/ Relacionamento

21set

Até que ponto suas convicções pessoais podem interferir no seu relacionamento?

Postado por às em Amizade, Amor, Relacionamento
SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 005

Hugh Grant e Martine McCutcheon em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

[Você pode ler esse texto ao som de Você e a Brisa, de Dimitri BR & Cristina Flores]

Acho que todos nós chegamos num ponto em que estamos prestando atenção demais nas diferenças que temos com a pessoa amada, são religiões, gostos diferentes, ideologia política e por ai vai. Eu acredito que ser diferente é bom, você aprende muita coisa com o outro e divide outras dezenas. Mas às vezes suas convicções pessoais podem interferir naquele seu relacionamento.

Eu sou uma pessoa ciente das coisas que gosto e daquilo que não gosto, e isso faz parte de mim, aliás, faz parte de todos nós, principalmente quando somos adultos. E essas nossas convicções podem deixar pontos de interrogação em nossos relacionamentos. Elas podem atrapalhar ao mesmo tempo que podem ajudar. Tipo, desde aquela coisa boba de “enquanto ele escuta indie, eu escuto pop” até as mais sérias como “enquanto eu quero morar fora, ele não quer sair do Brasil”.

Todos nós somos diferentes, temos vidas completamente distintas, mas quando estamos num relacionamento queremos algo em dupla, algo que seja para dividir, não é mesmo? Se chegar ao momento em que a divisão para e apenas uma pessoa recebe da outra, a relação não funciona e deixa de existir aquela cumplicidade, aquela troca. Acredito que você que está lendo isso tem um amigo que quando começou a namorar mudou toda sua vida, deixou de ser ele mesmo para se tornar o outro. Fez novos amigos, mudou seu jeito de se vestir, mudou suas prioridades e seus gostos, ele acabou deixando de ser aquela pessoa que era. Eu não acho isso ruim, de modo algum, se a pessoa está feliz é isso que importa. Mas até quando você vai mudar só para agradar alguém?

SIMPLESMENTE AMOR Love actually 2003 - Hugh Grant - 008

Martine McCutcheon e Hugh Grant em cena do filme Simplesmente Amor, de 2003.

Esses dias uma amiga me ligou dizendo que havia terminado seu namoro, minha primeira reação foi aquele choque, seguido da tristeza compartilhada. Mas fiquei mais impressionado ainda com o motivo do término: eles são muito diferentes. Ao perguntar, para essa minha amiga, o que ela queria recebi como resposta: “eu queria ele”. Na hora pensei e falei “ser adulto é uma bosta, né?”. Os dois se amam, mas são tão diferentes que não conseguem enxergar um futuro compartilhado, um futuro em que os dois consigam viver suas vidas separadas e juntas ao mesmo tempo.

Analisando essa situação da minha amiga, fiquei pensando o quanto não sou assim, racional. Eu sou emocional, se for pra sofrer mais tarde eu posso adiar numa boa esse sofrimento. No caso dela não, preferiu ficar triste agora e lidar com isso de uma forma racional, enquanto não é tarde demais. Claro que nunca é tarde demais, mas podemos concordar que com o tempo as relações vão ficando mais sérias e maduras. Ela (e ele também) colocou suas convicções pessoais, sua experiência de vida, seu desejo de um futuro conforme o planejado, na frente desse amor, desse relacionamento. Difícil, não é?

Eu já tive uma relação em que era completamente diferente do outro, nós tínhamos pensamentos diferentes, gostos diferentes, visões para o futuro diferentes, era tudo diferente. Às vezes eu olhava pra ele e pensava “o que estou fazendo aqui?”, mas ele sorria e essa confusão passava. Até o dia que cheguei a uma decisão e terminei a relação. Eu não sei se essa minha decisão em terminar foi apenas por nossas visíveis diferenças, mas algumas coisas me deixavam com raiva, sabe? Como se eu não pudesse mais suportar aquilo, mas depois passava. A convivência é complicada demais.

