais sério acordarei daqui anos me perguntando sobre essa escolha.

Eu quero dividir com vocês que não me permito (e nem quero) sonhar com o próximo amor, com a alma gêmea, com o “feitos um para o outro”, eu não acredito mais nisso. Mesmo sendo um sonhador, eu não acredito nesse tipo de amor.

29set

O problema não sou eu

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Logan Lerman e Emma Watson em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

[Escrevi esse texto enquanto escutava três músicas, pode ler ouvindo qualquer uma delas: Trusty and true, My Favourite Faded Fantasy e Colour me In ♫]

Um dia você me disse aquela frase que escutei algumas vezes. Sim, aquela mesma frase que as pessoas falam para as outras quando não sabem o que falar. Você me disse isso. Minha primeira reação foi falar “nunca diga isso a mais ninguém, por favor. As pessoas não merecem escutar isso.”, essa foi minha reposta. Eu não sabia o que responder, fiquei pensando em tudo, principalmente em tudo que você disse que não poderíamos perder e ainda não sabia qual seria minha reposta. Eu não tinha uma resposta.

Eu fui tudo que você queria que eu fosse, fui elogiado por você, fui aquele cara legal que – mesmo não amando você – cuidou de ti. Eu fui aquilo que você precisava, aquilo que te deixava feliz, fui sua saudade e (tenho certeza disso) fui por muitos momentos o motivo da sua felicidade. Fui muita coisa e mesmo não sendo nada, fui tudo que eu poderia ser.

Hoje, quando eu quero ser tudo que você queria que eu fosse, você quer que eu seja nada. Você não quer nada. E me fala aquela frase que já escutei várias vezes. Logo você, que eu cuidei. Logo você.

Hoje eu converso com amigos discutindo sobre tudo que passei, perguntando sobre todos meus erros e todos eles repetem em voz alta a frase “você não errou em nada”, mas mesmo assim eu acredito que errei. Não sei onde, mas acho que foi em algum lugar. Que lugar? Não sei qual foi.

Pode ser que por um tempo você foi aquela fantasia da minha mente. Eu te deixei lá por um bocado, vivendo em meus pensamentos. Errei? Claro, já te disse isso! Te disse centenas de vezes e recebi como resposta “eu não ligava pra isso”, mas não era verdade.

Eu nem sei mais como me portar, de tantos erros que cometi. Eu só sei ficar quieto, esperando o nosso próximo passo, sem saber pra qual lado andar, pra qual lado errar. Mas, ao mesmo tempo em que penso isso, eu vejo o quão bobo é errar. Todo mundo errou nesse dia, nessa semana, nesse mês. Eu errei demais nos últimos tempos, mas quem não fez isso? Ninguém.

LOGAN LERMAN stars in THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER Ph: John Bramley © 2011 Summit Entertainment, LLC. All rights reserved.

Logan Lerman em cena de As Vantagens de Ser Invisível, de 2012.

O problema é que já escrevi sobre isso e você nem leu. Falei sobre tudo que a gente carrega ou carregou na vida, falei sobre seus medos e suas musicas, sobre seus amigos e inimigos, sobre suas fantasias e sobre seus desejos. Você nem sabe que eu aceito todos eles. Você não sabe de nada. E nesse “não sei de nada” acaba me falando aquela frase. Sim, aquela frase que já escutei de algumas pessoas, aquela frase que me fere de um modo que ninguém sabe como explicar. Aquela frase.

Eu sou muito confuso, sou muito medroso e por vezes sou muito “no muro”, mas sou aquele cara completamente fiel ao que sinto. Eu sou taurino com ascendente em áries, sou um problema como Che Guevara foi (mesmo que toda minha revolução seja no amor). Eu sou aquela pessoa de antes, eu não escondo meus erros, não esqueço os sorrisos, eu aprendo com eles. Eu não sou um problema.

Tenho certeza que o problema não sou eu. Eu fui (sempre) tudo que eu deveria ser. TUDO! E por isso a última coisa que deveria escutar é isso. Estou puxando tudo, tudo mesmo, que aconteceu entre nós e realmente o problema não sou eu. Não sou. Esse problema. E mesmo assim aquela frase ecoa pela minha cabeça, aquela frase que já escutei várias vezes. Sim, a frase que você me disse.

