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26jun

Eu nunca enviei uma carta de amor

Postado por às em Amor, Relacionamento, vida
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Gena Rowlands e James Garner em cena de Diário de uma Paixão, de 2004

[Você pode ler esse texto ao som da música Song For Someone, do U2 ♫]

Eu sempre gostei de escrever, desde pequeno pegava cadernos, folhas e canetas e começava. Eu criava histórias. Lembro que escrevi uma história toda, com começo, meio e fim, em um caderno (só espero que ninguém encontre isso). Mas eu nunca fui daqueles que envia cartas de amor, acho que expressar sentimentos escrevendo com minha própria letra me deixaria completamente despido. Eu não saberia lidar com isso.

Claro que já escrevi frases e textos em cartões de aniversários, em capas de livros e até em post-its, mas eu nunca enviei uma carta de amor. Na verdade eu já escrevi, eu só nunca entreguei.

Há alguns anos escrevi minha primeira carta de amor. Eu era muito jovem e não entendia muitas coisas, eu vivia muito dentro da minha imaginação. Aquele Jader sonhava em fugir por amor, queria gritar que amava, correr pelas ruas mostrando quem era, ele era um louco. Ele escreveu uma carta de amor.

A carta era confusa, nela só havia emoção. Pareceu que escrevi aquilo sem pensar, eram palavras estampadas no papel que não faziam sentido. Era o primeiro amor. Como se fosse uma canção confusa, uma canção que a gente não entende. E, como você já imagina, aquela carta nunca foi entregue e o destinatário nunca soube da existência dela.

A segunda vez que escrevi uma carta de amor foi há pouco tempo, acho que deve fazer uns 2 anos. Eu estava muito nervoso no momento, mesmo assim pensei em tudo que deveria escrever, imaginei que as palavras jogadas no papel deveriam contar uma história. A carta deveria ter começo, meio e fim.

Eu escrevi a história, reescrevi e escrevi novamente, peguei partes de tudo que estava nos papéis e criei uma nova. A carta estava pronta, eu só precisava te entregar.

A segunda história é um tanto diferente da primeira. Como eu não tinha como entregar aquela carta, eu a li. Eu peguei o telefone, liguei e li a carta, só que eu nunca disse que estava lendo. Nunca disse que aquilo foi pensando, trabalhado e editado. Nunca disse pra ele que tinha escrito uma carta.

Hoje, com quase 30 anos, penso no tamanho dessa bobagem. Eu estava sentindo algo real e coloquei aquilo no papel, mas nunca cheguei a enviar. E qual o motivo? Eu tive medo.

Imagina quantas cartas não enviadas existem? Imagina quantos destinatários esperam cartas que nunca foram enviadas? Eu poderia ser um desses. Será que nunca li minha carta?

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