Eu não sou do tipo que mudo pelo outro, nem pediria que uma pessoa mudasse por mim. Acho lindo a relação de amizade por causa disso, a gente não tenta mudar o amigo, aceita ele como é. Você poderia ir ao restaurante japonês com seu amigo durante um ano, sem gostar muito de comida crua, mas conseguiria fazer isso com seu namorado? E depois de um ano todo comendo peixe cru vai virar pra ele e dizer “EU NUNCA GOSTEI DE SUSHI!” e terminar a relação? Por que aquele atum cru foi a gota d’agua! Brincadeiras à parte, pensem como a gente vem cheio de convicções para um relacionamento e elas podem acabar interferindo na construção de tudo? Mas uma vez repito: como ser adulto é complicado.

Estamos numa era em que o “eu” é mais importante que o “outro” (isso em alguns casos) e lidar com essas diferenças é tão difícil pra gente. Eu não sei como terminar esse texto, não sei se sou do time dos racionais (logicamente não sou, mas posso torcer pra eles?) ou se falaria pra todos agirem com o coração (como sempre faço).

Meu maior desejo hoje seria ser racional nas minhas escolhas e deixar que minhas convicções interferissem em todas as minhas relações, não só com namorados. E você, o que acha?

17set

Desde quando gostar de sexo é errado?

Postado por às em Relacionamento, Sexo
ninfomaniaca

Charlotte Gainsbourg em cena do filme Ninfomaníaca, de 2013

Você pode ler esse post ao som de I’m Your Doll, da FKA Twigs.

Já passei por situações em que eu e a outra pessoa queríamos terminar a noite da mesma forma: fazendo sexo e dormindo juntos. Só que ao verbalizar isso com o convite “vamos para minha casa“, ou aquela brincadeira “na minha casa ou na sua?” fui julgado. Julgado por mostrar com minhas palavras o desejo que já era implícito.

Há alguns meses estava ficando com um mocinho, que era muito legal. Só que nossa relação era apenas sexual, não íamos para o cinema, não passeávamos no parque do Ibirapuera, não praticávamos um esporte juntos, só que um dia – depois que a relação havia acabado – escutei algo que me frustrou. Ele me disse que eu era “muito sexual”, que toda nossa relação se baseava em sexo. Eu respondi que sabia disso, que nossa relação era sexual e que sempre achei que era apenas isso que queríamos. Mas ele queria outra coisa, nunca me disse e nunca agiu de forma diferente. Ao final dessa nossa “relação”, eu acabei sendo o cara que não quis tentar e só queria sexo, só queria ter o corpo de outra pessoa junto ao meu.

Sinceramente não vejo problema nisso, eu realmente não ligo de, às vezes, querer só isso. Mas, ao não ver problema nisso, sou julgado, pois eu verbalizo aquele desejo que tenho. Aquele desejo que outro tinha, que você tem, que toda pessoa tem. Eu não tenho vergonha de entrar numa relação apenas sexual e não preciso negar isso. Mas parece que algumas pessoas precisam e, mesmo não querendo ter outro tipo de relação, não conseguem admitir que estão em uma relação apenas pelo sexo.

gif

Certa vez, quando eu namorava, fui questionado sobre sexo a três. Ele me perguntou “você topa?”, eu – taurino que sou – respondi não de pronto (na minha cabeça) e depois fiquei pensando e falei “pode ser, mas precisamos definir algumas regras”. Ao responder o afirmativo, fui julgado por “ter aceitado uma proposta dessas”, que na verdade era um teste. Na hora eu pensei: ONDE ESSE MUNDO VAI PARAR?

Novamente fui mais sexual que o outro.

Tem sexo na novela, sexo nos filmes, sexo em séries de TV, mas ainda querer fazer sexo pelo simples fato de querer fazer sexo parece um tabu? Acredito que não existe nenhum problema em fazer a quantidade de sexo que você quer fazer, se isso for saudável e feito com segurança, qual o problema de querer e verbalizar isso? Se duas pessoas estão numa relação só pelo sexo, temos duas pessoas numa relação só pelo sexo e pronto, os dois estão concordando nisso e não há problema.

Não sei qual a necessidade que as pessoas têm de se mostrar mais pura que o próximo, sendo que todos queremos apenas “relaxar e gozar” ao final do dia.