E agora, eu não sei o que fazer. A única coisa que sei é que realmente o problema não sou eu. Hoje eu tenho certeza disso. Eu sou a solução, não o problema. Eu não sou o problema.

25set

Algumas pessoas têm medo da felicidade

Postado por às em Amor, Eu Você e Eles, Relacionamento
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Kate Winslet e Jack Black em cena do filme O Amor Não Tira Férias, de 2006

[Você pode ler esse texto ao som de Fire Escape, do Foster the People ♫]

Você já chegou naquele ponto da vida que tudo está mudando? Você sabe que as coisas mudarão, mas ainda não sabe o que fazer quando isso acontecer, nesse momento você fica cheio de medos e insegurança. O que é completamente normal, precisamos concordar. Ter medo do novo e se sentir inseguro com mudanças faz parte do ser humano, estranho seria não sentir medo algum. Mas não é disso que quero falar nesse post, o assunto aqui é medo daquilo que vai dar certo.

Sabe aquilo que você sempre sonhou? Aquilo que te arrancava sorrisos enquanto estava pensando na vida? Aquele acontecimento que você contou dias para acontecer? Ele aconteceu, ele está aqui na sua frente e aquele riso bobo que você dava enquanto pensava nisso, finalmente pode virar uma eterna gargalhada. Mas nesse momento toda sua sorte muda, pois o que está certo e resolvido não pode ser apenas sonhado e você acaba ficando com medo de realmente viver aquilo.

Eu sou do time que sonha, do time que tem medo pra caralho de perder algo, mas ao mesmo tempo sou do time que não tem medo de viver aquela experiência sonhada e aquele sentimento imaginado. Eu sou do tipo emocional, que não tem medo de viver um amor, amar, errar, amar e errar de novo. Acho que isso faz parte da vida, os amores e os erros. Sou bem racional quanto a isso. Mas parece que você tem medo, que na sua visão o amor ideal é aquele imaginado, é, como dizia Cazuza, aquele amor inventado. Eu também adoro esses amores, mas quero sempre tirá-los da minha mente e convida-los à minha vida.

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Jude Law e Cameron Diaz (e as crianças) em cena do filme “O Amor Não Tira Férias”, de 2006

Eu não sei como deve ser esse sentimento de medo de apostar no certo, deve ser estranho. Pois se você está com esse medo, o certo vira duvidoso e um dia essa dúvida pode ser maior que a certeza e assim ela vai acabando. Nesse ponto você alcançaria seu objetivo: viver um amor imaginado. E continuaria como era antes, apenas sonhando com as possibilidades.

É tão romântico viver um amor impossível, escutar músicas tristes que criam uma trilha sonora instantânea em sua cabeça, faço muito isso. E odeio e adoro ao mesmo tempo, mas ainda acredito que é tão melhor viver aquele possível. Ou ainda, é mais lindo ver possibilidade naquele impossível, tipo coisa de filme né? E deixar essa possibilidade embalar sua trilha sonora triste, onde aquele drama todo vira um romance. Eu adoro dramas, mas romances são tão bonitos, os finais trazem um pouco de alegria, não é?

Ao mesmo tempo em que sou bastante racional ao o que quero, entendo completamente esse medo. A felicidade assusta, né? A gente pensa “depois dela vem o que? O fim?”, tipo como nos filmes. Os romances de cinema acabam quando tudo está bem, quando o casal está junto. Sobe a música, sobe os créditos, sobe o sentimento de esperança na vida.

Você tem medo do que fará depois dos créditos finais? Eu também tenho, mas quero muito saber o que acontece e acredito que podemos descobrir juntos.

24set

Ninguém é culpado pelo fim

Postado por às em Relacionamento
Cena do filme Ponte Aérea, 2015

Cena do filme Ponte Aérea, 2015

[Você pode ler esse texto ao som de Thinking out Loud, do Ed Sheeran]

Parece que aquele dia que fomos ver Ponte Aérea foi uma premonição, afinal desde o começo a gente sabia sobre os riscos e resolveu mesmo assim se aventurar, como eu sai do filme debulhada em lágrimas parece mesmo uma visão, por que foi desse mesmo jeito quando o fim chegou, soluçando e tentando esconder o choro copioso e dolorido.

Lembro até hoje quando o filme terminou eu encontrei uma amiga no meio do caminho do banheiro, onde eu buscava abrigo e esconder a emoção e o choro provocado pelo filme, eu passei correndo dei um oi e corri, mas ontem, não tinha lugar pra eu me esconder. Era só eu, você e a nossa decisão.

Quando eu conto da nossa decisão as pessoas me chamam de louca, nos chamam de loucos, por que como podemos considerar uma atitude tão radical assim e sofrer tanto pensando em algo que pode mudar, pode sofrer inúmeras variações e não ser o que tentamos evitar?

A resposta é que eu não sei, só sei o que eu estou sentindo e que de certa forma toda essa situação é boa, por que eu achava que eu estava perdida, que nunca jamais eu amaria novamente, que eu estava destinada a viver com um coração duro, quase impenetrável, mas agora eu sofro, dói e não é só uma dor sentimental, é uma dor física, coisa que eu nem sabia que poderia sentir, ou que existia.

Hoje eu ouvi aquela música do Queen “Love of my life” que pipocou na timeline por causa do Rock in Rio e eu prestei atenção na letra e puta que pariu, segurei forte a lagriminha aqui, mas ai eu lembrei que eu aprendi que tenho que ser forte, então, eu mudei a playlist e bora enfrentar a vida que segue.

23set

Você deixou um espaço aberto para minhas imaginações

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Craig Roberts e Yasmin Paige em cena do filme Submarine, de 2011.

[Você pode ler esse texto ao som de Hiding Tonight, do Alex Turner ♫]

Esses dias li algo no Twitter que achei muito real e pensei “vou levar isso para o blog em forma de texto”. Era uma frase simples que dizia o seguinte: É isto que amamos os outros, o lugar vazio que eles abrem para que ali cresçam as nossas fantasias. Quando li essa frase pensei “quanta verdade em tão poucas palavras” e olhei para trás e entendi quantos vazios existiram aqui e foram preenchidos com minhas fantasias.

Vocês ja passaram por isso? É como se a pessoa passasse pelas nossas vidas apenas para dar um fôlego a mais à nossa imaginação. A gente imagina o futuro, pensa em dezenas de coisas, sonha com o que vai acontecer e isso é tão gostoso. Chega a ser maior que o próprio amor, sabe? É algo mais entre nós mesmos.

Eu tenho uma imaginação bem fértil e gosto de vivenciar as coisas pelo imaginário, por isso acabo usando esse espaço para viver aquilo que não vivi, para tornar reais as experiências que não existiram. É como se o espaço que deixaram em mim fosse mais importante que a própria pessoa. Apesar de ser bonito, quando escrito, é meio triste demais quando vivido. E aqui mora um perigo. Às vezes acabamos sonhando demais e vivendo de menos.

Eu tenho consciência que é bem mais importante viver o presente do que sonhar com o futuro e tento fazer isso, mas às vezes a escolha que faço nem sempre é a certa e por isso acabo usando minha imaginação para levar adiante e acabo preenchendo o espaço que deixaram aqui com minhas expectativas. E o pior de tudo é que gosto disso. Eu amo esse espaço. É como se eu colorisse aquele papel em branco que existe aqui.

Talvez um dia eu não tenha mais espaço e não precise imaginar mais nada. Só que quanto mais vivo e quanto mais o tempo passa, vou me acostumando com esses espaços deixados aqui. Eles não me incomodam, na verdade fazem parte de mim e eu gosto deles. É como escrever poesias e eu gosto desse tipo de poesia triste que crio comigo mesmo usando minhas imaginações e colocando vocês nelas.

Um dia escrevi um texto e publiquei em um blog que não existe mais. Esse texto falava sobre um poeta que queria muito escrever sobre amor, ele procurava o amor por toda parte, pois não queria escrever sobre amor sem conhecer o sentimento. Um dia ele encontrou o amor e não quis mais escrever, ele quis amar. Quando eu li a frase do tweet pensei diretamente nesse texto, vi que existe uma ligação entre essas duas coisas.

Acredito que hoje estou mais triste que o normal e esse texto acabou refletindo isso. Eu entendo que esses espaços que deixam em mim são muito importantes, eles me ensinam muito e me fazem escrever (tenho tanto orgulho de transporta-los em textos aqui), mas um dia espero ser o poeta do texto que escrevi.

Esse texto faz parte do projeto Eu, Você e Eles.

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