Eu, por exemplo, gosto de sexo como qualquer outra pessoa. Tenho milhares de outros atributos além desse meu lado sexual (sou carinhoso, romântico, brincalhão…), mas algumas pessoas que passaram pela minha vida só conseguiram enxergar o lado sexual. Ao escutar isso, algumas vezes, cheguei até ficar triste. Mas depois pensei direito e cheguei à conclusão que estou sendo sincero com o que estou sentindo e fazendo aquilo que quero fazer. Sendo sexo, carinho ou um esporte junto.

15set

Você não saberá como me sinto

ross-rachel

Na foto estão Jennifer Aniston e David Schwimmer como Rachel e Ross, da série Friends.

[Você pode ler esse texto ao som de Elastic Heart, da Sia ♫]

Decidi isso há poucos dias, decidi que não reclamaria da sua ausência, que não faria planos para viver com você, decidi que guardaria qualquer sentimento pra mim. Afinal essa é a maneira mais fácil de lidar com tudo. Agora, sempre que você perguntar se estou bem, responderei com aquele emoji que uso sempre em nossas conversas e ele dirá que sim, estou bem. E você acabará acreditando nisso, até o dia que não precisarei mais mentir.

Eu não quero que você carregue esse peso com você, de não me fazer bem, de estar machucando alguém, principalmente porque eu não quero ser triste e quanto mais eu falar sobre essa tristeza mais ela existirá. Maior ela ficará. Por isso, não terão mais lágrimas e não terão mais choros. Eu prometo isso pra mim mesmo.

Eu não escolhi passar por essa situação novamente, muito pelo contrário. Dessa vez eu escolhi a felicidade e me dei uma chance pra viver aquilo que eu acreditava, mas as coisas não funcionam como queremos e por isso vou ficar aqui sendo feliz no meu canto, enquanto espero que você seja feliz no seu. E a nossa história pode continuar por muito tempo e eu espero realmente que isso aconteça, mesmo não tendo a mínima ideia de como vou lidar com isso.

rach12

O que eu sei é que as pessoas não querem compartilhar tristezas. Eu, por exemplo, queria compartilhar a alegria de estar apaixonado por você, mas não posso. Por isso, a partir de agora, só compartilhei as alegrias que posso e guardarei as tristezas todas para mim, num cantinho. Até chegar aquele dia que acordarei e não saberei mais o que elas são. Até o dia que estarei bem e não terei mais a tristeza da sua ausência comigo.

Hoje eu olho para todos os meus relacionamentos anteriores e vejo tudo que aprendi, penso que agora estou aprendendo mais ainda e espero que essa lição me leve para boas escolhas no futuro. E se eu errar de novo escreverei uma série de textos que me ajudarão a seguir em frente. Afinal, todas essas histórias estão aqui dentro e fazem parte de mim. E histórias servem para ser contadas.

Esse texto pode soar como indireta para várias pessoas, e ele é. Mas na verdade é algo maior, funciona como uma carta para mim mesmo. Quem sabe assim eu posso aprender a lidar com meus sentimentos sozinhos, pela primeira vez na vida.

14set

Eu julguei o coleguinha

Postado por às em Relacionamento

julgar

Ultimamente eu tenho feito o exercício de tentar julgar menos as pessoas, mas eu sei que não é muito fácil e a todo momento isso acontece, aconteceu semana passada e eu parei pra refletir por que isso acontece e principalmente percebi como isso é nocivo.

Eu sou e já fui muito julgada por minha atitude, por meu ~life style~ e por minhas opiniões que as vezes, eu diria na maioria, são controversas e remam ao contrário da maioria, eu percebi como é ruim essa sensação de ter alguém que não sabe da tua história ou até sabe uma boa parte e te julga assim, sem precedentes.

Cada ser é um indivíduo único e cada pessoa tem seu íntimo e coisas que pra ela são importantes ou não e ficar se comparando ou julgando é um exercício tão estúpido quanto tentar convencer um petista a virar a casaca e vice versa, mas isso é só um exemplo.

pimenta-no-c...

Nessa semana me aconteceu o caso no MBA, um dos garotos do grupo sumiu sem dar notícias, eu sou mega preocupada com esses lances de trabalho e sempre quero estar pronta, em dia e não consigo lidar de boa com as pessoas que são da filosofia de “bota meu nome ai”. O Jader e Wesley conhecem bem esse meu lado. Voltando ao caso, eu fiquei super brava e até comentei com a galera de tirar ele do grupo e tal, julguei mesmo, pra caralho, mas ai veio a notícia, o menino tinha tido um enfarto e estava no hospital, minha cara foi no chão né?

O que mais uma vez me levou pro exercício de tentar não julgar, de ser mais complacente e paciente, as coisas podem não ser o que aparentam no momento. O rapaz nem sabia do meu julgamento, mas eu fui lá, mandei uma mensagem pra ele e pedi desculpas, afinal eu estou tentando melhorar, tudo resolvido, mais uma lição aprendida, espero que realmente eu consiga evoluir nesse quesito.

11set

Não precisamos parar de ter medos

gossip

Ed Westwick e Leighton Meester, como Chuck Bass e Blair Waldorf, em Gossip Girl.

[Você pode ler esse texto ao som de Trusty and true, do Damien Rice ♫]

Vocês vão concordar comigo quando digo que sempre traremos as experiências e os medos do passado para nossos relacionamentos atuais e futuros. A Taína já falou sobre isso aqui no blog e eu quis trazer esse assunto novamente a nossa pauta diária após escutar (repetidas vezes) a música Trusty and True, do Damien Rice.

A música me fez pensar nessa fase que estou e em varias outras que já passei, sobre como eu trouxe medos e regras prontas para os novos relacionamentos e o quanto isso é normal. É completamente normal você ter medo de se machucar, pois já deixamos de ser jovens, perdemos aquele brilho e aquela vontade forte de mudar tudo e queremos apenas ficar bem. O modo como amamos não muda, a gente continua amar o outro muito, mas o medo complica tudo e faz com que as regras prontas falhem ao serem usadas em outros momentos.

Acho que a fase que estou passando hoje, que faz parte de um aprendizado, me coloca como protagonista da história dessa música. Não sei se vai passar ou serei assim por muito tempo, sei que estou gostando disso. Eu meio que aprendi a lidar com essas coisas, aprendi a lidar com esse medo todo e hoje estou convidando uma pessoa a vir com todos os seus medos e seus anseios pra minha vida. É como diz Damien Rice na letra:

Come, come along
Come with fear
Come with love
Come however you are

Just come, come along
Come with friends, come with foes
Come however you are

Parece que chega um momento de nossas vidas que algo corta nossas asas, tira aquela vontade imensa que temos de fazer tudo. É trabalho, aluguel, contas, pressão da família, relacionamento com amigos, temos tanta coisa para nos preocupar, que não temos tempo para deixar que o medo entre nesse nosso novo cotidiano. Mas é uma bobagem, né?

tumblr_nuhpkebEiR1tcsgvqo1_500

Eu estava conversando com uma amiga, falando sobre estar apaixonado, sobre o medo de perder alguém e ela me disse algo que achei lindo. Ela disse que sentia falta de sentir medo, de se apaixonar e não pensar em mais nada. Acredito que o mundo precisa de mais pessoas dispostas a sentir medo, pois existem pessoas que estão completamente abertas para lidar com nossos medos.

Hoje eu não estou com medo de me envolver, estou aqui pronto para lidar com o medo de outra pessoa, para ajudar da forma que fui ajudado, para ensinar algumas certezas e aprender outras incertezas. Me acho tão adulto falando isso, que as vezes não me reconheço.

Não precisamos parar de ter medo, sabe? Medo é bom. Nós precisamos saber lidar com ele e entender que existem pessoas ao nosso redor com medos maiores ou capazes de nos ajudar com o nosso. Então, se você ama pode ir com medo! Vai com amor, vai como você é, leva sua bagagem, mas não tenta levar as mesmas regras.

Vai com medo, mas vai logo.

Plugin creado por AcIDc00L: bundles
Plugin Modo Mantenimiento patrocinado por: posicionamiento web